Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
Quando lavar o nariz do recém-nascido?
O recém-nascido pede mais cuidado do que uma criança maior na hora de lavar o nariz. A quantidade de soro, a temperatura da solução e a forma de aplicar fazem diferença, tanto para não machucar o nariz do bebê quanto para a lavagem limpar de verdade.
Nessa idade, a lavagem nasal não é rotina. Ela entra quando há necessidade, ou seja, quando o bebê está congestionado, com dificuldade para respirar pelo nariz ou com mais secreção. Se ele respira bem, mama sem precisar parar e dorme tranquilo, não há o que lavar.

No recém-nascido, o nariz é lavado só quando está entupido. Pouco soro, com conta-gotas ou com a seringa fina de 1 mL, aplicado devagar e sem força, com o bebê deitado.
Nas primeiras semanas, o bebê respira quase só pelo nariz, e o nariz dele é pequeno. Por isso, pouca secreção já atrapalha a mamada e deixa a respiração desconfortável. Em seu manual sobre o assunto, a ABORL-CCF, entidade nacional dos otorrinolaringologistas, orienta lavar nessa idade sempre que o nariz estiver obstruído, e o barulho ao respirar costuma ser o sinal mais fácil de perceber.
Enquanto o nariz estiver entupido, a lavagem costuma ser feita duas a três vezes ao dia, conforme a orientação médica e a quantidade de secreção. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), no guia sobre lavagem nasal, traz a mesma frequência para os bebês com menos de 6 meses. Com o nariz livre de novo, a lavagem pode parar.
Pode fazer lavagem nasal em recém-nascido?
Pode. Feita com soro fisiológico, pouco volume e a técnica certa para a idade, a lavagem nasal é segura no recém-nascido. O soro fisiológico é água com sal, numa concentração parecida com a do corpo, sem remédio nenhum. Os frascos conta-gotas de soro vendidos para o nariz trazem apenas solução fisiológica, e por isso podem ser usados no bebê.
O guia da SBP explica que, no recém-nascido e no bebê pequeno, a lavagem feita com a técnica adequada para a idade parece ser segura e melhorar os sinais da rinite do lactente, o nariz entupido tão comum nos primeiros meses. O mesmo guia não recomenda misturar remédios ao soro da lavagem nas crianças.
Os problemas aparecem quando a lavagem nasal em bebê é feita do jeito errado, e aí ela pode, sim, ficar perigosa. Soro demais, aperto forte, a ponta batendo dentro do nariz e a lavagem com o bebê chorando muito são os erros mais comuns. Cada um tem um cuidado próprio, explicado nas seções a seguir.
Conta-gotas ou seringa: qual usar no recém-nascido?
As duas formas funcionam bem no recém-nascido. O conta-gotas costuma ser a porta de entrada. Ele joga pouco soro, sem pressão, é muito bem tolerado e ajuda a criar o hábito da lavagem desde cedo, para que ela possa evoluir depois, conforme o bebê cresce.
A seringa de 1 mL faz o mesmo trabalho, com o mesmo soro fisiológico, e costuma sair ainda mais barata. Ela solta a solução de forma bem suave, mas tem a ponta fina, e por isso o cuidado com a posição pesa mais nela do que no conta-gotas.
Qual seringa usar no recém-nascido
A seringa de insulina, de 1 mL, a mais fina vendida na farmácia, sempre sem a agulha. Como fica em contato com o nariz e com a secreção, ela deve ser trocada com regularidade. Seringas maiores e os modelos de alto volume com bico próprio, como o Rinosoro® Alto Volume Baby, ficam para depois dos 6 meses. A SBP e a ABORL-CCF não indicam a lavagem de alto volume no bebê dessa idade.
Spray e jato contínuo nos primeiros meses
O spray de soro fisiológico e o jato contínuo infantil também podem ser usados antes dos 6 meses, com o bebê deitado e a ponta virada para a lateral da narina, longe do septo. O tempo de cada jato e as alternativas por idade aparecem na orientação sobre lavagem nasal em crianças.
Quantos mL de soro usar no nariz do recém-nascido?
No recém-nascido, a quantidade é pequena. Com o conta-gotas, coloca-se um conta-gotas cheio em cada narina, o que dá cerca de 1 mL de soro. Com a seringa, 1 mL em cada narina. Quando há muita secreção, a aplicação pode ser repetida na mesma narina mais uma ou duas vezes, de acordo com a quantidade de catarro e com o quadro do bebê.
A SBP indica as mesmas medidas para os bebês com menos de 6 meses, um medidor completo do conta-gotas ou 1 mL de seringa, e lembra que o volume pode variar conforme a indicação médica e a tolerância do bebê. O manual da ABORL-CCF também orienta 1 mL por vez na seringa, com a possibilidade de repetir em sequência. Alguns guias na internet falam em 5 mL ou mais por narina já nos primeiros meses, bem acima do que essas duas entidades recomendam para a idade.
O nariz do recém-nascido tem pouco espaço, e a quantidade de soro acompanha esse tamanho. O volume maior entra aos poucos, depois dos 6 meses, à medida que o bebê cresce e se adapta.
