Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
Alterações metabólicas ou hormonais podem causar tontura?
Podem. As alterações do metabolismo e dos hormônios estão entre as causas mais prevalentes de tontura entre os pacientes do otorrino. Variações do açúcar no sangue, problemas da tireoide, colesterol alto e mudanças em qualquer outro hormônio podem mexer com o labirinto e provocar a tontura metabólica ou hormonal.
Essa causa costuma passar despercebida. Quando a investigação se limita aos exames do labirinto e da audição, a parte metabólica e hormonal fica de fora, e a tontura pode continuar sem explicação.

Um exame de sangue alterado não prova, sozinho, a causa da tontura. O resultado é lido junto com a história das crises e com os exames do labirinto e da audição, e mais de uma causa pode estar presente ao mesmo tempo.
O que é tontura metabólica?
Tontura metabólica é a tontura que vem de uma alteração do metabolismo, o conjunto de processos com que o corpo produz e usa energia. Entram nesse grupo as variações da glicemia, que é o açúcar do sangue, e o aumento do colesterol e dos triglicerídeos.
A tontura hormonal vem das alterações dos hormônios. Os da tireoide, os hormônios sexuais femininos e também os masculinos podem interferir diretamente no funcionamento do labirinto. Como as duas formas costumam ser investigadas juntas, fala-se em tontura metabólica e hormonal.
A tontura em si é um sintoma. Ela indica que algo não vai bem no labirinto ou em outra parte do sistema vestibular, formado pelo labirinto e pelas vias que o ligam ao cérebro, à visão e à propriocepção, a percepção da posição do corpo. Nem sempre a sensação é de giro. Quando a causa é o excesso de açúcar, a forma mais frequente do grupo, costuma predominar uma instabilidade, como mostra a orientação sobre tontura depois de comer doce.
Por que o labirinto sente tanto as variações do corpo?
O labirinto fica na orelha interna e é extremamente sensível às variações do metabolismo. Dentro dele existe uma região chamada estria vascular, responsável pelo metabolismo local e por processos que ajustam o funcionamento do labirinto. Essa região não tem nenhuma reserva de energia.
Por isso, todo o trabalho do labirinto depende de níveis estáveis de glicose no sangue. Se o açúcar cai muito ou sobe em excesso, o funcionamento dele é afetado diretamente. Um estudo do setor de otoneurologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP explica que a estria vascular trabalha sem pausa e precisa receber oxigênio e glicose o tempo todo, porque não guarda energia nos tecidos.
Os autores do mesmo estudo observaram muito mais mulheres do que homens entre os pacientes com tontura e consideram que parte dessa diferença pode vir da variação natural dos hormônios femininos.
Glicose alta ou baixa pode causar tontura?
Pode. Tanto a glicose baixa quanto a alta afetam o labirinto. O diabetes, a intolerância à glicose e até o jejum muito prolongado, que provoca episódios de hipoglicemia, podem, sozinhos, causar tontura. Entre as tonturas metabólicas, as alterações do metabolismo dos carboidratos, que envolvem a glicemia, são as mais comuns.
No estudo do Hospital das Clínicas, feito com 325 pacientes com queixas de tontura, o diabetes apareceu com mais frequência do que na população em geral. Os autores explicam que, no diabetes, os vasos pequenos e os nervos podem ser atingidos, o que dificulta a chegada de sangue e torna irregular o fornecimento de glicose ao labirinto.
O excesso de doces e de carboidratos simples ao longo de semanas e meses tem orientação própria, com o papel da insulina e as mudanças na alimentação, em tontura depois de comer doce. A tontura que surge com os remédios injetáveis para emagrecer, ligada às oscilações da glicose, à hidratação e à pressão, é tratada em canetinhas emagrecedoras e tontura.
Alterações da tireoide podem dar tontura?
Podem. Quem tem hipotireoidismo ou hipertireoidismo e não trata da forma adequada pode ficar com a tireoide descompensada, e a tontura muitas vezes aparece como um dos sintomas dessa descompensação. No estudo do Hospital das Clínicas, os hormônios da tireoide alterados estiveram entre os achados mais significativos dos pacientes com tontura.
A tireoidite de Hashimoto, uma doença autoimune da tireoide, também vem sendo estudada nas doenças do labirinto. Uma revisão de 2017 reuniu estudos em que os anticorpos contra a tireoide apareceram com mais frequência em pessoas com doença de Ménière, e em que quase um quinto das pessoas com Hashimoto e hormônios normais tinha sinais de VPPB, a tontura dos cristais do labirinto fora do lugar. Uma revisão brasileira de 2024 também sugere uma possível ligação entre a tireoidite de Hashimoto e a VPPB, e os autores pedem novos estudos para confirmar.
Por isso, em quem tem doença da tireoide e sente tontura, duas coisas são conferidas. Uma é se a tireoide está compensada. A outra é o labirinto, porque os dois problemas podem existir juntos.
