Desvio de septo: sintomas, graus e quando fazer a cirurgia

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

Desvio de septo é comum, mas nem todo desvio precisa de cirurgia

A cirurgia de desvio de septo, chamada de septoplastia, é uma das cirurgias mais antigas e mais feitas pelos otorrinos. Mesmo assim, ela tem uma indicação bem precisa. Ter desvio de septo é muito comum, e a maioria das pessoas com desvio não precisa operar.

O que decide é a respiração. A cirurgia é indicada quando o desvio é obstrutivo, atrapalha a passagem do ar e continua atrapalhando depois de três meses de tratamento com lavagem nasal e corticoide nasal. Esta orientação explica como reconhecer o desvio, como ele é medido e quando a cirurgia passa a valer a pena.

Ilustração do nariz em corte com o septo nasal desviado entre as duas cavidades, ao lado da Dra. Larissa Vilela fechando uma narina com o dedo para testar a respiração pela outra

O que é o desvio de septo

O septo nasal é a estrutura bem no centro do nariz. Na parte da frente ele é de cartilagem e, lá no fundo, de osso. Em teoria, o septo deveria ser reto, sustentar o nariz e separar as duas narinas em espaços parecidos.

No desvio de septo, essa parede fica lateralizada, ou seja, jogada para um dos lados. Se o septo está desviado para a esquerda, por exemplo, a narina esquerda fica muito pequena, e o ar passa com dificuldade por ela.

O desvio é bem comum na população. Mais de 70% das pessoas têm algum grau de desvio de septo. A ENT Health, site de informação ao paciente da academia americana de otorrinolaringologia, estima que até 80% das pessoas tenham o septo fora do centro. Na maioria delas, o desvio é pequeno e não causa sintoma nenhum.

Causas do desvio de septo

Muitas vezes o desvio já existe ao nascer. Um estudo clássico examinou mais de 2 mil recém-nascidos e encontrou o septo reto em 42% deles. Nos outros, o septo já estava desviado ou dobrado, o que os autores atribuíram à pressão sobre o rosto durante a gestação ou o parto.

O septo também pode entortar depois de uma pancada ou fratura do nariz. Segundo a ENT Health, pessoas sem nenhuma história de trauma, com crescimento normal, também podem ter desvio de septo.

Sintomas do desvio de septo

O sintoma principal é a dificuldade para respirar pelo nariz, em geral pior de um lado. Ela aparece em situações bem típicas:

  • na hora de deitar para dormir, quando o nariz entope e atrapalha a respiração;
  • no sono, com ronco em alguns pacientes;
  • na atividade física, com a sensação de falta de fôlego e de que a respiração está difícil;
  • no dia a dia, quando a pessoa percebe que não consegue respirar pelo nariz e respira só pela boca.

Quando o desvio é significativo, ele também pode favorecer sangramentos nasais e piorar o ronco. Os sinais e as consequências da respiração pela boca estão na orientação sobre respirador bucal.

Muitas pessoas não sabem dizer se respiram bem. Com o tempo, o corpo se acostuma até com a respiração ruim. Prestando atenção, porém, muita gente com desvio percebe que respira mal no dia a dia, ou que à noite não consegue ficar só com o nariz e acaba abrindo a boca para respirar.

Como saber se o desvio atrapalha: teste em casa

Um teste simples ajuda a perceber se as duas narinas funcionam de forma parecida. Feche uma narina com o dedo e respire só pela outra, com três respirações profundas. Depois troque de lado e respire só pela narina que estava fechada.

Compare os dois lados. O normal é respirar de forma proporcional pelas duas narinas. Se um lado passa bem menos ar, ou se fica difícil respirar por uma das narinas, vale a pena uma avaliação com o otorrino. O teste não substitui o exame, mas ajuda quem já se acostumou com o nariz entupido a perceber o problema.

O outro lado do nariz compensa o desvio?

É uma dúvida muito comum. Se o septo está jogado para a direita, o espaço do lado esquerdo fica maior, e parece lógico que esse lado compense. Infelizmente, não compensa.

O motivo está na entrada do nariz, que é limitada. Para compensar de verdade, o lado contrário ao desvio precisaria ter uma abertura maior na entrada, por onde passaria mais ar. Isso não acontece. Por mais que o espaço aumente lá dentro, a respiração pelo lado bom quase não aumenta. E, do lado do desvio, quando a obstrução é importante, a passagem do ar fica muito restrita.

