Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
Dupixent não é indicado para toda sinusite crônica
Dupixent e outros imunobiológicos são opções para um grupo específico: adultos com rinossinusite crônica grave com pólipos nasais que continuam sem controle adequado apesar do tratamento habitual. Em geral, isso significa que o corticoide tópico nasal foi usado corretamente e que uma cirurgia nasossinusal adequada já foi realizada. Uma contraindicação absoluta à cirurgia pode mudar esse caminho.
Ter sintomas por muitos meses, ter recebido o diagnóstico de sinusite crônica ou ter eosinófilos altos no hemograma não basta, isoladamente, para indicar o medicamento. A escolha exige confirmar os pólipos, medir a gravidade e avaliar o conjunto de sintomas, exames, cirurgias anteriores, outras doenças inflamatórias e marcadores do organismo.

Não inicie, troque nem interrompa um imunobiológico por conta própria. A elegibilidade e a escolha do medicamento dependem de avaliação individual; a embalagem ou o nome comercial não mostram se o tratamento é adequado para o seu caso.
Qual tipo de sinusite pode receber imunobiológico?
O quadro abordado é a rinossinusite crônica com pólipos nasais. Para ser crônica, a doença apresenta sintomas por pelo menos 12 semanas. É preciso ter dois ou mais entre obstrução nasal, secreção nasal, dor ou pressão na face e alteração do olfato; um dos sintomas deve ser obstrução ou secreção.
Os sintomas precisam estar acompanhados de achados objetivos. A endoscopia nasal pode mostrar os pólipos e a inflamação, enquanto a tomografia dos seios da face ajuda a medir a extensão da doença. A orientação sobre polipose nasal e sinusite crônica explica o diagnóstico, os sintomas e por que os pólipos podem voltar.
A rinossinusite crônica sem pólipos não é a indicação típica apresentada aqui. Também não se trata de um medicamento para uma crise aguda de poucos dias. Se a dúvida ainda é reconhecer o quadro, veja como saber se é sinusite.
Por que o imunobiológico costuma vir depois do tratamento habitual?
A maior parte dos pacientes com rinossinusite crônica e pólipos consegue controlar a doença com uma cirurgia bem realizada e tratamento tópico contínuo. O corticoide pode ser usado em spray ou, em casos selecionados, na lavagem nasal; a página sobre lavagem nasal com corticoide explica por que essa preparação depende de prescrição.
Os imunobiológicos ficam reservados principalmente para a doença grave e refratária porque são medicamentos de alto custo e de uso prolongado. Antes de escolhê-los, é importante confirmar que o tratamento tópico foi usado da forma correta e que a cirurgia, quando indicada, abriu adequadamente os seios da face para permitir o controle local.
O portão inicial tem duas condições:
- rinossinusite crônica com pólipos nasais confirmada;
- cirurgia nasossinusal apropriada já realizada ou contraindicação cirúrgica absoluta.
Somente depois desse portão a avaliação de elegibilidade é aplicada. O medicamento não funciona como atalho para evitar todas as outras etapas.
Como Dupixent e outros imunobiológicos agem?
A polipose nasal costuma envolver uma inflamação chamada tipo 2. Nela, diferentes mensageiros e células do sistema imune mantêm o tecido inflamado. Os imunobiológicos são anticorpos monoclonais que bloqueiam alvos específicos dessa rede.
Dupilumabe, nome do princípio ativo do Dupixent, atua nas vias das interleucinas 4 e 13. Omalizumabe e mepolizumabe agem em outros pontos da inflamação. Essa ação direcionada é diferente da ação ampla dos corticoides sistêmicos.
O objetivo é controlar a doença: reduzir a obstrução, o tamanho dos pólipos e a necessidade de novos resgates, além de melhorar o olfato e a qualidade de vida quando existe boa resposta. O resultado não é garantido e precisa ser medido durante o acompanhamento.
Quais fatores entram na avaliação de elegibilidade?
