Criança pode ter sinusite? Entenda os seios da face por idade

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

Sim, criança pode ter sinusite — mesmo pequena

Sim. Mesmo crianças pequenas podem ter sinusite, porque alguns seios da face já existem ao nascimento e começam a receber ar nos primeiros meses de vida. Eles ainda são menores do que no adulto, mas não precisam estar completamente desenvolvidos para inflamar.

A confusão acontece porque os quatro grupos de seios paranasais não crescem ao mesmo tempo. Os seios maxilares e as células etmoidais aparecem muito cedo; os seios frontais e esfenoidais se tornam mais evidentes depois. Por isso, dizer que uma criança não pode ter sinusite apenas por causa da idade não corresponde ao desenvolvimento real dessas cavidades.

Pai toca a testa de menina resfriada enquanto médica conversa com a família

O fato de a criança poder ter sinusite não significa que todo resfriado seja sinusite. A idade mostra quais cavidades já estão presentes, mas o diagnóstico depende dos sintomas e da evolução do quadro.

Quais são os seios da face?

Existem quatro pares de seios paranasais, um de cada lado: maxilares, frontais, células etmoidais e esfenoidais. Eles ficam ao redor da cavidade nasal e continuam mudando de tamanho e formato durante a infância e a adolescência.

O desenvolvimento começa ainda na gestação. Depois do nascimento, ocorre a pneumatização: as cavidades passam a conter ar e crescem junto com os ossos da face. Esse processo é gradual e varia entre os diferentes seios.

Seios maxilares: presentes ao nascer

Os seios maxilares ficam nas maçãs do rosto, ao lado do nariz. Seu desenvolvimento começa por volta do terceiro mês de gestação, e a criança já nasce com essas cavidades, embora elas ainda sejam muito pequenas.

A entrada de ar e o crescimento tornam-se mais perceptíveis entre o primeiro e o sexto mês de vida. Ao longo da infância, os seios maxilares continuam aumentando: são pequenos no recém-nascido, maiores com um, quatro, sete e doze anos e só se aproximam do tamanho adulto entre a adolescência e o início da vida adulta.

É justamente por já existirem e se aerarem cedo que uma criança de poucos meses ou de um ano pode apresentar inflamação nessa região. O quadro é menos comum nessa faixa etária, mas é anatomicamente possível.

Células etmoidais: formadas desde o nascimento

As células etmoidais ficam entre a cavidade nasal e os olhos. Entre os seios paranasais, são as estruturas que já estão mais formadas ao nascimento. Imagens de tomografia conseguem mostrar células etmoidais até em recém-nascidos com poucos dias de vida.

O conjunto continua crescendo durante a infância, com novas células se aerando e aumentando até se aproximar das proporções adultas por volta dos oito a doze anos. Portanto, a região etmoidal também ajuda a explicar por que sinusite não é uma doença exclusiva de crianças maiores ou adultos.

Seios frontais: começam a se aerar depois

Os seios frontais ficam atrás da testa. Embora seu desenvolvimento também comece durante a gestação, a pneumatização costuma iniciar entre um e três anos. Em uma criança de três anos, ainda pode haver apenas o começo dessa cavidade.

O crescimento prossegue por muitos anos e pode chegar ao tamanho adulto somente perto dos 25 anos. Assim, uma criança pequena pode ter seios frontais ainda discretos e, ao mesmo tempo, já possuir seios maxilares e células etmoidais capazes de inflamar. A ausência de um frontal grande não elimina a possibilidade de sinusite em outras regiões.

Seios esfenoidais: crescimento a partir dos primeiros anos

Os seios esfenoidais ficam mais profundamente, no fundo do nariz. O início de sua formação ocorre ainda na gestação, mas a aeração e o crescimento ficam mais evidentes por volta dos três aos cinco anos.

Essas cavidades aumentam progressivamente aos cinco, sete e doze anos e costumam alcançar grande parte do tamanho adulto por volta dos 14 anos. Como nos demais seios, existe variação individual; a idade indica uma fase esperada do desenvolvimento, não uma medida idêntica para todas as crianças.

O que muda conforme a idade?

