Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
Raio X de face para sinusite: por que ele não confirma nem descarta
O diagnóstico da sinusite aguda é clínico: ele se faz pelos sintomas, pelo tempo de evolução e pelo exame do nariz, não por imagem. O raio X de face não é o exame que confirma uma sinusite, e também não é o exame que a afasta. Um resultado alterado em quem não tem quadro compatível não autoriza tratar; um resultado normal em quem tem quadro típico não muda a conduta. Nos dois sentidos, o exame chega tarde demais para decidir alguma coisa.
Isso não é opinião de escola. As diretrizes de otorrinolaringologia, de infectologia e de radiologia convergem: no quadro agudo não complicado, não se pede imagem. E o raio X de face, especificamente, é classificado como habitualmente inapropriado para essa finalidade.

Esta página explica por quê, com os números. Ela mostra o achado que derruba o exame pela raiz — o resfriado comum, sozinho, já opacifica os seios da face —, dá o desempenho medido do raio X contra o padrão de referência, explica por que um exame negativo informa mais que um positivo, corrige a comparação de radiação com as doses publicadas e diz o que fazer com o laudo que já foi feito. Ela não substitui a avaliação médica, que é o que examina e decide.
O que o raio X de face mostra — e o que ele não consegue mostrar
Ao redor do nariz existem quatro pares de cavidades cheias de ar escavadas nos ossos do crânio, os seios paranasais: maxilares, frontais, etmoidais e esfenoidais. O raio X de face é uma projeção: um feixe atravessa a cabeça inteira e registra, em uma única chapa, tudo o que encontrou pelo caminho. O resultado é uma imagem bidimensional de estruturas tridimensionais sobrepostas.
Na prática, isso significa três limitações que não têm como ser contornadas com melhor técnica ou melhor aparelho:
- Sobreposição. Ossos da base do crânio, arcos dentários, células etmoidais e partes moles se somam na mesma área da chapa. O que aparece mais claro ou mais escuro pode vir de qualquer uma dessas camadas.
- Cegueira para os seios de trás. Os etmoidais e o esfenoidal, que ficam entre os olhos e no fundo do nariz, praticamente não são avaliáveis em projeção simples.
- Silêncio sobre o que decide. A região por onde os seios drenam para dentro do nariz não é visível. É exatamente ali que a doença se organiza, e é ali que a decisão cirúrgica se apoia quando existe.
Mesmo quando o exame mostra algo, o vocabulário do laudo é limitado: velamento, espessamento mucoso, nível hidroaéreo. São descrições de que existe alguma coisa dentro do seio que não é ar. Nenhuma delas diz o que é essa coisa, nem há quanto tempo está ali, nem se ela é a causa dos sintomas.
Velamento não é sinônimo de infecção bacteriana. É a descrição de uma sombra. Ela aparece em virose, em alergia, em variação anatômica e em exame mal posicionado, e por isso não decide tratamento sozinha.
Por que a sinusite aguda é um diagnóstico clínico
A rinossinusite aguda é definida por um conjunto de sintomas em um intervalo de tempo, e não por um achado de imagem. O que a caracteriza é a combinação de obstrução nasal, secreção, dor ou pressão na face e alteração do olfato, dentro de um quadro de até doze semanas. A separação entre o quadro viral, o prolongado e o bacteriano se faz pela evolução no tempo — quanto durou, se melhorou e voltou a piorar, com que intensidade — e essa distinção está detalhada na orientação sobre sinusite aguda viral ou bacteriana.
Repare no que esses critérios têm em comum: todos são obtidos conversando com o paciente e examinando o nariz. Nenhum depende de aparelho. É por isso que as diretrizes recomendam fechar o diagnóstico na consulta e não pedir imagem no quadro não complicado — não por economia, mas porque a imagem não acrescenta informação à decisão.
O exame que de fato acrescenta algo ao exame clínico é a endoscopia nasal, que enxerga por dentro, em tempo real, a região de drenagem, a presença de secreção purulenta saindo dela e eventuais pólipos. Ela é olhar direto, não sombra projetada.