A avaliação brasileira organiza 11 variáveis em quatro pilares. O conjunto mostra a gravidade e a probabilidade de benefício:
| Pilar | O que é avaliado |
|---|---|
| Impacto da doença | qualidade de vida pelo SNOT-22, intensidade da obstrução ou secreção, teste do olfato, número de cirurgias anteriores e uso de corticoide sistêmico no último ano |
| Extensão | tamanho dos pólipos na endoscopia e comprometimento dos seios da face na tomografia |
| Comorbidades | presença e gravidade da asma e intolerância a anti-inflamatórios não esteroidais |
| Biomarcadores | quantidade de eosinófilos no sangue e no tecido dos pólipos |
Cada item recebe uma pontuação. Na atualização brasileira apresentada no vídeo, um total de 14 pontos ou mais sustenta a indicação, desde que as duas condições obrigatórias já estejam presentes. Um resultado abaixo disso é altamente sugestivo de não recomendação.
Essa pontuação não é um autoteste. Ela depende de exame endoscópico, tomografia, teste de olfato, histórico cirúrgico, questionário validado e interpretação clínica. Um único resultado de sangue não fecha a indicação.
Quanto tempo dura o tratamento?
O imunobiológico não é usado como um ciclo curto de poucos dias ou meses. A inflamação fica controlada enquanto o tratamento funciona e é mantido; interrompê-lo pode permitir a volta da doença. Por isso, a duração é individual e pode se estender por anos.
Durante o acompanhamento, o otorrino reavalia sintomas, qualidade de vida, olfato, tamanho dos pólipos, necessidade de corticoide sistêmico e controle de condições associadas, como asma. Manter um medicamento de alto custo sem medir resposta não faz sentido; a continuidade depende do benefício observado em cada paciente.
Vídeo: novo tratamento para sinusite crônica
O vídeo abaixo apresenta para qual tipo de sinusite crônica os imunobiológicos são considerados, o que costuma ser tentado antes e quais critérios entram na avaliação do paciente.
Perguntas frequentes
Dupixent é corticoide?
Não. Dupixent é o nome comercial do dupilumabe, um anticorpo monoclonal que bloqueia alvos específicos da inflamação tipo 2. Ele não deve ser confundido com o corticoide nasal ou oral e não autoriza suspender esses medicamentos por conta própria.
Eosinófilos altos no hemograma confirmam a indicação?
Não. A eosinofilia no sangue é apenas uma das 11 variáveis. A decisão considera também sintomas, qualidade de vida, olfato, cirurgias anteriores, uso de corticoide sistêmico, extensão dos pólipos e da tomografia, asma, intolerância a anti-inflamatórios e eosinófilos no tecido.
Ter asma e pólipos nasais aumenta automaticamente a pontuação?
A asma entra na avaliação e sua gravidade modifica a pontuação, mas ela não decide sozinha. É preciso cumprir as condições obrigatórias e avaliar todos os outros itens. Quando as duas doenças coexistem, o tratamento precisa ser organizado de forma conjunta.
Referências
- VILELA, Larissa. Novo tratamento para sinusite crônica. YouTube, 29 maio 2024. 1 vídeo (13 min 6 s). Disponível em: https://youtu.be/tsh1yVuvZdE. Acesso em: 19 set. 2026.
- ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE OTORRINOLARINGOLOGIA E CIRURGIA CÉRVICO-FACIAL. Diretriz brasileira para o uso dos biológicos em rinossinusite crônica com pólipo nasal: atualização 2024. São Paulo: ABORL-CCF, 2024. Disponível em: https://aborlccf.org.br/wp-content/uploads/2024/03/Consenso-Imunobiologicos-2024.pdf. Acesso em: 19 set. 2026.
- AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Dupixent (dupilumabe): nova indicação. Brasília, 22 jun. 2020. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/novos-medicamentos-e-indicacoes/dupixent-dupilumabe-nova-indicacao-1. Acesso em: 19 set. 2026.
- BACHERT, Claus et al. Efficacy and safety of dupilumab in patients with severe chronic rhinosinusitis with nasal polyps: results from two multicentre, randomised, double-blind, placebo-controlled, parallel-group phase 3 trials. The Lancet, v. 394, n. 10209, p. 1638-1650, 2019. PMID: 31543428. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31543428/. Acesso em: 19 set. 2026.
Avaliação de sinusite crônica com pólipos em Brasília
Se a obstrução nasal, a secreção ou a perda de olfato persistem apesar do tratamento, uma consulta com otorrino em Brasília permite confirmar o tipo de rinossinusite, revisar o tratamento já realizado e verificar se existe indicação para avaliar um imunobiológico.
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