Rinite alérgica a cães e gatos: como conviver com pets

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

Rinite e pets: primeiro descubra qual é o gatilho

Ter rinite alérgica e conviver com um cachorro ou gato não significa, automaticamente, que o animal seja a causa das crises. A alergia é específica: algumas pessoas reagem aos ácaros da poeira doméstica, outras ao epitélio do cão ou do gato, e outras a alérgenos diferentes.

O primeiro passo é entender qual exposição realmente desencadeia os sintomas. Essa distinção evita atribuir ao pet uma crise provocada por outro fator e ajuda a direcionar os cuidados do ambiente para o que importa em cada caso.

Dra. Larissa Vilela sentada ao lado de um cachorro e um gato

Se a alergia ao cão ou ao gato já foi identificada, o cenário ideal é evitar a exposição ao alérgeno. Quando a família decide manter o pet no convívio, algumas medidas podem reduzir o contato, mas não eliminam completamente a exposição.

Por que identificar o alérgeno faz diferença?

A rinite alérgica surge quando um alérgeno específico desencadeia inflamação no nariz. Quem tem alergia aos ácaros tende a apresentar sintomas quando entra em contato com poeira doméstica. Quem tem alergia ao epitélio do cão ou do gato reage à exposição ao respectivo animal.

Essa relação pode ser investigada com teste cutâneo, chamado prick test, ou exame de sangue. O resultado pode apontar sensibilização ao epitélio do cão, ao epitélio do gato ou a outro alérgeno e deve ser interpretado junto com a história: em que ambiente os sintomas aparecem, qual contato costuma preceder a crise e se há melhora quando a exposição diminui.

Conhecer o gatilho ajuda a definir se o foco deve estar no controle de ácaros, no contato com o pet ou em outra fonte. Para entender melhor essa inflamação, veja também o que é rinite e quais são seus principais sintomas.

Quando a alergia é ao cão ou ao gato

Quando o animal é o gatilho confirmado, a forma mais direta de reduzir o problema é diminuir a exposição. Em uma casa com quintal, o ideal é que o pet permaneça fora da área interna sempre que isso for possível. Em apartamentos ou situações nas quais ele continua dentro de casa, o quarto deve receber atenção especial.

O objetivo não é prometer ausência de crises. As medidas abaixo reduzem o contato em pontos importantes da rotina, principalmente durante o sono, e podem ajudar a amenizar os sintomas.

Três cuidados para quem mantém o pet em casa

1. Não permita que o pet entre no quarto

Mantenha o cachorro ou o gato fora do quarto e não permita que suba na cama. A pessoa passa muitas horas nesse ambiente, geralmente com portas e janelas fechadas durante parte da noite. Por isso, reduzir ali a quantidade de alérgenos é uma prioridade.

Deixar o animal entrar apenas em alguns momentos ainda leva alérgenos para o colchão, o travesseiro, a roupa de cama e outras superfícies. A regra precisa ser constante para que o quarto permaneça como uma área de menor exposição.

2. Dê banho no pet uma vez por semana

O banho regular, uma vez por semana, é a segunda medida apresentada no vídeo. A rotina deve ser mantida com regularidade enquanto o animal continuar no ambiente da pessoa alérgica.

3. Mantenha o pelo o mais curto possível

O terceiro cuidado é manter o pelo do pet curto. Essa medida acompanha a proposta de reduzir o material transportado e acumulado pelo animal dentro de casa.

Por que o quarto é a área mais importante?

O quarto reúne dois fatores relevantes: muitas horas de permanência e grande quantidade de superfícies têxteis. Cama, travesseiro e roupa de cama ficam muito próximos do rosto durante o sono. Se o pet circula ou dorme ali, a exposição continua justamente no período em que o organismo deveria descansar.

Comece, portanto, por uma regra simples e verificável: porta do quarto fechada para o animal e cama sem acesso ao pet. Mesmo quando não é possível mantê-lo fora de toda a casa, preservar esse ambiente reduz uma parcela importante do contato diário.

E se a alergia for aos ácaros, e não ao pet?

Animais com pelo também podem transportar ácaros. Por isso, uma pessoa que não tenha alergia específica ao cão ou ao gato, mas seja alérgica aos ácaros, pode perceber piora associada ao convívio com o pet.

Nessa situação, mantenha os mesmos três cuidados: animal fora do quarto, banho semanal e pelo curto. Também é importante cuidar das outras fontes de poeira doméstica. Veja as dez medidas para reduzir a exposição aos ácaros em colchões, roupas de cama, tecidos e objetos.

Vídeo: alergia a cães e gatos e rinite alérgica

O vídeo abaixo mostra por que é importante identificar o alérgeno e apresenta os três cuidados para quem tem rinite alérgica e decide manter um cachorro ou gato no convívio.

Perguntas frequentes

Um teste positivo confirma que o pet é a causa dos sintomas?

Não necessariamente. Um teste positivo mostra sensibilização, mas o resultado precisa combinar com a história dos sintomas e com a exposição. A relação fica mais consistente quando as crises surgem ou pioram perto do animal e melhoram quando o contato diminui.

Cães considerados hipoalergênicos produzem menos alérgenos?

Não há evidência de que as raças anunciadas como hipoalergênicas mantenham níveis menores do principal alérgeno canino dentro das casas. A quantidade pode variar muito entre animais, mas a escolha de uma raça não garante um ambiente livre de alérgenos.

A alergia vem apenas do pelo do cachorro ou do gato?

Não. Os alérgenos dos animais são proteínas encontradas em materiais como partículas da pele, saliva e urina. O pelo pode ajudar a espalhar esse material e também transportar outros alérgenos presentes no ambiente.

Os alérgenos do gato desaparecem logo depois que ele sai do ambiente?

Não. Eles podem permanecer na poeira e nas superfícies por semanas ou meses. Em um estudo domiciliar, apenas parte das casas atingiu níveis comparáveis aos de locais sem gato após cerca de 20 a 24 semanas; em outras, a redução foi ainda mais lenta.

Referências

  1. VILELA, Larissa. Alergia a pets (cães e gatos): como aliviar os sintomas da rinite alérgica? YouTube, 28 set. 2023. 1 vídeo (4 min 32 s). Disponível em: https://youtu.be/kpEZGPARDxs. Acesso em: 8 set. 2026.
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Quando procurar avaliação

Procure atendimento quando os sintomas forem frequentes, atrapalharem o sono, persistirem apesar da redução de exposição ou quando não estiver claro se o gatilho é o pet, o ácaro ou outro alérgeno. A consulta com otorrino em Brasília permite avaliar o nariz e organizar a investigação e o tratamento.

Conforme a orientação recebida, também pode ser útil revisar a lavagem nasal para rinite e aprender como usar spray nasal corretamente.

Telefone e WhatsApp: (61) 99957-8479

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