Quando operar a adenoide? Indicações da cirurgia em crianças

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

A cirurgia é considerada em duas situações principais

A cirurgia de adenoide costuma entrar na avaliação por dois motivos: quando o tecido aumentado continua atrapalhando a respiração e o sono apesar do tratamento clínico ou quando otites, sinusites e secreção no ouvido se repetem e persistem mesmo com o cuidado adequado.

O laudo do exame participa da decisão, mas não deve ser lido sozinho. A indicação reúne o grau de obstrução, a forma como a criança respira, a qualidade do sono, a presença de pausas respiratórias, as infecções, a ventilação dos ouvidos, a audição e a resposta ao tratamento.

Dra. Larissa Vilela aponta a adenoide em modelo anatômico ao lado de imagem endoscópica do tecido aumentado

Uma adenoide grande não significa cirurgia automática, mas também não deve ficar sem acompanhamento. O tamanho, os sintomas e a evolução depois do tratamento precisam ser avaliados em conjunto.

Primeira indicação: obstrução que continua após o tratamento

A adenoide aumentada pode fechar a passagem de ar no fundo do nariz. A criança passa a respirar pela boca, ronca, dorme de forma agitada e pode apresentar pausas respiratórias durante a noite. Quando essa obstrução é importante e continua depois de uma tentativa adequada de tratamento clínico, a cirurgia passa a ser considerada.

Em geral, a resposta é acompanhada por cerca de três meses. Lavagem nasal e corticoide tópico nasal podem ser usados quando indicados para tentar reduzir a inflamação e o volume do tecido. Se a adenoide permanece grande e a respiração continua ruim, a chance de a adenoidectomia ser necessária aumenta.

A orientação sobre como tratar adenoide desenvolve a etapa clínica. Medicamentos não devem ser iniciados ou mantidos por conta própria: a escolha do produto, a técnica e o tempo de uso dependem da avaliação individual.

Adenoide 70% precisa operar?

Não é possível decidir somente pela porcentagem. Na videoendoscopia, o grau de obstrução pode ser descrito de 0% a 100%. Adenoides pequenas costumam ocupar até cerca de 30% da passagem; valores intermediários representam obstrução moderada; a partir de aproximadamente 70%, o tecido já é considerado grande e exige atenção mais próxima.

Quanto maior a obstrução, menor é o espaço de reserva. A criança pode parecer estar se virando no dia a dia e piorar muito durante uma gripe ou um resfriado, quando a mucosa incha e a passagem de ar fica ainda mais estreita. Por isso, uma adenoide a partir de 70% aumenta a probabilidade de cirurgia, principalmente quando continua grande depois do tratamento e existem sintomas relevantes.

A nasofibrolaringoscopia permite visualizar diretamente a região. A radiografia lateral do cavum também pode ser usada em algumas crianças. O resultado precisa ser interpretado junto com a história e o exame, e não como um número isolado.

A criança pode ter apneia sem roncar alto

Ronco frequente é um sinal importante, mas não está presente com a mesma intensidade em todas as crianças. Algumas apresentam uma obstrução mais silenciosa: os responsáveis não percebem um ronco forte, porém a passagem de ar está reduzida e o sono não é reparador.

Observe também sono agitado, esforço para respirar, boca aberta durante a noite, pausas, despertares, posições incomuns para dormir e cansaço ou alteração de comportamento durante o dia. A ausência de barulho intenso não exclui dificuldade respiratória.

Quando há suspeita, a avaliação precisa considerar apneia do sono e o impacto da obstrução sobre o descanso e o desenvolvimento da criança.

Segunda indicação: otites, sinusites e secreção no ouvido

A adenoide não precisa ser muito grande para participar de infecções recorrentes. O tecido fica no fundo do nariz e pode abrigar um biofilme bacteriano, uma camada de microrganismos que favorece novos episódios de sinusite e otite.

A região também fica próxima à abertura das tubas auditivas. Algumas crianças acumulam secreção atrás do tímpano, quadro chamado de otite média secretora, e podem apresentar redução da audição. Quando as infecções ou o líquido no ouvido continuam apesar do tratamento clínico e do acompanhamento, a retirada da adenoide pode ser indicada mesmo sem uma obstrução acima de 70%.

Quando há suspeita de prejuízo auditivo, a avaliação pode incluir impedanciometria para analisar a ventilação da orelha média e audiometria para medir a audição, conforme a idade e a necessidade clínica.

O que os medicamentos conseguem tratar antes da cirurgia?

Para o aumento da adenoide, o corticoide tópico nasal é a principal medicação avaliada junto com a lavagem nasal. O objetivo é reduzir a inflamação e observar se a passagem do ar, o ronco e o sono melhoram.

O montelucaste pode ter indicação em situações como alergia associada à asma, mas não deve ser encarado como um tratamento universal para reduzir a adenoide. O antialérgico pode ser associado quando existe uma crise alérgica ou rinite descompensada; nesse caso, ele trata o componente alérgico, não substitui a avaliação da obstrução adenoidiana.

