Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
Impactos fortes na região do ouvido podem lesionar o tímpano e alterar a audição
Tapas, socos, quedas e qualquer batida mais forte na lateral do rosto podem atingir o ouvido e trazer consequências diretas para a audição. A pancada pode causar sangramento na membrana do tímpano e até abrir uma perfuração. Quando a audição cai depois do trauma, fala-se em surdez por impacto, ou surdez traumática.
Os casos chegam ao consultório do otorrino por caminhos muito diferentes. Há pacientes que perfuraram o tímpano com um tapa no ouvido, outros que levaram um soco durante a prática de luta e outros que caíram na água com o rosto batendo direto na superfície. Em todos eles, foi a força do impacto sobre a orelha que rompeu a membrana.
Nem toda pancada provoca a mesma lesão. O resultado depende da força do trauma, do ponto atingido e das partes do ouvido que receberam o golpe. Por isso, os sintomas que começam logo depois da batida merecem atenção, e só o exame mostra o que de fato aconteceu.

Depois de uma pancada no ouvido, dor forte dentro do ouvido, audição abafada, zumbido ou tontura que continuam indicam uma possível lesão. Nesses casos, o ouvido precisa ser examinado pelo otorrino, e a consulta na OtoCare avalia o tímpano e a audição.
Quais sintomas podem aparecer depois de um impacto no ouvido?
Quando o trauma atinge o ouvido, em geral vem uma dor de ouvido muito forte. A pessoa costuma separar bem as duas dores. A do rosto é a da pancada na pele. A do ouvido é mais intensa, vem de dentro e é diferente de tudo o que se sente na face.
Junto com a dor, outros sinais podem aparecer.
- Perda de audição que chega de forma brusca, com os sons mais baixos, abafados ou distantes do lado atingido. Muitas vezes a pessoa diz, logo depois do tapa, que não consegue escutar daquele ouvido.
- Zumbido, um apito ou chiado que começa depois da pancada.
- Tontura, em alguns casos, quando o impacto é maior.
- Sangramento, com pontos de sangue na membrana do tímpano e, às vezes, saída de sangue pelo ouvido.
A falta de sangue visível não descarta uma perfuração. O tímpano fica no fundo do canal do ouvido, e só o exame mostra se ele continua inteiro. Quando a audição cai de repente sem nenhuma pancada, o quadro é outro, explicado na orientação sobre surdez súbita.
O que acontece com o tímpano durante o trauma?
O tímpano é uma membrana fina e transparente que fecha o fundo do canal do ouvido. Ele separa o canal da orelha média, recebe o som e passa a vibração para os ossículos, três ossinhos que levam o som até a orelha interna.
Na bofetada, a mão cobre a entrada do ouvido por um instante e comprime de uma vez o ar que está dentro do canal. Essa pressão súbita bate na membrana, que pode ficar com vários pontos de hematoma, de sangue que extravasou com o impacto, ou se romper. Um soco, um golpe de luta, a queda com o rosto na água e a explosão próxima podem agir de modo parecido, pelo aumento brusco da pressão.
Com o furo, o som passa a ser conduzido com menos eficiência, e a audição fica abafada daquele lado. A orelha média também fica aberta para o que entra pelo canal, inclusive a água.
Quando a força é maior, a lesão pode ir além do tímpano. Os ossículos podem se deslocar ou se quebrar, e a orelha interna, que converte a vibração em sinal nervoso, pode ser atingida. Segundo o Manual MSD, a perda de audição é mais grave nesses casos, e a lesão da orelha interna também pode causar vertigem.
Existem, portanto, dois tipos de perda. Na perda condutiva, o som tem dificuldade para alcançar a orelha interna, como acontece no tímpano furado. Na perda neurossensorial, o som chega, mas a orelha interna ou o nervo não conseguem transformá-lo em sinal. A audiometria separa os dois tipos e mede quanto da audição foi afetado.