O achado que derruba o exame: o resfriado comum também opacifica os seios
Este é o dado que praticamente nenhum texto sobre o assunto menciona, e é o que explica todo o resto. Em um estudo publicado no New England Journal of Medicine, adultos saudáveis com resfriado comum de 48 a 96 horas de duração foram submetidos a tomografia dos seios paranasais. Dos 31 examinados:
- 27, ou 87%, tinham alteração em um ou nos dois seios maxilares;
- 20, ou 65%, tinham alteração dos seios etmoidais;
- 12, ou 39%, tinham alteração do seio esfenoidal;
- 10, ou 32%, tinham alteração dos seios frontais.
Eram pessoas com um resfriado banal, que se resolveria sozinho. A alteração de imagem não era doença: era o resfriado. A mucosa que reveste o nariz é a mesma que reveste os seios, e ela reage junto — incha, produz muco, e a cavidade que era de ar passa a ter líquido dentro.
A consequência é direta e não tem saída técnica: se a virose comum já produz o achado, encontrar o achado não distingue virose de infecção bacteriana. Nenhum exame de imagem separa as duas, porque a diferença entre elas não está na presença de secreção no seio — está no comportamento do quadro ao longo dos dias, que é justamente o que se avalia na consulta.
Um raio X alterado durante um resfriado é o esperado, não o excepcional. Tratar essa imagem com antibiótico é tratar a chapa, não a pessoa.
Os números do raio X de face: o que ele acerta e o que ele erra
É possível medir o desempenho do exame comparando-o com um padrão de referência mais confiável — no caso, a punção do seio maxilar, que retira e examina o conteúdo. Duas revisões sistemáticas fizeram exatamente isso.
A primeira, que reuniu 11 estudos e 1.144 pacientes adultos com suspeita de sinusite maxilar aguda, encontrou sensibilidade de 0,73 e especificidade de 0,80 usando velamento ou nível líquido como critério. A segunda, mais recente, calculou as razões de verossimilhança do exame na atenção primária.
| Medida | Valor | O que significa |
|---|---|---|
| Sensibilidade | 0,73 | Cerca de 1 em cada 4 pessoas que têm a doença sai com exame normal. |
| Especificidade | 0,80 | Cerca de 1 em cada 5 pessoas que não têm a doença sai com exame alterado. |
| Razão de verossimilhança positiva | 2,01 | Um exame alterado apenas dobra a chance. Muito pouco para decidir. |
| Razão de verossimilhança negativa | 0,28 | Um exame normal reduz a chance a cerca de um quarto. É a informação mais útil do exame. |
Esses números não descrevem um exame inútil em laboratório: descrevem um exame de desempenho apenas modesto, e é assim que a revisão o classifica. O problema aparece quando se pergunta o que fazer com o resultado.
Um exame negativo vale mais que um positivo — e por quê
Esta é a parte contraintuitiva, e é o que quase todo texto sobre o assunto inverte. Razão de verossimilhança é quanto um resultado desloca a probabilidade que existia antes do exame. Quanto mais longe de 1, mais o resultado muda o quadro.
- Positivo, 2,01. O exame alterado apenas dobra as chances. Quem entrou na sala com 30% de probabilidade sai com cerca de 46%: continua sem saber. E como a virose comum já opacifica o seio na maioria das pessoas, boa parte desses positivos é a própria virose aparecendo na chapa.
- Negativo, 0,28. O exame normal reduz as chances a pouco mais de um quarto. Quem entrou com 30% sai com cerca de 11%. Esse deslocamento é real e é o único que chega perto de ser útil.
O raio X de face é melhor para tranquilizar do que para acusar — o oposto do uso que se faz dele na prática, em que a chapa alterada vira justificativa de tratamento. Mas mesmo o resultado negativo esbarra no mesmo obstáculo do positivo: ele não muda o que será feito.
