Fonoterapia para ronco e apneia: como funciona e para quem é indicada

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

O que é a fonoterapia para ronco

O tratamento do ronco e da apneia do sono é bem variado. Existem remédios, aparelhos, cirurgias e terapias, e a fonoterapia é um tratamento não cirúrgico. Ela é feita com exercícios para a musculatura da garganta, orientados por um fonoaudiólogo, e também é chamada de terapia miofuncional orofacial.

É uma das opções favoritas dos otorrinos para tratar o ronco, porque age numa das bases do problema, a flacidez da musculatura que deixa a garganta fechar durante o sono. Sempre que possível, ela é combinada com outras terapias que também ajudam o paciente.

Homem dormindo no sofá com o controle remoto na mão, ao lado da Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

Por que a musculatura da garganta faz roncar

Simplificando um pouco, uma das causas do ronco é a flacidez da musculatura da garganta. No sono profundo, essa musculatura já relaxa naturalmente. Quando ela é flácida, fica relaxada demais, e a via respiratória colaba, ou seja, se fecha em parte.

O ar passa com dificuldade por esse espaço mais estreito e faz vibrar as partes moles da garganta, o que produz o barulho do ronco. Esse fechamento também predispõe à apneia do sono.

A apneia é um quadro mais avançado do ronco. Além do barulho na hora de respirar durante o sono, a pessoa tem paradas respiratórias prolongadas. Por isso, saber se existe apneia, e em que grau, muda a escolha do tratamento.

Como a fonoterapia age no ronco

O objetivo da fonoterapia para ronco é melhorar o tônus da musculatura da garganta, da orofaringe e do palato mole, a parte mole do céu da boca. Com os exercícios, essa musculatura fica mais firme, com um tônus melhor.

Na hora do sono, a estrutura da faringe fica mais estável e menos flácida. A garganta fecha menos, o ar passa com mais facilidade, e isso reduz muito o ronco e ajuda no tratamento da apneia.

Os exercícios para parar de roncar trabalham a língua, o palato mole e as paredes laterais da faringe, os mesmos grupos de músculos que os estudos brasileiros sobre o tema treinaram. Alguns também treinam funções do dia a dia, como falar, respirar, soprar, sugar, mastigar e engolir.

Como são as sessões com o fonoaudiólogo

A fonoterapia é feita em sessões com o fonoaudiólogo. Ele avalia o quadro e a estrutura muscular do paciente e propõe exercícios específicos para cada caso, que melhoram e fortalecem essa musculatura. Entre uma sessão e outra, o paciente também fica com exercícios para fazer em casa.

Com esse treinamento, que leva algumas semanas, o paciente melhora o tônus e a estrutura muscular da faringe e, com isso, melhora o ronco e ajuda no tratamento da apneia. Nos estudos, o programa durou de dois a quatro meses, com exercícios todos os dias, em geral por cerca de meia hora. Uma revisão de 2025 observou benefício maior na apneia quando o treino diário passava de 30 minutos.

Os exercícios não são iguais para todo mundo, e a quantidade e a forma de fazer são ajustadas pelo fonoaudiólogo. Listas de exercícios copiadas da internet, feitas sem orientação e sem saber se existe apneia, podem atrasar o tratamento certo.

Para quem a fonoterapia é indicada

A fonoterapia é indicada no ronco primário, quando a pessoa só ronca e não tem apneia, na apneia leve e, muitas vezes, também na apneia moderada. Nesses casos mais leves, principalmente quando outras terapias não teriam tanto impacto, ela pode ser o único tratamento.

Nos quadros mais moderados ou graves, o tratamento pode incluir cirurgias ou aparelhos como o CPAP. Mesmo assim, a fonoterapia continua sendo uma opção a oferecer, porque esse treinamento muscular é sempre bem-vindo, também como terapia associada.

Para saber qual é o caso, a avaliação começa com o otorrino, que examina o nariz e a garganta e procura causas que pedem outro tratamento, como desvio de septo, cornetos aumentados e amígdalas grandes. Na OtoCare, no Noroeste de Brasília, essa avaliação é feita na consulta. A polissonografia, o exame do sono, mostra se existe apneia e qual é o grau.

A comparação entre a fonoterapia e as outras opções, como perda de peso, dormir de lado, aparelho intraoral, cirurgias e CPAP, está na orientação sobre tratamento para ronco e apneia.

Fonoterapia junto com o CPAP

Quem tem apneia moderada ou grave e vai usar o CPAP também pode se beneficiar da fonoterapia. Com a musculatura com melhor tônus e mais estável, a adaptação ao CPAP fica melhor, porque é preciso menos pressão para deixar o paciente bem tratado e estável do ponto de vista do ronco e da apneia.

Um estudo brasileiro com 100 homens com apneia comparou CPAP, fonoterapia, os dois juntos e um tratamento simulado por três meses. Quem fez os dois juntos usou o CPAP com mais regularidade do que quem usou só o aparelho.

O CPAP continua sendo o tratamento que mais reduz as paradas respiratórias. Nesse mesmo estudo, a redução foi maior no grupo do CPAP, e por isso, nos casos graves, a fonoterapia entra como parceira do aparelho, e não no lugar dele.

O que os estudos mostram

A fonoterapia para ronco já tem muitas evidências mostrando que funciona. Parte importante delas vem do Brasil, do Laboratório do Sono do InCor, em São Paulo.