Estouro, explosão e barulho muito alto: o trauma acústico
O ouvido também pode ser lesado sem nenhuma pancada, só pela força do som. Um grito muito perto do ouvido, um estouro ou uma explosão podem machucar a orelha interna. Essa condição se chama trauma acústico e pode deixar perda auditiva ou apenas zumbido como consequência.
O que decide a evolução é a intensidade do estímulo sonoro. No trauma leve ou moderado, o quadro costuma ser passageiro. O paciente melhora, muitas vezes sem remédio e outras vezes com a medicação indicada na consulta. No trauma mais grave, é comum ficar sequela, com perda auditiva e zumbido que não passam.
A explosão soma os dois mecanismos. O barulho intenso atinge a orelha interna, e a onda de pressão pode romper o tímpano ou danificar os ossículos, segundo o NIDCD, órgão do governo americano que estuda a audição. Bombinhas, fogos de artifício perto do rosto e tiros são exemplos comuns.
O apito depois de um show ou de uma festa barulhenta é a forma mais frequente de trauma acústico. O que fazer nesses dias está em dicas para aliviar o zumbido no ouvido, e os cuidados para não acumular dano estão em como cuidar da audição.
Pancada na cabeça também pode atingir o ouvido
O ouvido fica dentro do osso temporal, na lateral e na base do crânio. Uma batida forte na cabeça, como num acidente de carro ou numa queda de altura, pode chegar ao ouvido mesmo quando a orelha não foi o ponto atingido.
Quando esse osso se quebra, a fratura pode romper o tímpano e lesar os ossículos, a cóclea, que é o órgão da audição, o labirinto, que cuida do equilíbrio, e o nervo que movimenta o rosto. Segundo o Manual MSD, a perda de audição depois da fratura muitas vezes melhora sem tratamento, e os ossículos lesados podem ser reparados com cirurgia.
A pancada forte na cabeça também é uma causa relativamente frequente de VPPB, a vertigem posicional paroxística benigna. O impacto tira do lugar os cristais que ficam dentro do labirinto, e a pessoa passa a ter uma tontura em que tudo roda ao deitar, ao levantar ou ao olhar para cima. Essa tontura tem tratamento com manobras, como explica a orientação sobre tontura após traumatismo craniano.
Alguns sinais são raros, mas pedem cuidado depois de qualquer trauma na cabeça ou no ouvido, como saída de líquido claro pelo ouvido ou pelo nariz, fraqueza ou paralisia de um lado do rosto, mancha roxa atrás da orelha, tontura intensa que não melhora e perda súbita e importante da audição. Esses sinais precisam de avaliação médica sem demora.
O que fazer quando a audição muda depois de um impacto?
A regra prática é olhar para os sintomas do ouvido. Se a pancada deixou dor de ouvido intensa, alteração da audição, zumbido ou tontura que persistem, o ideal é passar pelo otorrino, porque existe uma grande chance de ter acontecido alguma lesão, inclusive a perfuração do tímpano.
Se foi só a dor da batida, sem nenhum sintoma no ouvido, e a pessoa está bem, a princípio basta observar. Se algum sintoma do ouvido aparecer nos dias seguintes, a avaliação passa a ser indicada.
Até o exame, alguns cuidados evitam piorar uma lesão que ainda não foi vista. O ouvido fica seco no banho, nenhum objeto entra no canal e nenhuma gota é pingada por conta própria. A lavagem de ouvido também fica para depois, porque com o tímpano aberto ela pode levar infecção para dentro.
Como é a avaliação e o tratamento na OtoCare
As lesões que podem acontecer no ouvido são diversas e dependem da força do trauma. Por isso, o mais importante é avaliar com cuidado o que aconteceu e escolher a medida certa para cada tipo de lesão.
Na OtoCare, a consulta começa pelo exame do canal e do tímpano com luz e aumento, o que na maioria das vezes basta para ver uma perfuração. Quando há queixa de audição, a audiometria mede a perda e mostra se ela é condutiva ou neurossensorial.