Nem o positivo nem o negativo mudam a conduta
Um exame só é útil quando a decisão depende dele. Aplique isso aos dois resultados possíveis:
| Situação clínica | Raio X alterado | Raio X normal |
|---|---|---|
| Sintomas típicos e evolução compatível | Trata-se o quadro clínico. O exame não acrescentou. | Trata-se o quadro clínico assim mesmo. O exame não afastou. |
| Quadro leve, poucos dias, provável virose | Não autoriza antibiótico: o achado é esperado na virose. | Conduta inalterada, que já era conservadora. |
| Suspeita de complicação | Insuficiente. Indica-se tomografia. | Insuficiente. Não afasta complicação. Indica-se tomografia. |
Nas seis células da tabela, a conduta é a mesma com ou sem o exame. Um exame cujo resultado não altera a decisão em nenhum cenário não é um exame de baixa precisão: é um exame sem indicação. É por isso que a recomendação das diretrizes não é “use com cautela”, e sim “não peça”.
A radiação: o dado que surpreende
A objeção seguinte costuma ser: mesmo imperfeito, o raio X não é o exame mais leve, com menos radiação que a tomografia? Não é. As doses efetivas foram medidas e comparadas diretamente.
| Exame | Dose efetiva | Comparação |
|---|---|---|
| Raio X de face (adultos) | 0,098 mSv | Referência |
| Tomografia de seios de baixa dose | 0,045 mSv | Menos da metade do raio X |
| Tomografia de seios padrão | 0,371 mSv | 3,8 vezes o raio X |
Ou seja: a tomografia de baixa dose entrega menos radiação que o raio X de face e, ainda assim, mostra incomparavelmente mais. No mesmo estudo, a concordância entre observadores na detecção e na caracterização dos achados foi quase perfeita na tomografia e apenas razoável no raio X — dois radiologistas olhando a mesma chapa simples frequentemente discordam.
Em crianças o mesmo se repete com margem menor: um estudo de doses pediátricas mostrou que o protocolo de tomografia de baixa dose pôde ser ajustado até ficar equivalente ao das radiografias padrão de seios, mantendo qualidade diagnóstica.
A conclusão prática é incômoda para o hábito estabelecido. O raio X de face não é a versão econômica e segura da tomografia. É a versão que enxerga menos, por dose igual ou maior. E quando o quadro é recorrente e a chapa é repetida a cada episódio, a exposição se acumula sem que nada tenha sido decidido por ela.
O princípio da justificação: um exame que não muda a conduta não é justificado
Existe um enquadramento além do clínico, e ele é norma no Brasil. A proteção radiológica em radiodiagnóstico médico é regulada por resolução da Anvisa, que adota o princípio da justificação: toda exposição a radiação ionizante precisa produzir benefício suficiente para compensar o detrimento que causa.
Aplicado a esta situação, o princípio é direto. Se o resultado do exame não vai mudar o que será feito — e a tabela anterior mostra que não vai —, não existe benefício a ser pesado contra a dose. A exposição, por menor que seja, fica sem contrapartida. Não é uma questão de dose perigosa; é uma questão de dose sem finalidade.
Radiação pequena e sem finalidade continua sendo radiação sem finalidade. O critério da justificação não pergunta se a dose é alta: pergunta se ela compra alguma decisão.
Quando a imagem é realmente indicada
Dizer que não se pede imagem no quadro agudo comum não é dizer que imagem nunca se pede. Existem situações bem definidas em que ela é indicada, e nelas o exame é a tomografia:
- Suspeita de complicação. Inchaço ou vermelhidão ao redor do olho, dor ocular intensa, visão dupla ou perda de visão, alteração do nível de consciência, dor de cabeça muito intensa e diferente do habitual, rigidez de nuca ou febre alta com prostração. Aqui a imagem é urgente.
- Quadro crônico. Sintomas que passam de doze semanas, quando a investigação deixa de ser a da crise e passa a ser a de rinossinusite crônica.
