Tontura por ansiedade: sintomas e como é feito o diagnóstico

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

Ansiedade pode causar tontura?

Sim. Crises de ansiedade podem causar tontura e produzir sintomas físicos reais. A pessoa pode sentir instabilidade, vertigem, náusea, vontade de vomitar, tremores e palpitação. A intensidade do mal-estar não significa que o sintoma seja imaginário.

Ao mesmo tempo, sentir tontura não permite concluir que a causa é ansiedade. O sintoma pode aparecer em alterações metabólicas, hormonais, emocionais, cervicais e vestibulares. Por isso, a investigação precisa considerar o conjunto da história, o exame físico e, quando necessário, exames complementares.

Montagem com Fátima Bernardes e Dra. Larissa Vilela em cenário de telejornal sobre tontura por ansiedade

Tontura é um sintoma, não um diagnóstico. Chamar toda tontura de labirintite — ou atribuí-la automaticamente à ansiedade — pode levar a um tratamento que não corresponde à causa.

Como é a tontura causada pela ansiedade?

Não existe uma única sensação obrigatória. A tontura pode ser descrita como zonzeira, desequilíbrio ou instabilidade. Em algumas crises, a pessoa também percebe o ambiente rodar e usa a palavra vertigem.

Outros sintomas físicos podem surgir ao mesmo tempo, como náusea, vômito, tremor e sensação de coração acelerado. Essa combinação pode assustar e parecer uma doença do labirinto, especialmente quando a crise acontece de forma intensa.

A relação com uma preocupação ou com um período emocionalmente difícil pode ser uma pista importante, mas não fecha o diagnóstico sozinha. Da mesma forma, sentir o ambiente girar não prova, por si só, que o problema está no labirinto.

Tontura por ansiedade é labirintite emocional?

Não necessariamente. A expressão “labirintite emocional” é usada popularmente para descrever tontura relacionada a estresse ou ansiedade, mas ela pode reforçar uma confusão: nem toda tontura vem do labirinto e nem todo problema do labirinto é labirintite.

Labirintite é apenas uma das possíveis causas vestibulares e, como destacado no vídeo, é rara. Uma crise emocional pode imitar um quadro atribuído ao labirinto sem que isso transforme ansiedade em labirintite.

O nome correto depende do que está causando os sintomas. Antes de escolher o tratamento, é necessário definir se existe uma alteração vestibular, uma causa fora do ouvido, um componente emocional ou mais de um fator ao mesmo tempo.

Como diferenciar tontura por ansiedade de labirintite?

Não há um teste doméstico nem uma lista de sintomas capaz de fazer essa separação com segurança. Vertigem, náusea e vômito podem aparecer em diferentes quadros. Tremores e palpitação podem acompanhar uma crise de ansiedade, mas também precisam ser interpretados dentro do contexto de cada pessoa.

A história da crise ajuda a organizar a investigação: quando começou, o que a pessoa estava sentindo ou pensando naquele momento, quanto tempo durou, se houve repetição e quais outros sintomas apareceram. O exame físico acrescenta informações sobre os ouvidos, o equilíbrio e as funções vestibulares que podem ser avaliadas no consultório.

Essa combinação evita dois erros opostos: tratar como labirintite uma tontura cuja causa é emocional ou encerrar a investigação como ansiedade quando existe outra alteração.

Quais outras causas de tontura precisam ser consideradas?

A tontura pode ter origem metabólica, hormonal, emocional, cervical ou vestibular. Dentro do próprio sistema vestibular existem diferentes doenças; labirintite é apenas uma delas.

Essa variedade explica por que duas pessoas que usam a mesma palavra para descrever o que sentem podem ter diagnósticos diferentes. Também explica por que um medicamento conhecido popularmente como remédio para labirintite pode não resolver o problema quando foi escolhido sem que a causa estivesse clara.

O objetivo da avaliação não é apenas confirmar ou negar labirintite. É reconhecer o mecanismo responsável pela tontura e evitar que um rótulo amplo esconda o diagnóstico real.

