Testosterona baixa e apneia do sono: quando o sono é a causa

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

Por que o sono profundo sustenta a testosterona

A testosterona segue um ritmo diário. Ela atinge o pico no começo da manhã, cai ao longo do dia e chega aos menores níveis à noite. Esse pico matinal depende de uma noite com sono profundo suficiente, fase em que o organismo libera os sinais hormonais que estimulam os testículos a produzir o hormônio.

Quando o sono é interrompido muitas vezes, ele fica superficial, o sono profundo diminui e a produção matinal de testosterona cai. O ciclo se repete todas as noites, e o prejuízo se acumula.

Dra. Larissa Vilela observa um homem cansado dormindo sobre a mesa do escritório, diante de uma tela com os dizeres sono e testosterona

Dormir pouco também pesa, até em homens jovens e saudáveis. Em um estudo de laboratório, dormir menos de 5 horas por noite durante uma semana reduziu a testosterona do dia em 10% a 15%.

Ronco e apneia: as causas mais comuns de sono fragmentado

Quando a passagem de ar se estreita durante a noite, surgem o ronco e, nos casos mais importantes, as pausas respiratórias da apneia. Para voltar a respirar, o cérebro desperta por alguns segundos, sem que a pessoa perceba. Esses despertares repetidos tiram o sono do estágio profundo e ainda baixam a oxigenação do sangue.

Por isso, diante de uma testosterona baixa, a qualidade do sono é um ponto que não pode ficar de fora da investigação. Uma metanálise com 24 estudos mostrou que homens com apneia obstrutiva têm testosterona mais baixa do que homens sem apneia. Em um estudo brasileiro com 103 pacientes com apneia, 23% tinham o hormônio abaixo do normal, e esses pacientes tinham, em média, mais excesso de peso.

O que é a apneia e como ela é classificada está na orientação sobre apneia do sono.

Sinais de que o sono pode estar por trás da testosterona baixa

Indisposição, cansaço e fadiga crônica são queixas comuns tanto da testosterona baixa quanto do sono ruim. Olhe para o seu sono se você se reconhece em algum destes pontos:

  • Acorda cansado: a sensação ao despertar é de que o corpo não descansou durante a noite.
  • Tem sono demais durante o dia: cochila em salas de espera, em reuniões ou diante da televisão.
  • Sente sono ao dirigir: já cochilou parado no semáforo ou sentiu vontade forte de dormir ao volante.
  • Ronca: o ronco é alto, frequente ou incomoda quem dorme perto.
  • Para de respirar ou engasga: o parceiro ou a parceira já percebeu pausas, engasgos ou respiração ofegante durante o sono.

Para estimar o risco de apneia antes da consulta, use o teste de apneia do sono STOP-Bang.

Sonolência ao volante é um sinal de alerta. Evite dirigir com sono até ser avaliado.

Como a testosterona deve ser dosada

Como o hormônio varia ao longo do dia, o exame deve ser colhido pela manhã, em jejum. Um resultado baixo isolado não fecha o diagnóstico. A dosagem deve ser repetida para confirmar, e o diagnóstico de deficiência exige também sintomas compatíveis.

Noites mal dormidas antes da coleta podem influenciar o resultado. Se o sono é ruim de forma contínua, a causa deve ser investigada antes de concluir que o problema está só nos hormônios.

Reposição de testosterona: avalie o sono antes

A reposição hormonal, conhecida pela sigla em inglês TRT, ficou popular. Antes de considerá-la, avalie a qualidade do seu sono, por dois motivos:

  • A causa pode ser o sono. Repor o hormônio sem tratar o ronco e a apneia deixa a origem do problema intacta, junto com os riscos da apneia para o coração, o metabolismo e a atenção.
  • A reposição pode piorar a apneia. A diretriz da Endocrine Society recomenda não iniciar testosterona em homens com apneia obstrutiva grave sem tratamento.

A indicação de reposição é avaliada caso a caso, depois que o sono foi investigado. Na consulta com o otorrino, o distúrbio respiratório do sono é confirmado ou afastado e o tratamento é definido.

Tratar o sono normaliza a testosterona?

Muitas vezes, sim. Tratando o ronco e a apneia, o sono profundo volta, e os níveis de testosterona podem se normalizar sem a necessidade de repor o hormônio.

Alguns estudos encontraram resultados mais modestos. Uma metanálise com 12 estudos e 388 homens não observou aumento significativo da testosterona apenas com o uso do CPAP. Outros fatores pesam junto, principalmente o excesso de peso, que reduz a testosterona e piora a apneia ao mesmo tempo. Por isso, a evolução é acompanhada caso a caso, tratando o sono e o peso em conjunto e repetindo a dosagem hormonal depois do tratamento.

As alternativas, da perda de peso à cirurgia, estão nas opções de tratamento para ronco e apneia.

Tratar a apneia traz benefício mesmo quando a testosterona não muda, porque o sono profundo volta, a sonolência durante o dia diminui e a disposição melhora.

Quando procurar o otorrino

Procure avaliação se a sua testosterona está baixa e você tem ronco, pausas percebidas na respiração, sono que não descansa ou sonolência durante o dia. Na OtoCare, a consulta examina o nariz e a garganta e define se a polissonografia, o exame que registra a respiração e as fases do sono durante a noite, está indicada.

Vídeo: testosterona, ronco, apneia e sono

O vídeo abaixo apresenta o ritmo diário da testosterona, a relação com o sono profundo e os sinais que indicam investigar ronco e apneia.

Perguntas frequentes

Dormir mal diminui a testosterona?

Sim. A produção do hormônio depende do sono profundo, e o pico acontece no começo da manhã. Poucas horas de sono ou um sono interrompido várias vezes reduzem esse pico.

Ronco pode baixar a testosterona?

Pode. O ronco e, principalmente, a apneia fragmentam o sono e reduzem o sono profundo, a fase de que o pico matinal do hormônio depende. Os estudos mostram testosterona mais baixa, em média, nos homens com apneia.

Quem tem apneia pode fazer reposição de testosterona?

Segundo a diretriz da Endocrine Society, a reposição não deve começar enquanto uma apneia grave não estiver tratada. Por isso, o ronco e a apneia são investigados e tratados antes, e a indicação do hormônio é avaliada depois, caso a caso.

Referências

  1. VILELA, Larissa. TESTOSTERONA: ronco, apneia e sono. YouTube, 10 jun. 2026. 1 vídeo (5 min 7 s). Disponível em: https://youtu.be/EnoEAH4eUe0. Acesso em: 1 out. 2026.
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Avaliação de ronco e apneia em Brasília

Se a sua testosterona está baixa e o sono não vai bem, uma consulta com otorrino em Brasília permite investigar o ronco e a apneia e indicar o tratamento adequado.

Telefone e WhatsApp: (61) 99957-8479

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