Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
O headphone é o melhor fone para os ouvidos
Pensando na saúde dos ouvidos, os melhores fones são os que isolam o som do ambiente. Com o barulho de fora bloqueado, dá para ouvir bem em volume mais baixo, e isso protege a audição. Dos quatro tipos de fone, dois isolam bem. O headphone, que envolve toda a orelha, é a primeira opção, e o intra-auricular com ponta de silicone vem logo depois.
O fone, por si só, não é o problema. O que pode lesar a audição, com qualquer modelo, é o volume alto, e o risco cresce com as horas de uso sem descanso. As duas regras do quadro abaixo valem para todos os fones.

Volume da metade para baixo. Deixe a barra de volume do celular sempre na metade ou abaixo dela e, a cada hora de uso, faça uma pausa de 15 minutos.
Quais são os tipos de fone de ouvido?
Existem quatro tipos principais de fone, que se diferenciam pela posição em relação à orelha:
- Auricular: fica apoiado na entrada do ouvido, sem vedar o canal. É o formato dos fones simples de encaixe.
- Intra-auricular: tem uma ponta de silicone ou espuma que entra no canal e o veda.
- Supra-auricular: é um fone de arco com almofadas apoiadas sobre a orelha, sem envolvê-la.
- Circum-auricular, o headphone: tem conchas que envolvem toda a orelha.
Para o ouvido, o critério que mais pesa é o isolamento sonoro. Quando o fone isola o som do ambiente, a música ou a voz ficam claras em volume menor. Quando não isola, como costuma acontecer com os auriculares e os supra-auriculares, a pessoa tende a aumentar o volume para vencer o barulho da rua, do ônibus ou do escritório, e esse aumento agride a audição. Por isso esses dois tipos são os menos indicados quando a escolha é feita pensando no ouvido.
Por que o headphone é a primeira opção?
O headphone reúne as duas qualidades que mais importam para o ouvido. As conchas envolvem toda a orelha, isolam o ruído externo e permitem ouvir com qualidade em volume baixo. E, como fica do lado de fora, ele não precisa ser colocado dentro do ouvido. Não há risco de inflamar a pele do canal nem de o fone não encaixar em determinado formato de ouvido.
A diferença para o supra-auricular, que também tem arco, está nas almofadas. No supra-auricular, elas só se apoiam sobre a orelha e isolam menos o som de fora.
As desvantagens são práticas. O headphone costuma ser mais caro e, por ser maior, é mais difícil de levar para todas as atividades. Mesmo assim, pensando no ouvido, ele é o ideal, sobretudo para quem usa fone por muitas horas no trabalho ou nos estudos.
Os modelos com cancelamento ativo de ruído reforçam o isolamento, porque reduzem eletronicamente o barulho do ambiente. A Organização Mundial da Saúde recomenda fones bem ajustados e com cancelamento de ruído justamente para que a pessoa não precise aumentar o volume em lugares barulhentos.
O fone intra-auricular faz mal ao ouvido?
Para a maioria das pessoas, não, desde que usado com volume baixo e pausas. A ponta de silicone veda o canal do ouvido e isola o som do ambiente, e o fone tem a vantagem de ser leve, prático e fácil de carregar. Por isso ele é a segunda opção para quem pensa na audição.
O problema aparece em pessoas com o canal do ouvido mais estreito. Nesses casos, a ponta pode não encaixar, o fone não veda e o isolamento se perde; muitas vezes a pessoa simplesmente não consegue usá-lo.
Outro ponto é a pele do canal. Colocar e tirar o fone muitas vezes, ou ficar com ele por longos períodos, é um trauma mecânico repetido, que pode favorecer a otite externa em quem já tem predisposição, como quem tem o canal estreito ou já teve inflamações no ouvido. Os hábitos que protegem essa pele estão nas orientações sobre como evitar otite externa e sobre cotonete no ouvido.
Para reduzir esse risco, mantenha as pontas limpas e dê intervalos ao ouvido. Coceira, dor ou secreção no ouvido de quem usa fone intra-auricular são motivo para interromper o uso e procurar avaliação.
Fone de ouvido faz mal para a audição?
Pode fazer, se o som for alto, principalmente quando o uso se estende por horas. Um grupo chama atenção nesse ponto. Os adolescentes, numa idade em que a perda auditiva não deveria ser comum, vêm apresentando um aumento importante de casos ligados ao excesso de som ao longo do dia, principalmente pelos fones.
No fone, o som chega ao ouvido de forma muito mais direta. Isso dá uma experiência sonora melhor, mas também traz prejuízo quando o uso não é cuidadoso. Um volume muito alto pode causar pequenas lesões no ouvido interno, sobretudo quando a exposição se prolonga. Acima de 80 decibéis, o som já pode causar perda auditiva se a exposição durar algum tempo, e quanto mais alto o volume, pior. Dependendo da intensidade, até uma única música no volume máximo pode lesar o ouvido.
