Café piora o zumbido? Como testar se a cafeína afeta o seu caso

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

O café pode piorar o zumbido em algumas pessoas, não em todas

A cafeína pode piorar ou até desencadear o zumbido em pessoas sensíveis a ela, mas não tem efeito nenhum sobre o zumbido de muitas outras. A sensibilidade é individual. Por isso, em vez de proibir o café para todos, o caminho mais confiável é um teste de restrição de cafeína por duas semanas.

O zumbido é qualquer som percebido nos ouvidos ou na cabeça sem uma fonte externa que o explique. Ele pode lembrar um apito, um chiado, uma rádio fora de sintonia ou uma panela de pressão. O apito que aparece depois de uma festa com som alto é um exemplo passageiro; em algumas pessoas, o zumbido é contínuo.

Dra. Larissa Vilela explica se o café e a cafeína podem causar ou piorar o zumbido

O teste não substitui a investigação do zumbido. Zumbido em um ouvido só, pulsátil ou acompanhado de perda repentina de audição precisa de avaliação médica, com ou sem café. Não suspenda medicamentos que contenham cafeína sem falar com quem os prescreveu.

O que os estudos dizem sobre cafeína e zumbido?

A literatura continua dividida. Há estudos que associam a cafeína à piora do zumbido, estudos que não encontram relação nenhuma e até estudos em que reduzir o café coincidiu com piora. Em um grande acompanhamento de mulheres nos Estados Unidos, quem consumia mais cafeína teve menos casos novos de zumbido ao longo dos anos. Já em um ensaio controlado com pessoas que tinham zumbido, a retirada da cafeína não mudou a intensidade do sintoma na média do grupo, e os efeitos da abstinência aumentaram o incômodo em parte dos participantes.

Isso não significa que o café seja inofensivo para todos. A cafeína é um estimulante do sistema nervoso e também estimula as vias auditivas, o que explica por que algumas pessoas percebem o zumbido mais alto depois de exagerar. A média de um grupo pode esconder quem é sensível.

Por que é tão difícil comprovar essa relação?

Em um estudo, é muito difícil garantir que cada participante eliminou toda a cafeína da alimentação, já que ela aparece em alimentos e bebidas pouco lembrados. O zumbido também oscila por outros motivos, como sono, estresse e exposição a ruído. Com tantas variáveis, uma resposta única para todos dificilmente aparece.

Na prática clínica, três perfis se repetem:

  • quem é sensível à cafeína e percebe o zumbido piorar com o consumo;
  • quem não tem relação nenhuma e não nota mudança ao retirar a cafeína;
  • quem piora ao parar, geralmente depois de um consumo alto e regular.

Onde existe cafeína além do café?

Para o teste funcionar, é preciso retirar todas as fontes, não apenas o cafezinho:

  • café, inclusive expresso, solúvel e cápsulas;
  • refrigerantes do tipo cola e bebidas energéticas;
  • chocolate e alimentos com cacau;
  • chás escuros, como chá preto, chá verde e chá mate, e misturas prontas que os contêm, como muitos chás de hibisco vendidos para emagrecer;
  • suplementos alimentares, como pré-treinos e termogênicos;
  • alguns analgésicos para dor de cabeça, que associam cafeína na fórmula.

O hibisco puro não contém cafeína; o problema está nas misturas. Confira o rótulo de chás, suplementos e medicamentos.

Como fazer o teste de restrição de cafeína

  1. Retire todas as fontes de cafeína por duas semanas. Nada de café, chocolate, chás escuros, refrigerantes do tipo cola, energéticos ou suplementos com cafeína durante o período.
  2. Anote como está o zumbido. Registre no início e ao longo dos dias se ele melhorou, piorou ou continuou igual.
  3. Avalie o resultado no fim das duas semanas. Não tire conclusões nos primeiros dias.
  4. Leve as anotações para a consulta. O resultado orienta o que fazer com a cafeína daqui para frente.

Quem consome muita cafeína pode sentir dor de cabeça, sonolência e irritabilidade nos primeiros dias sem ela. Esses sintomas de abstinência costumam passar e podem deixar o zumbido mais incômodo nesse início. É justamente por isso que o teste dura duas semanas e é avaliado no final: um período curto confunde a abstinência com o efeito real sobre o zumbido.

O que fazer com o resultado do teste?

Se o zumbido melhorou muito ou desapareceu, existe relação com a cafeína. O ideal é retirá-la da rotina ou reduzir o máximo possível. Se quiser reintroduzir, faça isso aos poucos e observe: se o zumbido voltar a aumentar, é sinal de que o limite foi ultrapassado e o consumo deve diminuir de novo.

Se nada mudou, a cafeína provavelmente não interfere no seu zumbido. O consumo pode ser liberado, sempre com equilíbrio e sem excessos.

Se o zumbido piorou e continuou pior até o fim do período, converse com o médico antes de decidir. Nesses casos, retomar um consumo moderado pode ser a melhor opção.

A cafeína é apenas um dos hábitos que interferem no zumbido. Veja também as outras dicas para aliviar o zumbido no ouvido, como o cuidado com o açúcar, que muitas vezes acompanha o café e aparece também em quem sente tontura depois de comer doce.

Vídeo: café pode causar ou piorar o zumbido?

O vídeo abaixo explica o que é o zumbido, por que os estudos sobre cafeína divergem e como fazer o teste de duas semanas sem cafeína.

Perguntas frequentes

Café descafeinado pode ser usado durante o teste?

O descafeinado ainda contém uma pequena quantidade de cafeína. Para um resultado mais confiável, o ideal é evitá-lo durante as duas semanas e reintroduzi-lo depois, observando a resposta.

Quantas xícaras de café por dia posso tomar se tenho zumbido?

Não existe um número que sirva para todos. Quem não percebeu mudança no teste pode manter um consumo moderado. Quem melhorou sem cafeína deve evitar ou reduzir ao máximo e, se reintroduzir, encontrar o próprio limite aos poucos.

A cafeína pode causar zumbido em quem não tinha?

Em algumas pessoas sensíveis, o excesso de cafeína parece desencadear o zumbido. Na população em geral, porém, o consumo habitual não se mostrou um fator de risco. Zumbido novo e persistente deve ser investigado, sem atribuí-lo automaticamente ao café.

Referências

  1. VILELA, Larissa. Café (cafeína) pode causar ou piorar o zumbido? YouTube, 29 mar. 2025. 1 vídeo (8 min 16 s). Disponível em: https://youtu.be/ZObNipcQVhQ. Acesso em: 16 set. 2026.
  2. GLICKSMAN, Jordan T.; CURHAN, Sharon G.; CURHAN, Gary C. A prospective study of caffeine intake and risk of incident tinnitus. The American Journal of Medicine, v. 127, n. 8, p. 739-743, 2014. DOI: 10.1016/j.amjmed.2014.02.033. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24608016/. Acesso em: 16 set. 2026.
  3. ST CLAIRE, Leslie et al. Caffeine abstinence: an ineffective and potentially distressing tinnitus therapy. International Journal of Audiology, v. 49, n. 1, p. 24-29, 2010. DOI: 10.3109/14992020903160884. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20053154/. Acesso em: 16 set. 2026.

Avaliação do zumbido em Brasília

Se o zumbido persiste, com ou sem relação com o café, uma consulta com otorrino em Brasília permite investigar a causa e acompanhar o teste de restrição de cafeína.

A investigação pode incluir a audiometria e a acufenometria, que registra as características do zumbido e permite comparar a evolução. Conheça os exames otorrinolaringológicos e audiológicos realizados na OtoCare.

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