O tratamento muda conforme a lesão. Algumas vezes são necessárias medicações. Outras vezes entra o antibiótico, sobretudo quando o ouvido foi contaminado por água ou por um objeto sujo, ou quando aparece secreção. Em muitos casos, as orientações de proteção do ouvido são o ponto central para uma boa recuperação.
Nos traumas maiores, com suspeita de fratura do osso temporal, a investigação inclui exame de imagem do crânio, além da avaliação da audição e do movimento do rosto.
Por que um tímpano perfurado precisa ficar protegido da água?
Com o tímpano perfurado, o mais importante do cuidado é não molhar o ouvido. Antes, o tímpano inteiro protegia a orelha média. Com o furo, ela fica aberta e exposta.
Se entra água pelo canal, essa água chega direto à orelha média e causa infecção, o que atrapalha a cicatrização do tímpano. Por isso, depois de uma perfuração por qualquer trauma, a principal orientação é não deixar cair nenhuma água dentro do ouvido.
No banho, a proteção mais simples está na orientação sobre como proteger o ouvido no banho. Piscina, mar e mergulho ficam suspensos até a liberação na consulta, e o tampão de ouvido de silicone tem indicação própria. Para entender como objetos colocados no canal também podem machucar a membrana, veja a orientação sobre uso de cotonete no ouvido.
O tímpano perfurado fecha sozinho?
Na maioria das vezes, sim. As perfurações causadas por trauma costumam ter boa evolução, e o tímpano fecha sozinho, desde que a água não entre no ouvido. No geral, o próprio corpo consegue fazer essa recuperação.
O tamanho do furo pesa na velocidade. Num estudo citado pelo CMAJ, revista da associação médica do Canadá, 72% das perfurações traumáticas pequenas, com menos de um quarto do tímpano, fecharam sozinhas em até um mês, contra 25% das maiores no mesmo período. Uma revisão de estudos sobre perfurações traumáticas isoladas também encontrou fechamento completo, sem cirurgia, na maior parte dos ouvidos.
O acompanhamento confere se o furo está diminuindo e se a audição está voltando. Quando o fechamento espontâneo não acontece, existe a possibilidade de uma cirurgia para fechar a membrana, a timpanoplastia. Ela não é necessária para toda pessoa que sofreu um trauma no ouvido, e a indicação é avaliada na consulta. O tempo de espera e o que muda entre operar ou não estão na orientação sobre perfuração no tímpano e quando é preciso operar.
Como evitar lesões no ouvido por impacto
A forma mais simples de evitar a surdez por impacto é não fazer do ouvido um alvo. Tapa no ouvido, mesmo de brincadeira, pode perfurar o tímpano, e o cuidado vale ainda mais com as crianças. Nos esportes de luta e nos saltos na água, a pancada direta na orelha é o que mais provoca lesão.
Contra o barulho, a distância da fonte e o protetor auditivo são os principais cuidados, segundo o NIDCD. Em festas com som muito alto, o protetor abafa parte do excesso de ruído e ainda deixa a pessoa conversar. Fogos e bombinhas ficam longe do rosto, e o volume do fone segue as regras explicadas em qual é o melhor fone de ouvido.
Vídeo: diferentes impactos podem causar surdez?
O vídeo abaixo apresenta exemplos de impactos capazes de lesionar o ouvido, compara uma membrana timpânica normal com um tímpano perfurado por tapa e explica quais sintomas observar e como ocorre a recuperação.
Perguntas frequentes
Tapa no ouvido pode causar surdez permanente?
Na maioria das vezes, não. A perfuração causada por tapa costuma fechar, e a audição volta junto. A perda pode ficar quando a pancada lesou os ossinhos do ouvido ou a cóclea, ou quando o furo não fecha e o ouvido infecciona várias vezes. Uma audiometria feita depois da cicatrização mostra se a audição voltou por completo.
Levei um tapa no ouvido e está doendo. O que fazer?
Se a dor é no rosto, vai diminuindo e o ouvido escuta normalmente, dá para observar. Se a dor é forte dentro do ouvido, ou vem com audição abafada, zumbido ou tontura, o tímpano precisa ser examinado. Para aliviar a dor, vale o analgésico que a pessoa já costuma usar, de preferência dipirona ou paracetamol, com o ibuprofeno como segunda opção.
