Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
Comece pela segurança e reduza os gatilhos da crise
Se o ambiente parece girar, há náusea ou instabilidade para caminhar, sente-se ou deite em um local seguro e faça os movimentos devagar. A prioridade é evitar uma queda enquanto o sistema de equilíbrio está desorganizado.
Durante a crise, retire a cafeína, reduza doces, açúcar, carboidratos simples e excesso de sal, beba água, diminua o tempo diante de telas e reserve tempo para dormir e descansar. Essas medidas podem reduzir estímulos que pioram o mal-estar, mas não identificam nem tratam sozinhas a causa da tontura.

Evite movimentos bruscos, mas não mantenha o corpo completamente imóvel. Movimente-se de forma lenta, controlada e perto de um apoio, especialmente nos primeiros dias, para reduzir o risco de queda sem aumentar a tensão e a insegurança.
O que é uma crise de tontura?
A crise pode causar sensação de que o mundo está rodando, náusea, vômito, desequilíbrio e dificuldade para caminhar com segurança. Algumas pessoas usam a palavra vertigem para descrever a rotação; outras sentem instabilidade ou a impressão de que o corpo não está firme.
A tontura pode ter origem no labirinto e em outras partes do sistema vestibular, mas também pode estar relacionada a causas neurológicas, metabólicas, hormonais, circulatórias ou emocionais. Por isso, a intensidade da sensação não permite concluir qual é a causa.
1. Pare, sente-se ou deite para evitar quedas
Não tente continuar andando rapidamente quando a instabilidade está intensa. Sente-se ou deite, espere o corpo se estabilizar e, ao precisar levantar, faça a mudança de posição em etapas.
Fique perto de uma parede, corrimão, móvel firme ou de outra pessoa que possa oferecer apoio. Esse cuidado é especialmente importante para idosos, porque a queda pode causar uma complicação mais grave do que a própria crise.
2. Suspenda a cafeína durante a crise
Café não é a única fonte de cafeína. Durante a crise, evite também chá preto, chá verde, chá-mate, refrigerantes à base de cola, energéticos e suplementos que contenham cafeína.
Chocolate, inclusive o amargo e o cacau puro, também contém cafeína. Mesmo produtos vistos como saudáveis podem aumentar o estímulo sobre um sistema vestibular que já está funcionando de forma inadequada naquele momento.
3. Reduza açúcar e carboidratos simples
Picos de glicose e de insulina podem interferir no funcionamento do labirinto. Enquanto os sintomas estão ativos, reduza doces, bolos, massas, pães brancos e porções excessivas de outros carboidratos simples.
Não é necessário retirar todos os carboidratos da alimentação. Prefira fontes integrais e refeições equilibradas, que fornecem energia sem concentrar tanto açúcar de absorção rápida. Entenda também como alterações metabólicas ou hormonais podem participar da tontura.
4. Evite excesso de sal e mantenha a hidratação
Use a quantidade habitual de sal, sem excessos. Em algumas doenças do labirinto, a retenção de líquido associada ao consumo elevado pode funcionar como gatilho ou agravar os sintomas.
Beba água ao longo do dia. O equilíbrio de líquidos do organismo participa do funcionamento da orelha interna, e a desidratação pode acrescentar outro fator de instabilidade durante a crise.
5. Diminua o tempo de celular, computador e televisão
Telas oferecem estímulo visual intenso e podem piorar a tontura em algumas condições vestibulares. Na medida do possível, reduza o uso de celular, computador, tablet e televisão enquanto os sintomas estão mais fortes.
O objetivo é diminuir temporariamente o excesso de informação visual. Não é necessário transformar esse cuidado em uma restrição permanente: a duração depende da intensidade da crise e de como os sintomas respondem.
6. Durma e respeite o período de descanso
Uma crise intensa exige energia do organismo. Priorize o sono, evite uma rotina acelerada e permita períodos de repouso, principalmente quando há náusea, vômito ou grande instabilidade.
Alguns medicamentos usados em crises podem causar sonolência, mas isso não significa que qualquer remédio seja apropriado para qualquer tontura. Antes de manter uma medicação por conta própria, veja por que o uso contínuo de remédio para tontura pode piorar o desequilíbrio.
7. Faça movimentos lentos, sem ficar paralisado
Evite levantar de repente, sair andando depressa ou girar a cabeça com um movimento brusco. Quando precisar se mover, faça isso lentamente e de forma controlada, sempre com possibilidade de apoio.
Ficar rígido e impedir qualquer movimento também não ajuda. A imobilidade por medo pode aumentar a tensão muscular no pescoço e prolongar a insegurança. Nos primeiros três a cinco dias de uma crise mais agressiva — e, para algumas pessoas, ao longo da primeira semana — avance devagar, sem forçar e sem se expor a quedas.
Crise de tontura é sempre labirintite?
Não. Labirintite é um diagnóstico específico, enquanto tontura, vertigem e desequilíbrio são sintomas que podem aparecer em doenças diferentes. O gatilho, a duração, os sintomas associados e o exame clínico ajudam a separar as possibilidades.
Crises provocadas por movimentos determinados da cabeça podem levantar suspeita de vertigem posicional paroxística benigna (VPPB). Tontura ao ficar em pé pode exigir investigação de tontura ortostática, e sintomas ligados a períodos de estresse podem precisar ser diferenciados de tontura por ansiedade.
Vídeo: o que fazer durante uma crise de tontura
O vídeo abaixo reúne as orientações gerais para os primeiros dias da crise: o que retirar da alimentação, como usar o repouso, por que reduzir telas e como se movimentar com segurança sem permanecer completamente imóvel.
Perguntas frequentes
Posso dirigir durante uma crise de tontura?
Não. Tontura, vertigem e desequilíbrio reduzem a segurança para dirigir e aumentam o risco de acidentes. Espere os sintomas passarem e procure outra forma de deslocamento se precisar de atendimento.
Melhorar com repouso confirma que era labirintite?
Não. Repouso e redução de estímulos podem aliviar o desconforto de crises com causas diferentes. A melhora não identifica sozinha a origem da tontura; episódios recorrentes, intensos ou sem causa definida precisam ser avaliados.
Qual exame descobre a causa da tontura?
Não existe um único exame que responda a todos os casos. A investigação começa pela descrição da crise e pelo exame clínico. Conforme a suspeita, podem ser indicados testes auditivos, vestibulares ou de outras áreas. Conheça o vHIT em Brasília e os demais exames realizados na OtoCare.
Referências
- VILELA, Larissa. Crise de tontura: o que fazer? YouTube, 10 jan. 2026. 1 vídeo (10 min 47 s). Disponível em: https://youtu.be/4pn6rre6BbY. Acesso em: 10 set. 2026.
- REDE D’OR SÃO LUIZ. Labirintite: o que é, sintomas, tratamentos e causas. Disponível em: https://www.rededorsaoluiz.com.br/doencas/labirintite. Acesso em: 10 set. 2026.
- ZWERELO, K. et al. Curriculum for Vestibular Medicine (VestMed) proposed by the Bárány Society. Journal of Vestibular Research, v. 31, n. 6, p. 457–474, 2021. DOI: 10.3233/VES-210095. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34864706/. Acesso em: 10 set. 2026.
Avaliação de tontura em Brasília
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