Manobra de Epley em casa: por que não fazer sozinho

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

Não faça a manobra de Epley sozinho sem confirmar o diagnóstico

A resposta é não. Um passo a passo encontrado na internet não confirma se a tontura é realmente VPPB, qual ouvido está envolvido nem em qual canal semicircular os cristais estão. Sem essas respostas, a manobra pode ser inadequada e até deixar a vertigem mais intensa.

A manobra de Epley é um tratamento eficaz quando existe VPPB no canal para o qual ela foi indicada. O problema não está na manobra em si, mas em tentar escolher e executar o reposicionamento sem o diagnóstico posicional, sem observar o movimento dos olhos e sem saber tratar uma possível complicação.

Dra. Larissa Vilela com as mãos junto à cabeça e paciente recebe manobra de reposicionamento para VPPB

Não use um tutorial para testar manobras diferentes por conta própria. Se uma tentativa piorou a tontura ou dificultou caminhar, não continue repetindo os movimentos: procure avaliação para identificar o canal afetado e corrigir o reposicionamento.

Por que o passo a passo da internet não basta?

A vertigem posicional paroxística benigna, ou VPPB, acontece quando partículas microscópicas do labirinto, conhecidas popularmente como cristais, saem de sua posição habitual e entram em um canal semicircular. Ao movimentar a cabeça, essas partículas deslocam o líquido do canal e provocam a falsa sensação de que o ambiente está girando.

Existem três canais semicirculares em cada labirinto. Isso significa seis localizações possíveis, além de variantes relacionadas à posição das partículas dentro do canal. A direção do movimento, o lado afetado e o padrão do nistagmo mudam a escolha do tratamento. Uma sequência descrita corretamente para uma situação pode estar errada para outra.

A manobra de Epley serve para todo tipo de VPPB?

Não. A manobra de Epley é usada principalmente para reposicionar partículas no canal semicircular posterior. Quando os cristais estão no canal lateral ou no canal anterior, outras manobras podem ser necessárias.

Por isso, reconhecer apenas os sintomas não é suficiente. Tontura ao virar na cama ou ao olhar para cima pode sugerir VPPB, mas a confirmação depende de testes posicionais e da observação do nistagmo. Conheça também como os cristais do labirinto fora do lugar causam VPPB.

Como o profissional identifica o canal e o lado afetados?

Durante a avaliação, a cabeça e o corpo são colocados em posições específicas enquanto o profissional observa a tontura provocada e os movimentos involuntários dos olhos. A direção, a duração e o momento em que o nistagmo aparece ajudam a localizar o canal e o lado envolvidos.

Essa etapa também permite diferenciar a VPPB de outras causas de vertigem. Depois do diagnóstico, é escolhida a manobra adequada e o paciente pode ser reavaliado logo após o reposicionamento para confirmar se o padrão mudou ou desapareceu.

O que é a migração dos cristais para outro canal?

Durante uma manobra de reposicionamento, as partículas podem sair do canal original sem retornar ao compartimento correto e entrar em outro canal semicircular. Essa mudança é chamada de conversão ou switch de canal.

Quando isso acontece, a tontura pode mudar de padrão e ficar muito mais intensa. A manobra inicialmente escolhida deixa de corresponder à nova localização. É necessário reconhecer a conversão e aplicar outro reposicionamento, específico para o canal que passou a conter as partículas.

Um caso em que a manobra feita em casa piorou a tontura

No caso apresentado no vídeo, a avaliação inicial feita em casa indicou VPPB do canal posterior esquerdo. Foi realizada a manobra de Epley para esse canal, mas, no final da sequência, surgiu uma vertigem muito mais forte.

Um novo teste mostrou que os cristais provavelmente haviam migrado para o canal lateral. A melhora só ocorreu depois de uma manobra completamente diferente, direcionada ao novo canal. O mesmo padrão já foi observado em pacientes que chegaram ao consultório com grande dificuldade para caminhar depois de tentarem se reposicionar sozinhos.

O que fazer se a manobra piorou a tontura?

Interrompa as tentativas e procure avaliação médica, de preferência com profissional experiente em testes posicionais e manobras de reposicionamento. Repetir a mesma sequência sem saber o que mudou pode prolongar ou agravar o quadro.

Informe qual movimento foi feito, para que lado a cabeça foi girada e em que momento a vertigem ficou mais forte. Se houver dificuldade para andar, peça ajuda para se deslocar e evite dirigir. Veja também o que fazer durante uma crise de tontura.

Por que a manobra no consultório é mais segura?

No consultório, o tratamento começa pelo diagnóstico. O profissional consegue escolher a manobra correspondente ao canal e ao lado afetados, observar a resposta em cada posição e reconhecer se houve migração das partículas.

Também é possível avaliar limitações de mobilidade, equilíbrio e segurança para quedas antes de iniciar o reposicionamento. Saiba como funciona a manobra para VPPB em Brasília no Noroeste.

Vídeo: posso fazer a manobra de Epley em casa?

O vídeo abaixo explica por que a localização dos cristais muda a escolha da manobra e relata um caso real de conversão do canal posterior para o lateral após uma tentativa de reposicionamento feita em casa.

Perguntas frequentes

A conversão para outro canal é comum?

Não. A conversão de canal é uma complicação possível, mas pouco frequente. Mesmo sendo rara, ela exige reconhecimento porque o padrão da tontura muda e o tratamento passa a depender de outra manobra.

A VPPB pode voltar depois de uma manobra bem-sucedida?

Sim. A VPPB pode reaparecer, inclusive no mesmo ouvido ou em outro canal. Uma nova crise deve ser reavaliada, porque não é possível presumir que a localização seja idêntica à anterior.

Tontura persistente depois da manobra significa que ela falhou?

Não necessariamente. Pode haver VPPB ainda não resolvida, conversão de canal ou outra condição vestibular ou neurológica. Sintomas persistentes precisam de nova avaliação em vez de sucessivas tentativas sem diagnóstico.

Referências

  1. VILELA, Larissa. Como fazer a manobra para VPPB (Epley) em casa? YouTube, 12 mar. 2025. 1 vídeo (8 min 8 s). Disponível em: https://youtu.be/WyBKIcR6rYc. Acesso em: 16 set. 2026.
  2. BHATTACHARYYA, Neil et al. Clinical Practice Guideline: Benign Paroxysmal Positional Vertigo (Update). Otolaryngology–Head and Neck Surgery, v. 156, n. 3_suppl, p. S1-S47, 2017. DOI: 10.1177/0194599816689667. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28248609/. Acesso em: 16 set. 2026.
  3. SCOTTO DI SANTILLO, Leonardo; CALIFANO, Luigi. Canal switch: a possible complication of physical therapeutic manoeuvers for posterior canal benign paroxysmal positional vertigo. Acta Otorhinolaryngologica Italica, v. 43, n. 1, p. 49-55, 2023. DOI: 10.14639/0392-100X-N2016. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36860150/. Acesso em: 16 set. 2026.

Avaliação e manobra para VPPB em Brasília

Se a tontura aparece ao deitar, virar na cama, olhar para cima ou abaixar a cabeça, uma consulta com otorrino em Brasília permite confirmar se existe VPPB, identificar o canal afetado e realizar a manobra adequada com acompanhamento.

Se os sintomas permanecem há muito tempo, veja por que a tontura de anos pode ser VPPB. Evite depender apenas de medicação: entenda também por que o remédio para tontura pode não tratar a causa.

Conheça os exames otorrinolaringológicos e vestibulares realizados na OtoCare, incluindo o vHIT em Brasília quando houver indicação.

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