Graus do desvio de septo

O desvio de septo pode ser classificado pelo grau de obstrução, em uma escala de 1 a 4. Ela compara o espaço que a fossa nasal deveria ter com o espaço que sobrou por causa do desvio.

  • Grau 1, desvio leve, que obstrui até 20% a 25% da fossa nasal.
  • Grau 2, desvio leve a moderado, que obstrui entre 25% e 50%.
  • Grau 3, desvio já obstrutivo, que obstrui entre 50% e 75%.
  • Grau 4, desvio que obstrui praticamente todo o lado do nariz, mais de 75%, e chega a encostar na parede lateral do nariz.

Os desvios realmente obstrutivos são os de grau 3 e 4. Quem tem um desvio desses graus provavelmente tem algum grau de obstrução e algum impacto nas atividades do dia a dia, mesmo sem perceber com clareza.

Como é feito o diagnóstico

O grau do desvio é medido pela videoendoscopia nasal. Uma câmera bem fina entra pelas duas narinas e mostra o septo por dentro. Com ela se vê a proporção entre o espaço que a fossa nasal deveria ter e o espaço que ela tem com o desvio, e assim se faz a classificação. Na OtoCare, o exame é feito na própria clínica, como explica a página da nasofibrolaringoscopia.

O mesmo exame mostra se existem outras causas de nariz entupido junto com o desvio, como os cornetos inchados pela rinite, pólipos ou, nas crianças, a adenoide. Muitas vezes o desvio não é o único responsável. A diferença entre essas causas está na orientação sobre carne esponjosa no nariz.

Tratamento do desvio de septo antes da cirurgia

Quando o paciente chega com o desvio, a cirurgia não é indicada de imediato. Mesmo sendo um problema de cartilagem e osso desviados, o tratamento começa sempre com três meses de lavagem nasal e corticoide nasal em spray. Existem diversos corticoides nasais no mercado, como a budesonida e o furoato de fluticasona, do Avamys®.

O motivo é que muitas vezes existe um processo inflamatório somado ao desvio. Pode ser uma rinite, ou uma gripe recente que deixou o nariz todo mais congestionado. No dia do exame, o desvio pode parecer bem mais obstrutivo do que é. Depois de três meses, o paciente é reavaliado com a mesma videoendoscopia nasal.

O corticoide e a lavagem não endireitam o septo. Eles tratam a inflamação e, com ela controlada, o novo exame mostra quanto da obstrução vem de fato do desvio. Para que funcionem, a técnica importa. O jato do spray vai para a lateral do nariz, longe do septo, como explica a orientação sobre como usar spray nasal, e a lavagem é feita como mostra a orientação sobre quem precisa fazer lavagem nasal.

O descongestionante nasal, aquele que desentope na hora, não faz parte desse tratamento. Usado por mais de poucos dias, ele causa efeito rebote e dependência, como explica a orientação sobre descongestionante nasal.

Quando fazer a cirurgia de desvio de septo

Se, depois dos três meses de tratamento, o exame mostra que o desvio continua obstrutivo e trazendo um impacto importante na passagem do ar, existe a indicação da cirurgia. A indicação absoluta da septoplastia é o desvio de septo obstrutivo que não melhora com três meses de corticoide nasal.

Os estudos mostram que, no desvio que obstrui o nariz, a cirurgia faz diferença. No estudo NAIROS, feito no Reino Unido e publicado em 2023, 378 adultos com nariz entupido por desvio de septo foram sorteados para a septoplastia ou para seis meses de spray de corticoide e soro. Seis meses depois, quem operou tinha bem menos sintomas no nariz, e a melhora foi maior em quem tinha mais sintomas no início.

A septoplastia é feita por dentro do nariz. A cartilagem e o osso desviados são corrigidos, remodelados ou retirados, e o septo volta para o meio. Quando os cornetos também estão aumentados, eles podem ser tratados no mesmo tempo cirúrgico. Como a cirurgia é feita, a anestesia, os splints e a recuperação estão na página da septoplastia em Brasília.

Desvio de septo causa sinusite?