Pancada no ouvido com sangramento é sempre perfuração?
Nem sempre. O sangue pode vir de uma lesão na pele do canal, de pontos de hematoma na membrana ou de uma perfuração. Depois de uma pancada forte na cabeça, sangramento pelo ouvido com mancha roxa atrás da orelha pode indicar fratura do osso temporal, segundo o Manual MSD. Em qualquer caso, o ouvido precisa ser examinado, e o sangue não deve ser lavado com água.
Por que o ouvido fica tampado depois de um tapa?
A sensação de ouvido tampado pode vir do furo no tímpano, que deixa o som abafado, ou de sangue acumulado atrás da membrana, que atrapalha a vibração dela. Também pode vir da orelha interna, quando o impacto foi mais forte. Na maior parte dos casos, a sensação melhora conforme a lesão cicatriza, e o exame mostra qual é a causa.
Tapa no ouvido pode causar zumbido?
Pode. O zumbido aparece tanto quando o tímpano é lesado quanto quando a orelha interna sofre com o impacto. Se ele some em pouco tempo junto com a dor, em geral não deixa sequela. Se continua, a audição precisa ser medida, porque muitas vezes o zumbido acompanha uma perda auditiva leve que a pessoa nem percebeu.
Quanto tempo dura o trauma acústico? Tem cura?
O trauma acústico temporário melhora em horas ou em poucos dias, e a audição costuma voltar ao normal. Quando o zumbido ou a audição abafada não melhoram nesse prazo, a lesão pode ser permanente, e a audiometria define o tamanho dela. Nenhum remédio tem efeito comprovado para prevenir a perda pelo ruído, segundo uma revisão sistemática de 2021, e a proteção contra o barulho continua sendo o principal cuidado.
O trauma acústico aparece na audiometria?
Aparece. A perda causada pelo ruído costuma atingir primeiro os sons agudos, e no gráfico da audiometria forma uma queda localizada, mais comum na frequência de 4.000 Hz. Esse desenho ajuda o otorrino a ligar a perda ao barulho. Por isso, quem teve trauma acústico ou trabalha com som alto se beneficia de repetir a audiometria ao longo do tempo.
Qual é o CID do trauma acústico e da surdez por trauma?
Na CID-10, o trauma acústico e a perda de audição induzida pelo barulho ficam no código H83.3, efeitos do ruído sobre o ouvido interno. A perfuração traumática do tímpano recebe outro código, que aparece na orientação sobre perfuração no tímpano. O código é definido pelo médico a partir do exame e do tipo de lesão encontrada.
Criança que levou pancada no ouvido: o que observar?
Criança pequena muitas vezes não sabe explicar que escuta menos. Vale observar se ela leva a mão à orelha e chora, se passa a pedir para repetir, se aumenta o volume da televisão ou se não responde quando chamada daquele lado. Sangue no ouvido, tontura ou desequilíbrio ao andar também contam. Qualquer desses sinais depois da pancada pede o exame do ouvido.
Pode pingar gota no ouvido depois de uma pancada?
Só depois do exame. Se o tímpano estiver perfurado, a gota passa direto para a orelha média, e algumas fórmulas podem prejudicar a audição. Segundo o CMAJ, gotas com antibióticos do grupo dos aminoglicosídeos, como a neomicina e a gentamicina, devem ser evitadas nesses casos. Quando o antibiótico em gota é necessário, a escolha é feita na consulta.
Referências
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Avaliação do ouvido e da audição em Brasília
Se a dor, o zumbido, a tontura ou a perda auditiva começaram depois de qualquer impacto forte na região do ouvido, agende uma consulta com otorrino em Brasília na Clínica OtoCare. O exame do tímpano e, quando indicado, a audiometria permitem identificar a lesão e acompanhar a recuperação.
Telefone e WhatsApp: (61) 99957-8479
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