Menopausa e outras variações hormonais podem causar tontura?
Podem. A mulher que está entrando na menopausa passa por grandes variações dos hormônios sexuais femininos, e essas oscilações podem funcionar como gatilho para crises de tontura. O Ministério da Saúde inclui a tontura e o zumbido entre os sintomas possíveis dessa fase e descreve as ondas de calor, os fogachos, como episódios que costumam trazer suor, palpitação e vertigem.
Os fogachos parecem pesar também na recuperação. Num estudo japonês com 85 mulheres de 40 a 59 anos atendidas por tontura, as que tinham ondas de calor melhoraram mais devagar do que as que não tinham.
Outras doenças do equilíbrio também podem sofrer a influência dos hormônios. Uma revisão de 2022 relaciona a queda rápida do estrogênio na menopausa à VPPB, porque essa queda pode atrapalhar o metabolismo dos cristais do labirinto, e discute o papel dos hormônios sexuais na doença de Ménière e na enxaqueca vestibular.
A ansiedade também entra na conta. Num estudo com 471 mulheres japonesas entre 40 e 65 anos, a tontura semanal foi frequente, e o único fator ligado a ela de forma independente foi a ansiedade. Na menopausa, a tontura por ansiedade faz parte da investigação, ao lado das causas hormonais, metabólicas e do labirinto.
A relação é individual. A tontura nessa fase pode ter mais de uma causa, e o sintoma, sozinho, não indica reposição hormonal.
Tontura na TPM e no ciclo menstrual
Os hormônios femininos sobem e descem todo mês, e o labirinto sente essas mudanças. Num estudo brasileiro com 20 mulheres jovens e saudáveis, sem tontura e sem uso de anticoncepcional, alguns testes do labirinto deram resultados diferentes antes e depois da menstruação. Os autores explicam que as alterações hormonais do ciclo podem desequilibrar os líquidos de dentro do labirinto e, com isso, afetar o equilíbrio e a audição.
Quem percebe tontura sempre na mesma fase, como nos dias que antecedem a menstruação, deve contar isso na consulta. Anotar as crises num calendário, junto com as datas da menstruação, ajuda a mostrar se existe esse padrão.
Colesterol e triglicerídeos têm relação com tontura?
Têm. Aumentos excessivos do colesterol, em especial do LDL, e dos triglicerídeos também podem causar tontura. No estudo do Hospital das Clínicas, o LDL elevado esteve entre as alterações mais significativas dos pacientes com tontura, ao lado da tireoide e do diabetes.
A explicação passa pela circulação. O labirinto precisa de oxigênio sem interrupção, e o sangue mais viscoso, com excesso de gordura, chega com dificuldade aos vasos pequenos que o irrigam. Os autores lembram ainda que o metabolismo das gorduras está ligado ao da insulina, e as duas alterações muitas vezes andam juntas nas pessoas com tontura.
Por que pode existir mais de uma causa?
Na maioria dos pacientes com tontura, existe mais de uma causa. Muitas vezes a pessoa tem uma vertigem posicional paroxística benigna (VPPB), tratada com a manobra de reposicionamento, e tem também uma alteração da tireoide ou do metabolismo dos carboidratos.
Por isso, a avaliação metabólica e hormonal costuma ser necessária mesmo quando já existe um diagnóstico no labirinto. Ela ajuda no tratamento das outras causas presentes ao mesmo tempo.
Quais sinais ajudam a orientar a investigação?
Na consulta, ajuda muito descrever como é a tontura, se tudo gira, se é uma instabilidade ou se parece que vai desmaiar. Também importa saber quando ela começou, quanto tempo dura e se tem relação com jejum, com a alimentação, com uma fase do ciclo menstrual ou com a menopausa.
Diabetes, doença da tireoide, colesterol alto, uso de anticoncepcional ou de reposição hormonal e os remédios em uso precisam ser informados. Zumbido, ouvido tapado ou piora da audição também, porque orientam os exames da audição e do labirinto.
Uma tontura que começa de repente, com fraqueza ou formigamento num lado do corpo, fala enrolada, alteração da visão, confusão, dor de cabeça forte e repentina ou dificuldade para caminhar, pode indicar um AVC, segundo o Ministério da Saúde. Quem tem esses sinais precisa de avaliação médica sem demora.
Como é feito o diagnóstico?
Quem tem tontura precisa de uma avaliação bem detalhada, que inclua a parte metabólica e hormonal, além dos exames do labirinto e da audição.
Os exames de sangue são pedidos conforme a história. Em geral, eles avaliam a glicose e a insulina, a tireoide, com o TSH e os hormônios tireoidianos, e o colesterol com as suas frações e os triglicerídeos. Num estudo brasileiro com 506 pacientes com vertigem, a curva glicoinsulinêmica de três horas, que mede a glicose e a insulina várias vezes, encontrou mais alterações do que o HOMA, um índice calculado com uma única coleta. Os autores concluíram que o índice não substitui a curva quando se suspeita de alteração do açúcar.
