Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
O que o THI mede no zumbido
O THI não mede o volume do zumbido: mede o quanto ele atrapalha a vida. Duas pessoas podem ouvir um chiado parecido e ter experiências completamente diferentes. Para uma, o som some quando a televisão está ligada. Para outra, ele tira o sono, a concentração e a vontade de sair de casa. É essa diferença que o questionário coloca em número.
THI é a sigla de Tinnitus Handicap Inventory, algo como inventário do prejuízo causado pelo zumbido. São 25 perguntas simples, respondidas com sim, às vezes ou não, que resultam em uma pontuação de 0 a 100. Quanto maior o número, maior o impacto do zumbido no dia a dia.

Para saber a sua pontuação agora, responda o questionário THI online da OtoCare: ele usa as perguntas da versão validada no Brasil e mostra o grau e as subescalas na hora, sem cadastro.
Por que medir o incômodo, e não só o som
O zumbido é uma sensação que só a própria pessoa escuta. Não existe exame que mostre, em uma tela, o quanto ele incomoda. A audiometria mostra se há perda auditiva, e a acufenometria estima a frequência e a intensidade do som. Nenhuma das duas responde à pergunta que mais importa para quem convive com o sintoma: quanto do dia a dia o zumbido está tomando?
E a intensidade medida no exame costuma ser surpreendentemente baixa, poucos decibéis acima do limiar de audição, mesmo em quem sofre muito. O incômodo depende menos do volume e mais de como o cérebro reage ao som: com alerta, ansiedade, atenção constante. É por isso que o tratamento do zumbido trabalha tanto com essa reação, e é por isso que ela precisa ser medida.
De onde vem o questionário
O THI foi criado em 1996 por Newman, Jacobson e Spitzer, nos Estados Unidos, e se tornou um dos questionários mais usados no mundo para avaliar o zumbido, tanto na consulta quanto em pesquisas sobre tratamentos.
No Brasil, a versão em português foi traduzida, adaptada à nossa cultura e testada no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, em 180 pacientes com zumbido, e publicada em 2006 na Revista Brasileira de Otorrinolaringologia. Dois resultados mostram que ela é confiável:
- Reprodutibilidade: o alfa de Cronbach foi de 0,929. Em termos simples, as 25 perguntas medem a mesma coisa de forma coerente entre si.
- Validade: a pontuação teve correlação de 0,68 com a escala de depressão de Beck. Quanto mais o zumbido incomoda, mais ele pesa também no humor, e o questionário capta isso.
Um detalhe para quem lê o artigo original: a introdução menciona 27 perguntas, mas o questionário publicado, e o que é usado na prática, tem 25 perguntas. A pontuação máxima de 100 só fecha com 25 itens de 4 pontos.
As três dimensões do zumbido no THI
As perguntas não estão ali por acaso. Cada uma pertence a uma de três subescalas, e olhar para elas separadamente ajuda a entender onde o zumbido pesa mais:
| Subescala | Perguntas | O que avalia |
|---|---|---|
| Funcional | 11 perguntas, até 44 pontos | Limitações no dia a dia: concentração, leitura, sono, trabalho, vida social e dificuldade de ouvir os outros. |
| Emocional | 9 perguntas, até 36 pontos | Reações como irritação, frustração, ansiedade, tristeza e insegurança. |
| Catastrófica | 5 perguntas, até 20 pontos | Desespero, sensação de não ter controle, de não aguentar mais e medo de ter uma doença grave. |
Uma pontuação alta na parte funcional pede atenção ao sono, à audição e às estratégias para desviar a atenção do som. Já uma pontuação alta na parte emocional ou catastrófica mostra que o sofrimento está grande e que o cuidado precisa incluir essa dimensão, às vezes com apoio psicológico.
Como a pontuação vira grau
Cada sim vale 4 pontos, cada às vezes vale 2 e cada não vale 0. Somadas as 25 respostas, o total é classificado em cinco graus, propostos pela Associação Britânica de Otorrinolaringologia e usados em todo o mundo:
| Pontuação | Grau | Como o zumbido costuma ser vivido |
|---|---|---|
| 0 a 16 | 1 · Desprezível | Percebido só no silêncio, quase não interfere. |
| 18 a 36 | 2 · Leve | Facilmente mascarado pelo som ambiente e esquecido durante as atividades. |
| 38 a 56 | 3 · Moderado | Notado mesmo com barulho ao redor, mas as atividades seguem possíveis. |
| 58 a 76 | 4 · Severo | Presente quase o tempo todo, atrapalha o sono e as atividades. |
| 78 a 100 | 5 · Catastrófico | Presente o tempo todo, perturba o sono e dificulta quase tudo. |
Como cada resposta vale um número par, o total também é sempre par: por isso as faixas pulam de 16 para 18, de 36 para 38 e assim por diante.
Cuidado com calculadoras que usam outras faixas. Circulam na internet versões do THI que dividem o resultado em apenas três níveis, como leve abaixo de 20, moderado de 20 a 50 e crítico acima de 50. Essas faixas não correspondem aos graus validados e podem assustar sem motivo: uma pontuação de 52, que seria crítica nessa divisão, é um zumbido de grau moderado pela classificação usada na literatura médica.