Qual soro usar e como deixar morno
Use soro fisiológico, a solução de cloreto de sódio a 0,9%, que segundo a SBP é a mais bem aceita pelas crianças. O frasco grande, depois de aberto, vai para a geladeira. Para cada lavagem, separe numa vasilha pequena só a porção da lavagem e amorne essa porção até ela ficar morninha como a mamadeira, conferindo no antebraço.
Soro gelado direto no nariz incomoda o bebê e atrapalha a limpeza natural do nariz. No conta-gotas, o soro já vem no frasco, e amornar nem sempre é possível. O morno faz mais diferença quando a solução é separada para a seringa. As formas de aquecer e o motivo estão na orientação sobre a temperatura da água para lavagem nasal.
No nariz do bebê entra só o soro. Água pura arde e não serve para lavar, como mostra a orientação sobre lavagem nasal com água, e água oxigenada não deve ser pingada no nariz, como explica a orientação sobre água oxigenada no nariz. Para fazer o soro em casa, siga a receita da orientação sobre a solução caseira para lavagem nasal. Para o conta-gotas e a seringa de 1 mL, o soro pronto da farmácia resolve bem.
Passo a passo para lavar o nariz do recém-nascido
O mesmo passo a passo vale para o conta-gotas e para a seringa de 1 mL.
- Escolha um momento calmo. Lave o nariz com o bebê tranquilo, e não no meio de uma crise de choro.
- Prepare o soro. Para a seringa, separe numa vasilha pequena só a porção da lavagem e deixe morna. No conta-gotas, o soro já vem pronto no frasco.
- Encha o dispositivo. Aperte a borracha do conta-gotas para encher o dosador ou puxe 1 mL de soro na seringa, sempre sem a agulha.
- Deite o bebê de costas. Use uma superfície reta, sem travesseiro, com a cabeça na posição normal, sem sentar o bebê e sem virá-lo de lado.
- Posicione a ponta. Apoie a ponta na abertura da narina, quase perpendicular ao rosto do bebê, sem empurrar para dentro e sem encostar no septo.
- Aplique devagar. Aperte o conta-gotas ou empurre o êmbolo suavemente, de forma lenta e sem força.
- Deixe o bebê engolir. O soro passa pelo nariz e desce para a garganta, onde o bebê o engole naturalmente.
- Repita na outra narina. Faça o mesmo do outro lado. Com muita secreção, a aplicação pode ser repetida em cada narina.
- Aspire se sobrar muita secreção. Use o aspirador nasal só depois da lavagem e só quando ainda houver muito catarro.
Lavar as duas narinas faz parte da técnica, mesmo quando só uma parece entupida.
Por que o bebê fica deitado, e não sentado ou de lado?
Muitas orientações pedem para sentar o bebê inclinado para a frente ou deitá-lo de lado, para o soro entrar por uma narina e sair pela outra. Para o recém-nascido, vale outra posição, deitado de costas, com a cabeça reta e sem virar.
O primeiro motivo é a ponta do dispositivo. A seringa de insulina solta o soro de forma suave, mas é pontuda. Com o bebê de lado ou inclinado, a tendência é a ponta ficar batendo no septo nasal, a parede que divide o nariz ao meio. Uma hora ou outra o local começa a sangrar, sem contar o incômodo. O guia da SBP também orienta apontar o dispositivo para fora, na direção da asa da narina, para evitar machucar o septo.
O segundo motivo é o controle da cabeça. Nos primeiros meses, o bebê ainda firma pouco o pescoço, e sentar, virar ou inclinar o corpo dele na hora da lavagem só complica. Deitado, ele fica estável, e o soro faz o caminho natural até a garganta.
Por isso, no recém-nascido, o soro não precisa sair pela outra narina. Ele passa pelo nariz, desce para a garganta, e a lavagem já cumpriu o papel dela. Nas crianças maiores, que já lavam sentadas, a dúvida de quando o soro não aparece pela outra narina está respondida na orientação sobre lavagem nasal com seringa.
O bebê engoliu o soro: é normal?
Sim. Com o bebê deitado, o soro passa pela narina, segue até a garganta e é engolido automaticamente. Isso faz parte da técnica e mostra que a solução percorreu o nariz.
Engolir o soro não faz mal. A quantidade é mínima, e o soro segue para o estômago, do mesmo jeito que a secreção do nariz é engolida ao longo do dia. Ele não vai para o pulmão nem para o cérebro.
Em crianças maiores e adultos, o soro entra enquanto a pessoa respira pela boca, sem parar, até a última gota da aplicação. O recém-nascido não tem como seguir esse comando, e a técnica dele leva isso em conta. Nele, a quantidade é pequena e a aplicação é lenta, e o pouco soro que chega à garganta é engolido.
Bebê chorando na hora da lavagem
A lavagem não deve ser feita à força. Quando a criança chora muito e se debate, ela puxa o ar enquanto chora, e nesse momento a tuba auditiva, uma passagem estreita que vai do fundo do nariz até o ouvido, pode se abrir. O soro que está entrando pode seguir por ali até o ouvido, ainda que a aplicação seja suave, e causar dor ou favorecer uma otite.