- Episódios recorrentes. Vários quadros bem documentados no mesmo ano, para procurar o que está por trás da repetição.
- Falha de tratamento adequado. Quadro que não responde ao tratamento correto conduzido pelo tempo correto.
- Planejamento cirúrgico. Quando há indicação de cirurgia, a tomografia é o mapa anatômico e não tem substituto.
- Suspeita de massa ou de doença de um lado só. Achado unilateral pede investigação dedicada.
Fora dessas situações, o exame de imagem no quadro agudo não complicado não é solicitado — nem o raio X, nem a tomografia.
Por que a tomografia, e não o raio X
Quando a imagem é indicada, a escolha não é entre dois exames parecidos com preços diferentes. São exames que respondem a perguntas diferentes.
| O que se quer saber | Raio X de face | Tomografia dos seios | Endoscopia nasal |
|---|---|---|---|
| Há conteúdo dentro dos seios maxilares? | Às vezes, com dúvida | Sim, com precisão | Indiretamente |
| E nos seios etmoidais e esfenoidal? | Praticamente não | Sim | Parcialmente |
| Como está a região de drenagem? | Não avalia | Sim | Sim, ao vivo |
| Há erosão óssea ou extensão para a órbita? | Não avalia com segurança | Sim | Não |
| Há pólipos? | Não caracteriza | Sim | Sim, ao vivo |
| Serve como mapa para cirurgia? | Não | Sim | Complementar |
Há ainda um detalhe que costuma passar despercebido: o raio X também é fraco no quadro crônico, não só no agudo. Um estudo comparou o que a radiografia simples previa com o que a cirurgia endoscópica encontrou de fato em seios maxilares cronicamente inflamados. Entre os seios descritos como apenas com espessamento mucoso na chapa, menos da metade tinha secreção lá dentro. A chapa alterada não previa o achado.
O que dizem as diretrizes
Não se trata de uma posição isolada. As principais referências internacionais e a brasileira dizem a mesma coisa, cada uma no seu vocabulário:
| Fonte | Posição sobre imagem no quadro agudo não complicado |
|---|---|
| Otorrinolaringologia norte-americana | Não obter imagem em quem preenche os critérios, salvo suspeita de complicação ou diagnóstico alternativo. |
| Infectologia norte-americana | Imagem não é recomendada para distinguir quadro viral de bacteriano. |
| Colégio americano de radiologia | Radiografia dos seios paranasais classificada como habitualmente inapropriada. |
| Campanha canadense de uso racional | Não pedir tomografia na rinossinusite aguda não complicada e não pedir radiografia simples de seios. |
| Documento europeu de consenso | Diagnóstico da rinossinusite aguda é clínico; imagem reservada a dúvida, cronicidade ou complicação. |
| Consenso brasileiro | Mesma orientação, com a tomografia como exame de escolha quando a imagem se justifica. |
É raro haver esse grau de convergência entre sociedades de especialidades diferentes e de países diferentes. Quando há, geralmente é porque a evidência é consistente há tempo suficiente para não haver mais discussão.
E se o raio X já foi feito?
Boa parte de quem procura este assunto já tem a chapa e o laudo em mãos. Nesse caso, o exame está feito e a dose já foi entregue — a pergunta útil deixa de ser se valia a pena e passa a ser o que fazer com o resultado.
- Laudo alterado, sintomas leves ou recentes. Não é motivo isolado para antibiótico. O achado é compatível com virose comum, e a decisão continua sendo pelo comportamento do quadro no tempo.
- Laudo alterado, sintomas típicos e evolução compatível. O tratamento é definido pela clínica. O exame apenas coincidiu com ela.
- Laudo normal, sintomas persistentes. O exame normal não afasta a sinusite. Um quarto das pessoas com a doença sai com chapa normal, e a avaliação clínica prevalece.
- Laudo com achado incidental. Desvio de septo, variação anatômica, cisto de retenção. São achados frequentes em pessoas sem sintoma nenhum e, isolados, não explicam o quadro nem indicam procedimento.