Os exames do labirinto e da audição completam a investigação. O vHIT em Brasília e a audiometria são feitos na OtoCare. A vectoeletronistagmografia (VENG) não é feita na clínica e entra quando a consulta indica. Conheça os exames otorrinolaringológicos e audiológicos realizados na OtoCare.
Como é o tratamento da tontura metabólica ou hormonal?
O tratamento depende da causa encontrada. Quando o problema é o açúcar, a base é o ajuste da alimentação junto com a atividade física. Quando é a tireoide, o objetivo é deixá-la compensada. Colesterol e triglicerídeos altos também precisam de controle. No estudo do Hospital das Clínicas, os autores concluem que cuidar corretamente dessas alterações melhora o controle da tontura.
Na menopausa, a reposição hormonal é uma decisão individual. Segundo o Ministério da Saúde, ela depende dos sintomas, não é indicada, entre outras situações, para quem já teve câncer de mama, doença coronariana ou AVC, e, nas mulheres saudáveis com sintomas, a recomendação atual é usar por tempo curto.
Remédio para labirinto não corrige glicose, tireoide nem colesterol. Usado sem indicação e por longos períodos, ele pode causar efeitos indesejados, detalhados na orientação sobre remédio para tontura que pode piorar. Mudanças na alimentação, nos remédios ou nos hormônios são definidas na consulta, sem iniciar nem interromper tratamentos por conta própria.
Na OtoCare, a investigação da tontura reúne a conversa sobre as crises, o exame do equilíbrio, os exames do labirinto e da audição e a leitura dos exames de sangue, para tratar cada causa encontrada.
Vídeo: tontura metabólica e hormonal
O vídeo abaixo mostra como as mudanças do metabolismo afetam o labirinto, a relação da tontura com glicose, tireoide, colesterol e menopausa e a importância de procurar causas que podem estar presentes ao mesmo tempo.
Perguntas frequentes
Como saber se a tontura é hormonal?
Não existe um sinal que, sozinho, prove isso. A suspeita cresce quando as crises acompanham uma fase hormonal, como a transição para a menopausa ou certos dias do ciclo menstrual, ou quando a tireoide está descompensada. A confirmação vem da consulta, com os exames de sangue e os exames do labirinto, que afastam ou mostram outras causas.
Reposição hormonal melhora a tontura da menopausa?
Ainda não há resposta firme. No estudo japonês com mulheres que tinham fogachos, as que fizeram reposição hormonal melhoraram da tontura mais rápido, mas o grupo era pequeno e a diferença não foi significativa. A reposição é indicada pelo conjunto dos sintomas da menopausa, e a tontura isolada não define essa decisão.
A reposição hormonal pode dar tontura?
Os efeitos colaterais mais citados pelo Ministério da Saúde para a reposição hormonal são sangramento vaginal, inchaço, dor de cabeça, alterações do humor e dor nas mamas, e a tontura não está nessa lista. Mesmo assim, uma tontura que começa depois de iniciar ou trocar a reposição deve ser relatada na consulta, sem suspender o tratamento por conta própria.
Homem também pode ter tontura hormonal?
Pode. Alterações dos hormônios masculinos também podem interferir no labirinto, e os problemas da tireoide, do açúcar e do colesterol atingem homens e mulheres. A investigação segue o mesmo caminho, com a história das crises, as dosagens no sangue e o exame do labirinto.
Ficar muito tempo sem comer pode dar tontura?
Pode. Depois de muitas horas sem comer, a glicose pode cair, e o labirinto, que não guarda energia, sente essa queda. A sensação de tontura, porém, não mede o açúcar. Para saber se foi mesmo hipoglicemia, a glicose precisa ser medida durante o mal-estar, como detalha a orientação sobre tontura depois de comer doce.
Tontura metabólica pode vir com zumbido?
Pode vir junto. Ao discutir as gorduras do sangue, os autores do estudo do Hospital das Clínicas citam casos de perda auditiva, zumbido e tontura ligados ao colesterol ou aos triglicerídeos altos, em que a audição melhorou depois da correção. Zumbido ou piora da audição pedem uma audiometria, feita na OtoCare, porque a audição faz parte da mesma investigação.
A tontura voltou depois da manobra: pode ser metabólica?
Pode haver outra causa junto. Depois do tratamento da VPPB, a tontura que persiste ou retorna pode vir de uma alteração metabólica ou hormonal presente ao mesmo tempo, ou da volta dos cristais, explicada na orientação sobre se a VPPB pode voltar. Na consulta, os testes de posição são refeitos e os exames de sangue ajudam a separar uma situação da outra.
Referências
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Avaliação de tontura em Brasília
Se a tontura é recorrente, intensa ou ainda não tem uma causa definida, uma consulta com otorrino em Brasília permite avaliar o equilíbrio, a audição e os fatores metabólicos ou hormonais que precisam ser investigados.
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