Como é feita a investigação da tontura?

A investigação começa pela conversa detalhada sobre os sintomas e pelo exame físico. O ouvido é examinado, o equilíbrio é observado e algumas funções vestibulares básicas podem ser testadas durante a consulta.

Conforme o caso, podem ser solicitados exames complementares, como a videonistagmografia e o vHIT em Brasília, além de outros testes escolhidos a partir da suspeita clínica. Nem toda pessoa precisa realizar a mesma sequência de exames.

Os resultados são interpretados junto com a história e o exame, e não de forma isolada. Veja também os exames otorrinolaringológicos e audiológicos realizados na OtoCare.

Por que o tratamento depende do diagnóstico correto?

O tratamento só pode ser direcionado quando a causa da tontura é reconhecida. Repetir uma conduta para labirintite em uma crise provocada por ansiedade não aborda o problema real. O mesmo vale para atribuir tudo ao emocional sem investigar outras possibilidades.

Quando os sintomas continuam, voltam com frequência ou não melhoram com o tratamento já realizado, a hipótese inicial precisa ser revista. Persistir no mesmo rótulo pode prolongar o quadro e adiar o cuidado adequado.

Vídeo: tontura por ansiedade e labirintite

O vídeo abaixo apresenta um relato público de tontura inicialmente tratada como labirintite, os sintomas físicos que podem acompanhar a ansiedade e o caminho usado para investigar se a origem está ou não no sistema vestibular.

Perguntas frequentes

Ansiedade e uma doença vestibular podem existir ao mesmo tempo?

Sim. Ansiedade pode provocar ou intensificar tontura, e uma doença vestibular também pode gerar medo e ansiedade. Os dois componentes podem coexistir e influenciar a intensidade do mal-estar, por isso a avaliação não deve tratar uma possibilidade como se anulasse a outra.

Tontura por ansiedade é a mesma coisa que TPPP?

Não. A tontura postural perceptual persistente, ou TPPP, é um transtorno vestibular funcional crônico com critérios diagnósticos próprios. Ela pode começar depois de uma doença vestibular, outra condição médica ou sofrimento psicológico e pode coexistir com outros diagnósticos. Ter uma crise de ansiedade com tontura não é suficiente para concluir que existe TPPP.

Exames vestibulares normais confirmam que a causa é ansiedade?

Não. Um resultado normal responde apenas ao que aquele exame conseguiu avaliar. O diagnóstico depende da história, do exame físico, do conjunto dos testes indicados e das outras causas consideradas. Ansiedade não deve ser usada como explicação automática apenas porque um exame não mostrou alteração.

Referências

  1. VILELA, Larissa. Tontura por ansiedade: não confunda com labirintite! YouTube, 22 mar. 2025. 1 vídeo (6 min 43 s). Disponível em: https://youtu.be/wCG8QT8SMJs. Acesso em: 9 set. 2026.
  2. BRANDT, Thomas; DIETERICH, Marianne. “Excess anxiety” and “less anxiety”: both depend on vestibular function. Current Opinion in Neurology, v. 33, n. 1, p. 136–141, 2020. DOI: 10.1097/WCO.0000000000000771. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31743237/. Acesso em: 9 set. 2026.
  3. STAAB, Jeffrey P. et al. Diagnostic criteria for persistent postural-perceptual dizziness (PPPD): consensus document of the Committee for the Classification of Vestibular Disorders of the Bárány Society. Journal of Vestibular Research, v. 27, n. 4, p. 191–208, 2017. DOI: 10.3233/VES-170622. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29036855/. Acesso em: 9 set. 2026.

Avaliação de tontura em Brasília

Se a tontura é recorrente, intensa, não melhora com o tratamento já realizado ou ainda não tem uma causa definida, uma consulta com otorrino em Brasília permite examinar os ouvidos, avaliar o equilíbrio e decidir quais exames são necessários.

Telefone e WhatsApp: (61) 99957-8479

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