Como responder para o resultado ser fiel
- Pense nas últimas semanas, não apenas no dia de hoje. O zumbido oscila, e um dia ruim isolado pode inflar a pontuação.
- Responda pela primeira impressão. Não há resposta certa ou errada, e pensar demais costuma levar ao meio-termo.
- Use o às vezes de verdade: ele serve para o que acontece em parte dos dias, e não para quando a pergunta parece difícil.
- Não deixe perguntas em branco. Todas entram na conta, e uma falta muda o total.
- Responda sozinho. A opinião de um familiar sobre o seu incômodo não é o seu incômodo.
Como usar o THI para acompanhar o tratamento
O maior valor do THI aparece na segunda vez em que ele é respondido. Com a pontuação do início em mãos, dá para saber, com números, se o tratamento está funcionando.
Mas nem toda diferença significa mudança real. Um estudo com pacientes em tratamento mostrou que uma queda de 7 pontos ou mais corresponde a uma melhora que o próprio paciente percebe. Diferenças menores costumam ser variação natural das respostas. Em geral, faz sentido repetir o questionário depois de algumas semanas a alguns meses de tratamento, e não a cada poucos dias.
A ferramenta online permite informar a pontuação anterior e mostra se a diferença passou desse limite. Guarde o resultado de cada aplicação e leve à consulta.
O que o questionário não detecta
O THI mede incômodo, não causa. Uma pontuação baixa não significa que o zumbido não precise ser investigado. Agende avaliação com otorrino na OtoCare o quanto antes, qualquer que seja o resultado, quando o zumbido:
- aparece em um ouvido só, especialmente se esse ouvido também escuta menos;
- pulsa junto com o coração, como uma batida;
- surge junto com perda súbita da audição, que é uma urgência, como explicado na orientação sobre gripe e surdez súbita;
- vem acompanhado de tontura ou de sensação de ouvido tampado.
Na outra ponta, uma pontuação muito alta, sobretudo com respostas sim às perguntas sobre desespero e não aguentar mais, merece atendimento prioritário: ao agendar na OtoCare, informe que o zumbido está insuportável, para que o horário seja priorizado.
O que fazer com o resultado
Todo zumbido novo ou persistente merece uma consulta com otorrino e uma audiometria, porque a perda auditiva é a causa mais comum. A partir do grau:
- Graus 1 e 2: além da investigação da causa, medidas simples costumam bastar. As dicas para aliviar o zumbido e o teste de restrição da cafeína são um bom começo.
- Grau 3: o incômodo já justifica tratamento direcionado, como terapia sonora e, quando há perda auditiva, o aparelho auditivo, que também ajuda no zumbido.
- Graus 4 e 5: o tratamento costuma combinar várias frentes ao mesmo tempo, incluindo cuidado com o sono, com a ansiedade e apoio psicológico, como a terapia cognitivo-comportamental.
Leve a pontuação e as respostas à consulta. Elas mostram, em poucos minutos, o que às vezes é difícil de explicar em palavras.
Perguntas frequentes
O THI serve para crianças?
Não. O questionário foi desenvolvido e validado em adultos, e várias perguntas falam de trabalho, leitura e responsabilidades. Em crianças com zumbido, a avaliação é feita na consulta, com perguntas adaptadas à idade.
Uma pontuação alta significa que o zumbido é grave ou perigoso?
Não necessariamente. A pontuação mede o quanto o zumbido incomoda, e não a gravidade da causa. Um zumbido de causa simples pode incomodar muito, e um sinal de alerta pode aparecer com pontuação baixa. Por isso o resultado complementa, mas não substitui, a consulta e os exames.
O zumbido pode sumir e a pontuação chegar a zero?
Pode. Mas o objetivo principal do tratamento costuma ser outro: fazer o zumbido deixar de incomodar, mesmo que ele continue presente. Uma queda de grau severo para leve já representa uma enorme mudança na qualidade de vida.
Referências
- SCHMIDT, L. P. et al. Adaptação para língua portuguesa do questionário Tinnitus Handicap Inventory: validade e reprodutibilidade. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, v. 72, n. 6, p. 808-810, 2006. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9442134/. Acesso em: 18 set. 2026.
- NEWMAN, C. W.; JACOBSON, G. P.; SPITZER, J. B. Development of the Tinnitus Handicap Inventory. Archives of Otolaryngology–Head & Neck Surgery, v. 122, n. 2, p. 143-148, 1996. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/8630207/. Acesso em: 18 set. 2026.
- McCOMBE, A. et al. Guidelines for the grading of tinnitus severity: the results of a working group commissioned by the British Association of Otolaryngologists, Head and Neck Surgeons, 1999. Clinical Otolaryngology and Allied Sciences, v. 26, n. 5, p. 388-393, 2001. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/11678946/. Acesso em: 18 set. 2026.
- ZEMAN, F. et al. Tinnitus Handicap Inventory for evaluating treatment effects: which changes are clinically relevant? Otolaryngology–Head and Neck Surgery, v. 145, n. 2, p. 282-287, 2011. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21493265/. Acesso em: 18 set. 2026.
Avaliação do zumbido em Brasília
O questionário mostra o tamanho do incômodo; a causa se descobre no exame. Na consulta com otorrino em Brasília, o ouvido é examinado e a audiometria e a acufenometria são realizadas na própria clínica.
Telefone e WhatsApp: (61) 99957-8479
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