Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
Labirintite é uma inflamação rara e grave da orelha interna
Labirintite é a inflamação do labirinto, uma região da orelha interna que participa do equilíbrio e da audição. O quadro costuma causar vertigem rotatória muito intensa, náuseas, vômitos e, em muitos casos, perda auditiva. Os sintomas podem ser tão incapacitantes que a pessoa precisa de internação para controle e acompanhamento.
O nome ficou popular porque lembra o labirinto e a tontura, mas não deve ser usado para qualquer sensação de desequilíbrio. Existem muitas causas de tontura, e a labirintite verdadeira é uma das menos comuns. A orientação Toda tontura é labirintite? explica por que esse sintoma pode ter outras origens.

Tontura intensa não deve ser autodiagnosticada como labirintite. A diferença entre as causas pode ser pequena para quem sente os sintomas, mas muda completamente a conduta. Vertigem forte, vômitos e alteração da audição precisam de avaliação médica para definir o diagnóstico.
Quais são os sintomas da labirintite?
Na labirintite, a inflamação compromete uma estrutura central para o equilíbrio do corpo. Por isso, o quadro costuma ser súbito e intenso, com sintomas que podem incluir:
- vertigem rotatória intensa, com a sensação de que o ambiente está girando;
- náuseas e vômitos associados à vertigem;
- dificuldade importante para manter o equilíbrio e realizar atividades habituais;
- perda de audição no ouvido afetado, que pode permanecer como sequela;
- mal-estar intenso, às vezes com necessidade de medicação pela veia e internação.
Esse padrão é diferente de episódios leves ou breves de tontura que se repetem por meses. Embora a descrição dos sintomas ajude, ela não substitui o exame médico, porque outras doenças vestibulares e neurológicas também podem causar vertigem.
O que pode causar labirintite?
A inflamação do labirinto pode ter origem infecciosa ou inflamatória. Vírus e bactérias estão entre as causas possíveis. Em situações raras, uma infecção respiratória pode evoluir para uma infecção de ouvido e alcançar a orelha interna.
Outra possibilidade é a inflamação surgir após cirurgia ou procedimento no ouvido. A proximidade anatômica entre as estruturas faz com que uma reação inflamatória importante possa se estender até o labirinto. Esses cenários são incomuns, mas ajudam a entender por que a labirintite verdadeira é mais grave do que o uso cotidiano da palavra sugere.
Como diferenciar labirintite de outras causas de tontura?
Não é seguro diferenciar apenas pela sensação descrita. A vertigem rotatória pode aparecer em diversas doenças, e a separação entre elas muitas vezes depende de detalhes do início, da duração, dos gatilhos, da audição e do exame dos movimentos dos olhos e da cabeça.
Na labirintite, a combinação de sintomas muito intensos com alteração do equilíbrio e possível perda auditiva aumenta a suspeita. Mesmo assim, somente a avaliação médica permite confirmar se o labirinto está comprometido ou se a tontura vem de outra causa.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico pode ser clínico. O médico reúne a história dos sintomas e realiza testes específicos no exame físico para identificar redução da função do labirinto. A avaliação da audição também é importante quando existe perda auditiva associada.
Quando necessário, o exame físico pode ser complementado por testes vestibulares. O vHIT avalia a resposta dos olhos a movimentos rápidos da cabeça e ajuda a examinar os canais semicirculares. A vectoeletronistagmografia, também chamada VENG, utiliza estímulos para medir as respostas do sistema vestibular. A indicação depende do quadro, e outros testes podem ser escolhidos durante a investigação. Conheça o setor de exames da OtoCare.
Como é o tratamento e quanto tempo dura?
O tratamento depende da intensidade dos sintomas e da causa. Em quadros graves, pode ser necessário internar para hidratação, medicação pela veia e controle de náuseas e vômitos. Supressores vestibulares podem ser prescritos para reduzir temporariamente a função do labirinto e aliviar a vertigem. Corticoides também podem fazer parte da conduta, e antibióticos são reservados para a origem bacteriana.
A betaistina não substitui esse tratamento da labirintite verdadeira. Ela pode ser considerada em outros diagnósticos, como a doença de Ménière e situações selecionadas de hipofunção vestibular, sempre após avaliação individual.
A recuperação não costuma ser imediata. Os sintomas mais intensos podem durar vários dias e melhorar gradualmente ao longo da semana. Algumas pessoas mantêm déficit do labirinto ou perda auditiva depois da fase aguda, o que exige acompanhamento individualizado.
Vídeo: labirintite, sintomas, diagnóstico e tratamento
O vídeo abaixo apresenta a anatomia do labirinto e explica por que a labirintite é rara, quais sintomas formam o quadro, como o diagnóstico pode ser feito e quais tratamentos são usados conforme a causa:
Perguntas frequentes
Labirintite e neurite vestibular são a mesma doença?
Não. As duas podem causar vertigem intensa, náuseas e desequilíbrio, mas atingem estruturas diferentes. A neurite vestibular compromete o nervo responsável pelo equilíbrio e não provoca perda auditiva; a labirintite envolve o labirinto da orelha interna e pode afetar também a audição.
É seguro dirigir durante uma crise de labirintite?
Não. Enquanto houver vertigem, desequilíbrio ou dificuldade para manter o olhar estável, não dirija, não pedale e não opere máquinas. Esses sintomas reduzem a segurança e aumentam o risco de acidentes. Retome essas atividades somente depois da melhora e conforme a orientação recebida no seu atendimento.
Quando a reabilitação vestibular pode ser necessária?
A reabilitação vestibular pode ser indicada depois da fase aguda quando permanecem tontura, instabilidade ou dificuldade para recuperar o equilíbrio. O programa deve ser individualizado e acompanhado por profissional capacitado, porque os exercícios dependem do déficit identificado.
Referências
- VILELA, Larissa. Labirintite: o que é, causas, sintomas, diagnóstico e tratamento. Brasília: Clínica OtoCare, 2024. Disponível em: <https://youtu.be/Fbzjudia_88>. Acesso em: 16 set. 2026.
- BARKWILL, David; WINTERS, Ryan; ARORA, Rubeena. Labyrinthitis. StatPearls. Treasure Island: StatPearls Publishing, 2026. Atualizado em 23 jul. 2025. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK560506/>. Acesso em: 16 set. 2026.
- NATIONAL HEALTH SERVICE. Labyrinthitis and vestibular neuritis. [S. l.]: NHS, [s. d.]. Disponível em: <https://www.nhs.uk/conditions/labyrinthitis/>. Acesso em: 16 set. 2026.
Avaliação de tontura e labirinto em Brasília
Se você apresenta vertigem, desequilíbrio, náuseas ou alteração da audição, uma avaliação com otorrinolaringologista ajuda a identificar a causa e a definir o tratamento adequado. A Clínica OtoCare atende adultos e crianças no Setor Noroeste, em Brasília.
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