Em nenhum desses cenários o caminho é repetir o raio X para acompanhar a evolução. O acompanhamento da sinusite aguda é clínico — pela melhora dos sintomas —, e uma segunda chapa só somaria dose sem somar informação.
Raio X de face em crianças
Em crianças a recomendação é a mesma, e o cuidado é maior por dois motivos somados. O tecido em crescimento é mais sensível à radiação, e a vida pela frente é mais longa, o que dá mais tempo para efeitos tardios se manifestarem. Isso torna o critério da justificação mais exigente, não menos.
Há também um fator específico da faixa etária: os seios paranasais não estão todos formados ao nascimento. Os maxilares e os etmoidais estão presentes desde cedo, mas os frontais só se desenvolvem ao longo da infância e da adolescência. Uma chapa que mostra um seio frontal “não visualizado” em uma criança pequena costuma estar mostrando desenvolvimento normal, e não doença — mais uma fonte de dúvida em um exame que já produz muita.
Na prática, o diagnóstico segue clínico, com a diferença de que a criança pequena frequentemente não descreve dor facial nem alteração de olfato, e a tosse persistente ocupa o lugar desses critérios. Esse ponto está detalhado na orientação sobre tosse de sinusite.
O que de fato ajuda enquanto o quadro se resolve
Se o exame não é o caminho, vale dizer qual é. No quadro agudo, o que sustenta a recuperação é o cuidado do nariz:
- Lavagem nasal com solução salina, que remove secreção e reduz o volume que precisa drenar. A escolha da técnica e do volume está na orientação sobre lavagem nasal para sinusite.
- Corticoide nasal tópico, quando indicado, aplicado com a técnica correta de spray nasal, sempre depois da lavagem.
- Hidratação, repouso e analgesia conforme a necessidade, como em qualquer quadro de gripe ou resfriado.
- Tempo, que é o fator mais subestimado. O que é esperado de duração está na orientação sobre quanto tempo dura a gripe e o resfriado.
E o critério que importa é o mesmo desde o começo: se o quadro não melhora no prazo esperado, se melhora e piora de novo, ou se aparece qualquer sinal de alarme, o passo seguinte é a reavaliação clínica — não uma chapa.
Sinais de alarme
Existem situações em que a avaliação é imediata e em que a imagem, aí sim, é parte do atendimento:
- Inchaço, vermelhidão ou dor ao redor de um dos olhos.
- Visão dupla, borrada ou perda de visão.
- Dificuldade para movimentar o olho ou olho projetado para fora.
- Dor de cabeça muito intensa, diferente de qualquer outra já sentida.
- Confusão mental, sonolência excessiva ou rigidez de nuca.
- Febre alta com prostração importante.
- Inchaço na testa ou amolecimento do osso nessa região.
Nesses casos, a procura por atendimento é imediata e não depende de agendamento de exame prévio.
Vídeo: o raio X de face serve para diagnosticar sinusite?
O vídeo explica por que o diagnóstico de sinusite aguda é clínico, por que a projeção simples sobrepõe estruturas e gera dúvida mesmo para quem tem experiência em lê-la, por que um exame alterado não autoriza tratar quem não tem quadro compatível, por que um exame normal não afasta a sinusite clínica, e em que situações a tomografia dos seios paranasais é o exame indicado.
Perguntas frequentes
O raio X de face serve para diagnosticar sinusite?
Não como exame de confirmação. O diagnóstico da rinossinusite aguda é clínico, feito pelos sintomas, pelo tempo de evolução e pelo exame do nariz. As diretrizes de otorrinolaringologia, de infectologia e de radiologia recomendam não obter imagem no quadro agudo não complicado, e o colégio americano de radiologia classifica a radiografia dos seios paranasais como habitualmente inapropriada para essa finalidade.
Meu raio X mostrou velamento. Isso confirma sinusite bacteriana?