Se o tratamento clínico foi feito de forma adequada e a criança continua com obstrução importante ou infecções de repetição, insistir indefinidamente em medicamentos pode apenas adiar a solução necessária.

Por que não basta esperar a adenoide diminuir com a idade?

A adenoide cresce durante a infância, costuma atingir seu maior volume por volta dos 6 ou 7 anos e depois inicia uma redução gradual. O rosto também cresce e aumenta o espaço da via respiratória. O problema é que esses processos acontecem devagar, ao longo de anos.

Esperar pode ser adequado quando os sintomas são leves e a criança respira e dorme bem. Não é uma boa estratégia manter por anos uma criança com obstrução importante, sono ruim e respiração pela boca apenas porque a adenoide poderá diminuir no futuro.

A má respiração persistente pode repercutir no sono, na atenção, no crescimento e no desenvolvimento do rosto. A respiração oral durante uma fase decisiva do crescimento pode contribuir para uma maxila pouco desenvolvida e alterações que ficam mais difíceis de corrigir depois.

Retirar a adenoide reduz a imunidade?

A adenoide faz parte do anel linfático de Waldeyer e participa da defesa local, mas é apenas uma parte de um sistema imunológico muito mais amplo. Nas crianças que realmente precisam da cirurgia, a retirada do tecido obstrutivo ou associado a infecções não provoca uma redução clinicamente relevante da imunidade.

O benefício esperado é restabelecer a passagem do ar e reduzir o ciclo de otites, sinusites e secreção nos ouvidos quando esses problemas estão ligados à adenoide.

E o medo da anestesia geral?

É compreensível que os responsáveis tenham receio da anestesia. A adenoidectomia é realizada sob anestesia geral, em ambiente hospitalar, com avaliação da criança e acompanhamento da equipe de anestesia durante todo o procedimento.

Nenhuma cirurgia é indicada sem pesar riscos e benefícios. Quando o tratamento clínico não resolveu e a obstrução, o sono ou as infecções continuam prejudicando a criança, o risco de manter o problema também precisa entrar na decisão.

Veja na página de cirurgia de adenoide em Brasília como o procedimento é realizado, como costuma ser a recuperação e quais cuidados fazem parte do pós-operatório.

Vídeo: quando fazer a cirurgia de adenoide

O vídeo abaixo apresenta as duas principais indicações da adenoidectomia, explica como interpretar o tamanho da adenoide, comenta a apneia silenciosa e responde às dúvidas sobre esperar o crescimento, imunidade e anestesia.

Perguntas frequentes

A cirurgia de adenoide pode ser feita antes dos 6 ou 7 anos?

Sim. Não existe uma idade mínima única que substitua a indicação clínica. A cirurgia pode ser realizada antes dessa faixa quando a obstrução, a apneia, as alterações dos ouvidos ou as infecções justificam o procedimento e a avaliação individual confirma que os benefícios superam os riscos.

Toda criança precisa de polissonografia antes de operar?

Não. A história, o exame físico e a avaliação da adenoide podem ser suficientes em muitos casos. A polissonografia é considerada quando é necessário documentar ou medir melhor a apneia, quando existem fatores de maior risco respiratório ou quando os sintomas e o exame não contam a mesma história.

Quem opera a adenoide precisa retirar as amígdalas também?

Não necessariamente. A adenoidectomia pode ser feita isoladamente. A retirada das amígdalas é avaliada separadamente, conforme o tamanho delas, a participação na obstrução do sono e o histórico de infecções. O plano cirúrgico deve corresponder ao conjunto de alterações de cada criança.

Referências

  1. VILELA, Larissa. Quando devo fazer a cirurgia de adenoide? YouTube, 13 maio 2026. 1 vídeo (12 min 31 s). Disponível em: https://youtu.be/2PJCpTykF-4. Acesso em: 17 set. 2026.
  2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Adenoide. Pediatria para Famílias, dez. 2023. Disponível em: https://www.sbp.com.br/pediatria-para-familias/cuidados-com-a-saude/adenoide/. Acesso em: 17 set. 2026.
  3. AHMAD, Z. et al. Adenoid hypertrophy—diagnosis and treatment: the new S2k guideline. HNO, v. 71, supl. 1, p. 67-72, 2023. DOI: 10.1007/s00106-023-01299-6. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10409824/. Acesso em: 17 set. 2026.
  4. AMERICAN ACADEMY OF OTOLARYNGOLOGY–HEAD AND NECK SURGERY FOUNDATION. Clinical Indicators: Adenoidectomy. Alexandria, 7 ago. 2014. Disponível em: https://www.entnet.org/resource/clinical-indicators-adenoidectomy/. Acesso em: 17 set. 2026.

Avaliação de adenoide em Brasília

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