  • Em pacientes com apneia moderada, três meses de exercícios diários reduziram o índice de apneia de 22,4 para 13,7 eventos por hora, além de diminuir o ronco, a sonolência durante o dia e a circunferência do pescoço.
  • Em pessoas com ronco primário ou apneia leve a moderada, o ronco medido no exame do sono caiu pela metade em três meses, enquanto o grupo que usou tira nasal e fez exercícios de respiração não mudou.
  • Uma revisão de nove estudos com 211 adultos encontrou redução de 51% na intensidade do ronco e de 31% no tempo roncando durante a noite.

A revisão da Cochrane, de 2020, concluiu que a fonoterapia provavelmente reduz a sonolência durante o dia e pode melhorar a qualidade do sono. Os próprios autores consideram as pesquisas ainda pequenas e curtas, e pedem estudos maiores. Como em todo tratamento, a resposta varia de pessoa para pessoa e é acompanhada nas consultas.

Um aplicativo que grava o ronco ajuda a acompanhar a evolução em casa, antes e depois da fonoterapia, como mostra a orientação sobre o SnoreLab®.

Os resultados da fonoterapia duram?

Depois das sessões e da melhora, os ganhos são duradouros. O tônus muscular conquistado não se perde quando a fonoterapia termina, e às vezes uma sessão de vez em quando ajuda na manutenção.

No estudo brasileiro sobre CPAP, o grupo que fez só a fonoterapia manteve a melhora da sonolência e do ronco depois de três semanas sem os exercícios. Os estudos com acompanhamento mais longo ainda são poucos.

Fonoterapia para ronco em crianças

Em teoria, a fonoterapia pode ser feita em qualquer idade, desde que o paciente consiga fazer os exercícios e seguir o plano do fonoaudiólogo. Nas crianças, ela fica para as maiores, e o foco do tratamento é mesmo o adulto.

Nas crianças, o ronco e a apneia costumam seguir outra linha de tratamento, muitas vezes ligada às amígdalas e à adenoide, como explica a orientação sobre ronco em criança. Uma revisão de 2024 encontrou um único estudo com crianças. Nele, a maioria não conseguiu manter os exercícios, e não houve melhora. Em crianças que continuaram com apneia depois da cirurgia das amígdalas e da adenoide, um estudo italiano mostrou melhora com os exercícios, uma possibilidade que pode ser avaliada caso a caso.

Tocar instrumento de sopro ajuda no ronco?

Um estudo suíço ensinou adultos com apneia moderada a tocar didgeridoo, um instrumento de sopro australiano, cerca de 25 minutos por dia, quase todos os dias, por quatro meses. Eles tiveram menos sonolência durante o dia e menos paradas respiratórias, e os parceiros notaram menos incômodo à noite.

O resultado reforça que treinar a musculatura da garganta faz diferença. A fonoterapia faz esse treino com exercícios escolhidos para cada caso e ajustados pelo fonoaudiólogo.

Vídeo: fonoterapia para ronco

O vídeo abaixo explica como a fonoterapia age no ronco, para quem ela é indicada e por que os ganhos são duradouros.

Perguntas frequentes

Fonoterapia para ronco funciona?

Funciona. Os estudos mostram menos ronco, menos sonolência durante o dia e, na apneia, menos paradas respiratórias. O resultado é melhor quando a indicação é certa e os exercícios são feitos todos os dias.

Fonoterapia cura o ronco?

No ronco primário e na apneia leve, a fonoterapia pode reduzir muito o ronco e, em alguns casos, ser o único tratamento necessário. A resposta varia de pessoa para pessoa, e nos quadros mais graves ela ajuda junto com outros tratamentos.

Quanto tempo demora para ver resultado?

O treinamento leva algumas semanas. Nos estudos, os programas duraram de dois a quatro meses, com exercícios diários, e os resultados foram medidos no fim desse período.

Quantas vezes por dia fazer os exercícios?

O número de vezes por dia é definido pelo fonoaudiólogo, conforme o caso. Nos estudos, os exercícios eram feitos todos os dias e somavam em geral cerca de meia hora.

Dá para fazer os exercícios sozinho, sem fonoaudiólogo?

O ideal é fazer com acompanhamento do fonoaudiólogo. Ele avalia a musculatura, escolhe os exercícios de cada caso e corrige a forma de fazer, e os exercícios de casa completam as sessões. Antes disso, a avaliação do ronco mostra se há apneia ou outra causa que precisa de outro tratamento.

Fonoterapia substitui o CPAP?

Nos casos graves, não. O CPAP reduz mais as paradas respiratórias, e a fonoterapia entra junto, ajudando na adaptação ao aparelho. Nos casos leves, ela pode ser suficiente.

Preciso fazer polissonografia antes da fonoterapia?

O exame do sono mostra se o ronco vem junto com apneia e em que grau, e isso muda a indicação. A necessidade do exame é definida na consulta com otorrino.

Fonoterapia para apneia grave funciona?

Sozinha, não é o tratamento da apneia grave. Nesses casos, ela é uma terapia associada, somada ao CPAP ou a outros tratamentos, e pode ajudar no resultado deles.

A fonoterapia para ronco tem efeitos colaterais?

São exercícios para a musculatura, sem remédio nem procedimento. Os estudos reunidos pela Cochrane não trazem relato de efeitos adversos. Os exercícios são orientados pelo fonoaudiólogo, que ajusta o treino ao longo das sessões.

Referências

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Avaliação do ronco na OtoCare, em Brasília

Ronco frequente, pausas na respiração durante o sono ou cansaço ao acordar merecem uma avaliação completa antes de escolher o tratamento. Agende uma consulta com otorrino na OtoCare, no Noroeste de Brasília. Na consulta, a nasofibrolaringoscopia mostra o nariz e a garganta por dentro, e o plano de tratamento é definido, com a indicação da fonoterapia quando ela fizer sentido.

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