  • Ao nascer: os seios maxilares já existem em tamanho reduzido, e as células etmoidais já estão formadas.
  • Nos primeiros meses: os maxilares começam a se aerar e a crescer.
  • Entre um e três anos: inicia-se a pneumatização dos seios frontais.
  • Entre três e cinco anos: os seios esfenoidais passam a se aerar de forma mais evidente.
  • Na infância e adolescência: todos continuam crescendo, cada grupo em seu próprio ritmo.

Essa linha do tempo explica o ponto central: uma criança não precisa ter todos os seios com tamanho adulto para poder ter sinusite. A localização e a apresentação podem variar com a idade, mas a possibilidade existe desde cedo.

Para reconhecer o quadro pelos sintomas, consulte a orientação sobre como saber se é sinusite. Quando a dúvida é distinguir a evolução viral da forma bacteriana, veja a página sobre sinusite aguda em crianças e adultos.

Vídeo: como os seios da face se desenvolvem na criança

O vídeo abaixo mostra, com imagens anatômicas e exames, quando cada grupo de seios paranasais começa a se formar, a se aerar e a crescer.

Perguntas frequentes

Todo resfriado prolongado em criança é sinusite?

Não. A possibilidade anatômica de sinusite não transforma todo resfriado em infecção dos seios da face. Na infância, a suspeita de sinusite bacteriana considera a persistência de secreção nasal ou tosse sem melhora por mais de dez dias, uma piora depois de melhora inicial ou um início intenso com febre alta e secreção purulenta por dias consecutivos.

Dor de cabeça é obrigatória na sinusite infantil?

Não. A dor de cabeça não é uma queixa comum em todas as crianças com sinusite, especialmente nas menores. Obstrução nasal, secreção persistente e tosse podem ser mais marcantes, e a combinação dos sinais precisa ser avaliada no contexto da idade e da evolução.

É preciso fazer raio X para confirmar sinusite na criança?

Em quadros agudos sem sinais de complicação, exames de imagem não são usados para separar um resfriado viral de uma sinusite bacteriana. O diagnóstico é principalmente clínico. A tomografia fica reservada para situações específicas, como suspeita de complicação nos olhos ou no sistema nervoso central.

Referências

  1. VILELA, Larissa. Criança pode ter sinusite? YouTube, 13 out. 2023. 1 vídeo (9 min 13 s). Disponível em: https://youtu.be/4bVifshjI8I. Acesso em: 19 set. 2026.
  2. LEE, Siwoo; FERNANDEZ, Justin; MIRJALILI, S. Ali; KIRKPATRICK, Joshua. Pediatric paranasal sinuses—development, growth, pathology, & functional endoscopic sinus surgery. Clinical Anatomy, v. 35, n. 6, p. 745-761, 2022. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9544638/. Acesso em: 19 set. 2026.
  3. GOLDMAN-YASSEN, Adam E.; MEDA, Karthik; KADOM, Nadja. Paranasal sinus development and implications for imaging. Pediatric Radiology, v. 51, n. 7, p. 1134-1148, 2021. PMID: 33978790. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33978790/. Acesso em: 19 set. 2026.
  4. WALD, Ellen R. et al. Clinical practice guideline for the diagnosis and management of acute bacterial sinusitis in children aged 1 to 18 years. Pediatrics, v. 132, n. 1, p. e262-e280, 2013. PMID: 23796742. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23796742/. Acesso em: 19 set. 2026.
  5. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Sinusite nas crianças. Pediatria para Famílias, 2023. Disponível em: https://www.sbp.com.br/pediatria-para-familias/doencas/sinusite-nas-criancas/. Acesso em: 19 set. 2026.

Avaliação de sinusite infantil em Brasília

Quando a criança apresenta sintomas nasais persistentes, tosse, febre, piora depois de uma melhora inicial ou episódios que se repetem, uma consulta com otorrino em Brasília permite avaliar o quadro e definir se há sinusite ou outra causa. A Clínica OtoCare atende adultos e crianças no Setor Noroeste.

Também estão disponíveis orientações sobre lavagem nasal em crianças e sobre sinusite de repetição.

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