Não. Velamento é a descrição de uma sombra dentro do seio, e não da sua causa. Em voluntários com resfriado comum de poucos dias, 87% tinham alteração de um ou dos dois seios maxilares na tomografia, sem doença bacteriana nenhuma. O achado é compatível com virose, com alergia e com variação anatômica, e por isso não autoriza sozinho o tratamento com antibiótico.
Meu raio X deu normal, mas tenho todos os sintomas. Estou sem sinusite?
Não necessariamente. A sensibilidade do exame é de cerca de 0,73, o que significa que aproximadamente uma em cada quatro pessoas com a doença sai com chapa normal. Quando o quadro clínico é típico, é ele que orienta a conduta, e o exame normal não o afasta.
Qual é o exame certo para sinusite, então?
Quando a imagem é realmente necessária, o exame é a tomografia dos seios paranasais, que mostra todos os seios separadamente, a região de drenagem, o osso e a extensão para estruturas vizinhas. E o exame que mais acrescenta ao exame clínico no consultório é a endoscopia nasal, que olha por dentro em tempo real. No quadro agudo comum, porém, nenhum dos dois é necessário.
A tomografia tem mais radiação que o raio X de face?
Nem sempre, e isso surpreende quase todo mundo. Em adultos, a dose efetiva medida foi de 0,098 mSv para a radiografia e 0,045 mSv para a tomografia de baixa dose dos seios, ou seja, menos da metade. A tomografia padrão tem dose maior, cerca de 0,371 mSv. O raio X de face não é a alternativa mais leve, e ainda mostra bem menos.
Quando a imagem é indicada na sinusite?
Em suspeita de complicação, com sinais nos olhos, no crânio ou no estado geral; em quadro que passa de doze semanas e passa a ser tratado como crônico; em episódios recorrentes ao longo do ano; em falha de tratamento adequado; em planejamento cirúrgico; e diante de achado de um lado só. Em todas essas situações, o exame indicado é a tomografia.
Posso fazer raio X de face para acompanhar se a sinusite melhorou?
Não é o caminho. O acompanhamento da sinusite aguda é clínico, pela melhora dos sintomas. Repetir o exame acrescenta dose sem acrescentar informação, já que a imagem pode continuar alterada por semanas depois da resolução dos sintomas e também pode estar alterada por uma virose nova.
Raio X de face em criança pode?
A recomendação é a mesma dos adultos, com cuidado maior, porque o tecido em crescimento é mais sensível à radiação. Há ainda um problema próprio da idade: os seios frontais só se desenvolvem ao longo da infância, e um seio não visualizado na chapa costuma significar desenvolvimento normal, não doença. Na prática, isso aumenta a chance de interpretação equivocada.
Por que muitos serviços ainda pedem esse exame?
Por hábito estabelecido em uma época em que a tomografia era pouco disponível e cara, por disponibilidade imediata do aparelho de raio X e pela expectativa de que algum exame seja feito. A recomendação, no entanto, mudou faz tempo, e campanhas de uso racional de recursos incluem a radiografia simples de seios entre os exames a não solicitar.
Existe um exame de sangue que confirme sinusite bacteriana?
Não existe exame que faça essa separação sozinho. Marcadores inflamatórios podem estar elevados tanto em quadros virais quanto bacterianos e, isoladamente, não decidem a conduta. A distinção continua sendo feita pelo padrão de evolução dos sintomas no tempo, que é o que a avaliação clínica examina.
Referências
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Avaliação com otorrino em Brasília
Quadros de sinusite que voltam várias vezes no ano, sintomas nasais que passam de doze semanas, laudo de imagem que não bate com o que se sente, tratamento que não resolveu no prazo esperado ou dúvida sobre qual exame realmente faz falta merecem exame das vias aéreas superiores. É essa avaliação que fecha o diagnóstico pelos critérios clínicos, decide se algum exame é necessário e escolhe qual. Ela é feita em consulta com otorrino em Brasília. A Clínica OtoCare atende adultos e crianças no Setor Noroeste.
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