Pelos dados do NIDCD, órgão do governo americano dedicado à audição, a música no fone em volume máximo fica entre 94 e 110 decibéis. A lesão atinge as células sensoriais da cóclea e não se refaz.
A Organização Mundial da Saúde descreve como esse dano se instala. No começo, o som alto cansa as células do ouvido, e o resultado pode ser zumbido ou uma queda de audição que passa. Com a exposição repetida, as células se lesam de forma permanente, e a perda auditiva induzida por ruído não tem volta.
Quem trabalha com música alta, como os DJs, segue as mesmas regras de volume e de pausa. Nas festas barulhentas, o protetor auditivo também ajuda, como mostra a orientação sobre surdez por impacto e som alto.
O vídeo a seguir responde se o fone pode causar perda auditiva e mostra como usá-lo com segurança no dia a dia.
Qual é o volume seguro no fone de ouvido?
O volume, ou intensidade sonora, é o fator que mais pesa na proteção da audição. Volumes altos dão uma experiência sonora mais intensa, mas, pensando no ouvido, o certo é escutar sempre no menor volume que ainda permite ouvir bem.
A regra prática está na barra de volume do celular, do computador ou de qualquer aparelho eletrônico, que deve ficar sempre da metade para baixo. Assim fica fácil perceber se o som passou do ponto. E, abaixo da metade, quanto menor o volume, melhor para o ouvido.
A Organização Mundial da Saúde fala em não passar de 60% do volume máximo do aparelho, e a regra da metade fica dentro dessa margem. A OMS também sugere um teste simples. Se for preciso levantar a voz para ser ouvido por alguém a um braço de distância, o som está alto demais.
Alguns celulares acompanham a exposição ao som. No iPhone, por exemplo, as notificações de fone de ouvido avisam quando a exposição dos últimos sete dias passa do limite recomendado e baixam o volume na próxima conexão do fone. O ajuste Limite de Volume reduz sozinho o som que passa do nível escolhido.
Quanto tempo pode usar fone de ouvido?
Além do volume, o tempo de exposição conta. Quem precisa do fone no trabalho ou por um período do dia pode usá-lo, desde que o ouvido tenha descanso. A orientação é a cada uma hora de uso, cerca de 15 minutos sem fone. Ao perceber que já passou uma hora, tire o fone, desligue o som e deixe o ouvido descansar.
Assim como os olhos precisam de descanso das telas, os ouvidos precisam de descanso do som. As pausas ajudam as células do ouvido interno a se recuperar do estímulo sonoro e, no caso do intra-auricular, também deixam a pele do canal descansar.
Sempre que der, vale trocar o fone pelo som ambiente, como o alto-falante do computador num lugar silencioso, porque ouvir sem fone é mais saudável para o ouvido.
Fone de ouvido faz mal para criança?
As mesmas regras de volume e de pausa valem para as crianças. A Organização Mundial da Saúde lembra que usar fone nas aulas on-line não é necessariamente perigoso para a audição da criança, mas seguir as práticas de escuta segura reduz o risco de perda auditiva.
O padrão para aparelhos de escuta segura, criado pela OMS com a União Internacional de Telecomunicações, prevê um modo próprio para crianças, com limite semanal de exposição mais baixo que o dos adultos, calculado a 75 decibéis. Prevê também um controle de volume para os pais, protegido por senha. Nos celulares e tablets que têm esses recursos, eles podem ser ativados no aparelho da criança.
Para os adolescentes, que costumam passar mais horas com fone, o acompanhamento da audição tem calendário próprio, explicado na orientação sobre audiometria em crianças.
Fone Bluetooth faz mal para o cérebro?
O fone Bluetooth se comunica com o celular por ondas de rádio, o mesmo tipo de onda que o celular usa. Uma revisão sistemática encomendada pela Organização Mundial da Saúde e publicada em 2024 reuniu 63 artigos e concluiu, com certeza moderada, que as ondas de rádio do celular usado junto à cabeça provavelmente não aumentam o risco de tumores no cérebro.
Para o ouvido, com fio ou sem fio, o que pesa continua sendo o volume e as horas de uso. A escolha entre um e outro pode ser feita pelo conforto e pela praticidade.
Quando procurar o otorrino?
Procure avaliação se, depois de usar fone, surgirem zumbido que não passa, sensação de ouvido abafado, dificuldade para entender conversas, principalmente ao telefone ou em lugares barulhentos, ou necessidade de aumentar o volume cada vez mais. Esses sinais podem indicar que o ouvido já está sofrendo com a exposição ao som, e a audiometria mostra se já há perda auditiva.
A dificuldade para ouvir sons agudos é um dos sinais citados pela OMS. A audiometria de altas frequências, também feita na OtoCare, complementa a avaliação de quem se expõe com frequência a som alto.