É uma dúvida muito comum de quem tem sinusite atrás de sinusite, precisa tomar antibiótico toda hora e descobre que tem desvio de septo. Muito provavelmente, a sinusite não é por causa do desvio. Estudos bem feitos não encontraram uma relação com significância estatística entre o desvio de septo e o aumento do risco de sinusite. As rinossinusites têm outros fatores.

Uma revisão que reuniu vários estudos encontrou uma associação pequena entre os dois. Nos estudos que olharam o lado da inflamação, ela aparecia dos dois lados do nariz, e não só do lado do desvio, e o desvio entra como um entre muitos fatores possíveis. O peso do desvio em cada caso de sinusite é avaliado na consulta.

Na cirurgia da sinusite, o septo só é corrigido junto quando o desvio dificulta o acesso aos seios da face e limita o trabalho do cirurgião. Não é que o desvio cause a sinusite. Por isso, operar só o septo em quem tem sinusite de repetição talvez não resolva o quadro. Por que os episódios voltam e o que interrompe o ciclo está na orientação sobre sinusite de repetição.

Desvio de septo, ronco e respiração pela boca

Quando o nariz não deixa o ar passar, a pessoa respira pela boca durante o sono, e isso favorece o ronco. O desvio que obstrui o nariz está entre as causas, ao lado dos cornetos aumentados, dos pólipos e da rinite. As outras causas e quando o ronco é perigoso estão na orientação sobre ronco.

Na criança, o desvio de septo não é uma causa comum de ronco, mas pode acontecer, principalmente depois de uma pancada no nariz. Os sinais que pedem avaliação estão na orientação sobre ronco em criança.

Septoplastia, rinoplastia e rinosseptoplastia: a diferença

A septoplastia corrige o septo e tem um único objetivo, que é melhorar a função do nariz, ou seja, a respiração. Ela é feita por dentro e não muda o formato do nariz. A rinoplastia muda a parte de fora do nariz e tem objetivo estético, e a rinosseptoplastia une as duas. O que cada cirurgia faz, quando é indicada, a recuperação e a cobertura do plano estão na orientação sobre rinoplastia, septoplastia ou rinosseptoplastia.

Vídeo: quando fazer a cirurgia de desvio de septo?

No vídeo, os graus do desvio de septo, o tratamento de três meses antes da cirurgia, a relação com a sinusite e o teste de respirar por uma narina de cada vez são explicados passo a passo.

Perguntas frequentes

Desvio de septo tem cura sem cirurgia?

Não. O desvio é uma torção da cartilagem e do osso, e nenhum remédio deixa o septo reto de novo. O que o tratamento com lavagem nasal e corticoide nasal faz é reduzir a inflamação que se soma ao desvio e piora a respiração. A maioria das pessoas com desvio pequeno não precisa de tratamento nenhum. Quando o desvio é obstrutivo e continua atrapalhando depois do tratamento, a correção é a cirurgia.

Desvio de septo grau 1, 2 ou 3 precisa de cirurgia?

Os graus 1 e 2 em geral não são considerados obstrutivos e não pedem cirurgia. Os graus 3 e 4 são os obstrutivos, mas mesmo neles a cirurgia não é o primeiro passo. Primeiro vêm três meses de tratamento e um novo exame. A indicação aparece quando o desvio continua obstrutivo e atrapalhando a respiração.

Budesonida, Nasonex® ou Avamys® servem para desvio de septo?

Eles fazem parte do tratamento, mas não corrigem o desvio. Esses sprays de corticoide tratam a inflamação da mucosa, como a da rinite, que muitas vezes está por trás de boa parte do nariz entupido. São usados nos três meses de tratamento antes de decidir sobre a cirurgia. A técnica certa de aplicação está na orientação sobre corticoide nasal.

Desvio de septo pode causar ronco e apneia?

O desvio que obstrui o nariz pode piorar o ronco, porque leva a pessoa a respirar pela boca durante o sono. Na apneia, a correção do nariz melhora a respiração e o sono. Na apneia leve ela pode resolver, mas na moderada ou grave, sozinha, costuma ter pouco efeito sobre as paradas respiratórias, como explica a orientação sobre cirurgia de desvio de septo no ronco e na apneia. As opções para cada caso estão na orientação sobre tratamento para ronco e apneia.

Desvio de septo pode causar sangramento nasal?

