Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
Na maioria dos casos, a sinusite não precisa de antibiótico
Não. A maioria dos quadros de sinusite aguda é causada por vírus, e antibiótico não trata vírus. O medicamento só é considerado quando a evolução e o conjunto dos achados levantam suspeita de rinossinusite bacteriana. A duração sozinha, a intensidade do mal-estar ou a cor da secreção não autorizam começar um antibiótico por conta própria.
A decisão tem uma ordem: primeiro avaliar há quanto tempo os sintomas duram e se houve piora depois de uma melhora; depois procurar um conjunto de sinais compatíveis com bactéria; por fim, escolher o tratamento de acordo com idade, histórico, alergias, outras doenças e uso recente de antibióticos.

Não use antibiótico por conta própria nem repita uma receita antiga. Quando os sintomas sugerem sinusite bacteriana, entre em contato com a OtoCare para avaliação com otorrino e definição do tratamento adequado.
Quais sintomas formam o diagnóstico de sinusite aguda?
Em adultos, o diagnóstico clínico começa com pelo menos dois de quatro sintomas: nariz entupido, secreção nasal, dor ou pressão na face e redução ou alteração do olfato. Febre, calafrios, dor no corpo e tosse também podem aparecer, mas não substituem esse conjunto principal.
Nas crianças, a tosse ocupa o lugar da alteração do olfato entre os quatro sintomas principais. Essa diferença ajuda a reconhecer o quadro, mas ainda não diz se a causa é viral ou bacteriana.
A orientação sobre sinusite aguda viral, prolongada ou bacteriana aprofunda a evolução de cada tipo e explica por que um quadro demorado pode continuar sendo viral.
Por que o antibiótico não ajuda na sinusite viral?
O antibiótico age contra bactérias. Na sinusite provocada por vírus, é o próprio organismo que controla a infecção enquanto o tratamento cuida da inflamação e dos sintomas. Tomar antibiótico nesse cenário não elimina o vírus nem encurta automaticamente o quadro.
Além de não oferecer o benefício esperado, o uso sem indicação pode causar náusea, diarreia, reação alérgica, alteração da flora intestinal e seleção de bactérias resistentes. Por isso, o objetivo não é evitar antibiótico a qualquer custo: é reservá-lo para o quadro em que existe um alvo bacteriano provável.
O tempo dos sintomas é o primeiro filtro
Na sequência apresentada no vídeo, o antibiótico passa a ser considerado quando os sintomas ultrapassam dez dias sem melhora ou quando há uma nova piora a partir do quinto dia. Essa piora depois de uma melhora inicial é chamada de dupla piora.
Esse marco abre a avaliação médica; ele não funciona como uma autorização automática para tomar antibiótico. Um resfriado pode deixar secreção e tosse por mais tempo, e a página sobre os tipos de sinusite aguda mostra como a classificação brasileira atual separa o quadro viral prolongado da suspeita bacteriana.
A suspeita bacteriana exige pelo menos três de cinco achados
Além da evolução no tempo, a avaliação procura pelo menos três dos cinco achados abaixo:
- secreção de aspecto purulento, amarelada, esverdeada ou mais escura;
- dor facial, especialmente quando é mais intensa de um lado;
- febre acima de 38 °C;
- dupla piora, quando o quadro melhora e depois volta a piorar;
- aumento de marcadores inflamatórios no sangue, como PCR ou VHS.
Um achado isolado não fecha a indicação. Secreção verde, por exemplo, pode ocorrer também em quadros virais. O raciocínio depende da combinação dos sinais, da curva de evolução e do exame do paciente.
A lista não é um autoteste. PCR e VHS não são necessários para todo paciente, e três itens percebidos em casa não substituem o exame médico nem definem qual medicamento usar.
Como o antibiótico é escolhido quando existe indicação?
A escolha depende do caso: idade, alergias, outras doenças, gravidade, tratamentos recentes e resposta a antibióticos anteriores mudam a decisão. Por isso, uma caixa que funcionou em outro episódio ou para outra pessoa não serve como referência segura.
Quando a dúvida passa a ser qual medicamento, por quantos dias e o que fazer se não houver melhora, veja a orientação específica sobre antibiótico para sinusite.
Por que azitromicina e Benzetacil® não são escolhas automáticas?
O vídeo destaca dois erros frequentes. A penicilina benzatina, conhecida como Benzetacil®, não oferece cobertura adequada para o perfil habitual de bactérias envolvidas na rinossinusite aguda bacteriana. Ela não deve ser usada por conta própria como uma injeção para “cortar” a sinusite.
A azitromicina também não é uma escolha empírica confiável para esse quadro por causa da resistência bacteriana desenvolvida ao longo do tempo. Isso não transforma o medicamento em inútil para todas as doenças; significa que ele não deve ser escolhido automaticamente para sinusite. A página sobre azitromicina em sinusite, otite e amigdalite explica esse recorte.
Vídeo: sinusite precisa de antibiótico?
O vídeo abaixo apresenta os sintomas usados no diagnóstico de sinusite aguda, o filtro do tempo, os cinco achados avaliados na suspeita bacteriana e os erros de automedicação com azitromicina e Benzetacil®.
Perguntas frequentes
Um exame de sangue normal exclui sinusite bacteriana?
Não. PCR e VHS formam apenas um dos cinco achados avaliados. O resultado é interpretado junto com o tempo dos sintomas, a dupla piora, a febre, a dor facial e a secreção; nem todo caso precisa desses exames.
Posso repetir o antibiótico que usei na última sinusite?
Não por conta própria. O episódio atual pode ser viral, o histórico de uso recente muda a escolha e uma sobra de tratamento pode não ter quantidade suficiente. A conduta precisa ser definida para o quadro atual.
Sinusite crônica usa os mesmos critérios de antibiótico?
Não. A rinossinusite crônica dura pelo menos 12 semanas e costuma envolver inflamação persistente, com ou sem pólipos nasais. Ela exige outra investigação e não deve ser tratada como uma crise aguda prolongada. Veja a orientação sobre polipose nasal e sinusite crônica.
Referências
- VILELA, Larissa. Sinusite: é necessário tomar antibiótico? YouTube, 22 jun. 2024. 1 vídeo (8 min 34 s). Disponível em: https://youtu.be/bySRjsEcrM4. Acesso em: 19 set. 2026.
- ROMANO, Fabrizio Ricci et al. Rhinosinusitis: evidence and experience — 2024. Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, São Paulo, v. 91, n. 5, art. 101595, 2025. DOI: 10.1016/j.bjorl.2025.101595. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40398368/. Acesso em: 19 set. 2026.
- FOKKENS, Wytske J. et al. European Position Paper on Rhinosinusitis and Nasal Polyps 2020. Rhinology, Amsterdã, v. 58, supl. 29, p. 1-464, 2020. DOI: 10.4193/Rhin20.600. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32077450/. Acesso em: 19 set. 2026.
Avaliação de sinusite em Brasília
Se os sintomas não melhoram, voltam a piorar depois de uma melhora ou existe dúvida sobre a necessidade de antibiótico, uma consulta com otorrino em Brasília permite examinar o nariz, revisar a evolução e escolher a conduta adequada. A Clínica OtoCare atende adultos e crianças no Setor Noroeste.
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