Uma queda súbita da audição, depois de um som muito alto ou sem causa aparente, precisa de avaliação médica sem demora.
O teste de audição de alguns fones serve de alerta, mas não substitui a audiometria. Esse teste e o modo aparelho auditivo dos AirPods funcionam no Brasil desde 2025, e quem usa o fone para ouvir melhor segue os mesmos cuidados com volume e pausas.
O excesso de som ao longo da vida soma-se ao envelhecimento natural do ouvido, tema da orientação sobre surdez com a idade. Para quem já tem zumbido, veja também as dicas para o zumbido no ouvido.
Vídeo: qual é o melhor fone para os ouvidos?
O vídeo abaixo apresenta os tipos de fone de ouvido, compara o intra-auricular e o headphone e traz as dicas de volume e de pausas para proteger a audição.
Perguntas frequentes
Fone com cancelamento de ruído faz mal?
Não. O ouvido ganha com ele, porque com menos barulho de fundo o volume pode ficar mais baixo. O cuidado é outro. Como o cancelamento diminui a percepção do que acontece ao redor, desative-o ao andar na rua, correr ou atravessar o trânsito.
Dormir com fone de ouvido faz mal?
Não é o ideal. A noite inteira de fone tira as pausas que o ouvido precisa a cada hora e, no intra-auricular, deixa o fone no canal por um longo período, o que pode favorecer a otite externa em quem tem predisposição. Se precisar de som para dormir, deixe o volume o mais baixo possível.
Fone de condução óssea protege a audição?
Ele deixa o canal livre, mas o som continua chegando ao ouvido interno, agora pela vibração do osso. Por isso o volume e as pausas valem da mesma forma para esse tipo de fone.
Ouvir música no fone em volume baixo faz mal?
Não. Volume baixo é a forma recomendada de usar o fone, e quanto menor o volume que permite ouvir bem, melhor. Mesmo assim, as pausas continuam valendo nas horas seguidas de uso, porque a exposição ao som se acumula ao longo do tempo.
Compartilhar ou emprestar fone de ouvido faz mal?
Dividir o fone que entra no canal não é uma boa ideia. Num estudo de 2025 com 50 pessoas na Arábia Saudita, as culturas encontraram bactérias em 16% a 24% dos fones, conforme o grupo, e os sintomas no ouvido estiveram associados ao hábito de compartilhar o fone. Se precisar emprestar, limpe as pontas antes de voltar a usar.
Posso usar fone de ouvido com o ouvido entupido?
Não é o ideal. O ouvido tampado tem várias causas possíveis, como cera acumulada, otite ou, mais raramente, surdez súbita, e cada uma pede um cuidado diferente. Na otite externa, os fones que entram no canal ficam de lado até o ouvido melhorar. Aumentar o volume para compensar só soma mais som a um ouvido que já não está bem, e o ouvido que continua tampado precisa ser examinado.
Parar de usar fone de ouvido melhora a audição?
Depende do tipo de alteração. O zumbido e o ouvido abafado que aparecem depois de um som alto podem passar com o descanso. Já a lesão permanente não volta. Mesmo assim, reduzir o volume e o tempo de fone ajuda a evitar que ela avance, e quem já tem perda auditiva ganha ainda mais com esses cuidados.
Referências
- VILELA, Larissa. Qual é o melhor fone para os ouvidos? YouTube, 24 jun. 2023. 1 vídeo (4 min 32 s). Disponível em: https://youtu.be/rM263sZp2ik. Acesso em: 6 out. 2026.
- VILELA, Larissa. FONES DE OUVIDO podem causar perda auditiva? Como usar com SEGURANÇA? YouTube, 17 abr. 2025. 1 vídeo (3 min 41 s). Disponível em: https://youtu.be/DqciLZa6iW8. Acesso em: 6 out. 2026.
- VILELA, Larissa. Sou DJ ou trabalho com MÚSICA ALTA: como PROTEGER minha audição? YouTube, 28 abr. 2025. 1 vídeo (2 min 19 s). Disponível em: https://youtu.be/iSCWPzSVhnw. Acesso em: 6 out. 2026.
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- NATIONAL INSTITUTE ON DEAFNESS AND OTHER COMMUNICATION DISORDERS (NIDCD). Noise-induced hearing loss. Bethesda: NIDCD, 16 abr. 2025. Disponível em: https://www.nidcd.nih.gov/health/noise-induced-hearing-loss. Acesso em: 6 out. 2026.
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- ALKHALIFAH, A. et al. Earphone use habits and their association with auditory and dermatologic complications. Scientific Reports, v. 15, art. 41848, 2025. DOI: 10.1038/s41598-025-25914-4. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41290829/. Acesso em: 6 out. 2026.
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