Pode. O desvio pode favorecer sangramentos pelo nariz, e a ENT Health, site de informação ao paciente da academia americana de otorrinolaringologia, também cita os sangramentos repetidos entre as possíveis consequências. Ainda assim, a causa mais comum do nariz sangrando é o ressecamento da mucosa na frente do septo, como explica a orientação sobre sangramento nasal.

Desvio de septo pode causar dor de cabeça?

Não é um sintoma típico. A ENT Health cita a dor de cabeça por ponto de contato, quando o septo encosta na parede lateral do nariz, entre os quadros que podem acompanhar o desvio. Na maioria das vezes, porém, a dor de cabeça tem outra causa, e a diferença entre as mais confundidas está na orientação sobre sinusite ou enxaqueca.

Desvio de septo é de nascença?

Pode ser. Boa parte dos bebês já nasce com o septo um pouco desviado ou dobrado, o que se atribui à pressão sobre o rosto na gestação ou no parto. O desvio também pode surgir depois de uma pancada no nariz, e aparece em pessoas que nunca tiveram trauma nenhum.

Desvio de septo é grave?

Não é uma doença perigosa. É uma variação muito comum da anatomia do nariz. O problema é o impacto na respiração quando o desvio é obstrutivo, com nariz entupido, sono pior e cansaço no exercício. Nesses casos, ele merece avaliação e tratamento.

Qual médico trata desvio de septo?

O otorrinolaringologista. É ele quem examina o nariz por dentro com a câmera, mede o grau do desvio, trata a inflamação e indica a cirurgia quando ela é necessária.

Desvio de septo, carne esponjosa e adenoide são a mesma coisa?

Não. O septo é a parede do meio do nariz. Carne esponjosa é o nome popular dos cornetos, nas paredes laterais, que incham com a rinite. A adenoide é um tecido de defesa no fundo do nariz, mais importante nas crianças. Os três podem entupir o nariz e às vezes aparecem juntos. As diferenças estão nas orientações sobre carne esponjosa no nariz e sobre como tratar a adenoide.

Criança pode operar desvio de septo?

Em casos selecionados. Na criança, o desvio de septo não é uma causa comum de ronco, e a adenoide e a rinite aparecem com mais frequência. Quando o desvio é importante, muitas vezes depois de uma pancada, a cirurgia pode ser considerada. Uma revisão de estudos não encontrou prejuízo importante ao crescimento do rosto depois da septoplastia na infância, com evidência ainda limitada, e a decisão é tomada caso a caso.

Criança com desvio de septo pode fazer lavagem nasal?

Pode e deve, quando o nariz está entupido ou com secreção. A lavagem não corrige o desvio, mas limpa o nariz e ajuda a respiração. O dispositivo e o volume mudam com a idade, como mostra a orientação sobre lavagem nasal em crianças.

Septoplastia muda o formato do nariz?

Não. O objetivo da septoplastia é só a respiração. Quem também quer mudar a forma do nariz precisa de outro planejamento, como a rinosseptoplastia.

O desvio de septo pode voltar depois da cirurgia?

Pode acontecer. Segundo a MedlinePlus, biblioteca de saúde dos Estados Unidos, a volta da obstrução nasal está entre os riscos descritos da septoplastia e, às vezes, exige nova cirurgia. O acompanhamento no pós-operatório ajuda a perceber cedo qualquer problema.

Como é a recuperação da septoplastia?

Na septoplastia isolada, o pós-operatório costuma ser bem tolerado, e a principal queixa é o nariz entupido dos primeiros dias. Os prazos de retirada dos splints e de volta à academia estão na página da septoplastia em Brasília, e os cuidados com a limpeza do nariz estão na orientação sobre lavagem nasal no pós-operatório.

Referências

  1. VILELA, Larissa. Quando fazer a cirurgia de desvio de septo? YouTube, 16 maio 2026. 1 vídeo (8 min 4 s). Disponível em: https://youtu.be/Ux_2Sp5ITmk. Acesso em: 4 out. 2026.
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Avaliação do desvio de septo na OtoCare, em Brasília

Na consulta com otorrino na OtoCare, no Noroeste de Brasília, o nariz é examinado com a câmera, o grau do desvio é medido e o tratamento é planejado, com a reavaliação depois de três meses e a indicação da septoplastia quando ela é necessária. Outras orientações estão na página de orientações aos pacientes.