No recém-nascido, a saída é escolher a hora. Se o bebê está chorando forte, espere ele se acalmar e tente de novo depois, com calma. Segurar o bebê com força e insistir não compensa, porque aumenta o risco para o ouvido e deixa a lavagem cada vez mais difícil. A relação entre a lavagem e o ouvido está explicada na orientação sobre se a lavagem nasal causa otite.
Com o bebê calmo, o pouco soro e a aplicação lenta usados nessa idade mantêm a pressão dentro do nariz baixa, e o soro dificilmente alcança o ouvido.
Quando usar o aspirador nasal no recém-nascido?
O aspirador nasal complementa a lavagem, mas só quando o bebê está com muita secreção. A ordem é sempre a mesma, primeiro o soro, que amolece o catarro, e depois a aspiração do que sobrou. Sem secreção sobrando, o aspirador não é necessário.
O manual da ABORL-CCF segue a mesma linha. A aspiração ajuda quando o volume de secreção é grande ou o catarro é grosso demais para sair só com o soro, mas não deve ser rotina, porque pode incomodar e machucar a mucosa do nariz. Servem os aspiradores de pera, os elétricos e aqueles em que o adulto faz a sucção pelo tubo. A aspiração com sonda não é recomendada.
No aspirador de pera, a borracha é apertada antes de encostar no nariz e solta devagar, já com a ponta na entrada da narina. Assim ele puxa a secreção, em vez de soprar ar para dentro.
Recém-nascido com nariz entupido: o que mais ajuda
O nariz entupido é muito comum nos primeiros meses. Além dos resfriados, o ar seco, a fumaça de cigarro dentro de casa e a rinite do lactente podem ressecar a mucosa, formar crostas e deixar o nariz do bebê fechado, como descreve o manual da ABORL-CCF.
A lavagem com soro continua sendo o principal cuidado. Ela amolece as crostas e a secreção, e o bebê respira e mama melhor. A nebulização feita só com soro hidrata o nariz e serve de complemento, como mostra a orientação sobre nebulização. Descongestionantes e outros remédios para o nariz não são usados por conta própria nessa idade, e qualquer remédio é decidido na consulta na OtoCare.
Para dormir, o bebê continua deitado de costas, em colchão firme e reto. Elevar a cabeceira do berço, usar travesseiro ou apoiar o bebê inclinado parece ajudar o nariz entupido, mas a Academia Americana de Pediatria (AAP) orienta não fazer isso. Com a cabeça elevada, o pescoço do bebê tende a cair para a frente ou para o lado e dobrar a via aérea, o que dificulta ainda mais a respiração.
Secreção no olho do recém-nascido nem sempre vem do nariz. Nas primeiras semanas, o canal da lágrima entupido é uma causa frequente, e o catarro do nariz também pode sair pelo olho quando o nariz fica cheio por dias. Como diferenciar os dois está na orientação sobre catarro nos olhos da criança.
Lavagem nasal no bebê de 1 mês, 2 meses e até os 6 meses
A técnica desta orientação vale do nascimento até os 6 meses. A lavagem nasal em bebê de 1 mês ou de 2 meses segue igual, com o conta-gotas ou com a seringa de 1 mL, a mesma quantidade de soro em cada narina e o bebê deitado. O mesmo vale para os bebês de 3, 4 e 5 meses. No bebê de 4 meses, por exemplo, a medida continua perto de 1 mL por narina, repetida quando há muita secreção, e a lavagem segue feita só enquanto o nariz estiver entupido.
Por volta dos 6 meses, o bebê já firma bem a cabeça, consegue ficar sentado e passa a tolerar mais volume. Aí entram seringas maiores e outras posições, sempre começando pelo menor volume. As opções de cada idade estão na orientação sobre lavagem nasal em bebês e crianças.
Sinais que precisam de avaliação médica sem demora
O nariz entupido do resfriado costuma melhorar aos poucos. Alguns sinais, porém, não combinam com um simples nariz entupido e precisam de avaliação médica sem demora, segundo a AAP.
- Esforço para respirar, com as narinas abrindo a cada respiração ou a pele entre as costelas afundando.
- Respiração muito mais rápida que o normal.
- Lábios, unhas ou rosto arroxeados.
- Choro fraco, quase sem som, ou sonolência fora do comum.
- Febre de 38 °C ou mais em bebê com menos de 3 meses.
Nos bebês de até 3 meses, a AAP orienta avaliação médica já nos primeiros sinais de doença, porque nessa idade um resfriado pode evoluir rápido para quadros como bronquiolite e pneumonia.
Vídeo sobre como lavar o nariz do recém-nascido
O vídeo mostra, num modelo anatômico, como posicionar o conta-gotas e a seringa de 1 mL, o jeito de apertar devagar e por que o bebê não é virado de lado.
Perguntas frequentes
Pode fazer lavagem nasal em recém-nascido de 10, 15 ou 20 dias?
Pode. Desde os primeiros dias de vida, o nariz pode ser lavado com soro, com a mesma técnica dos primeiros meses. O que define a lavagem não é a idade em dias, e sim o nariz entupido ou com secreção.
Pode pingar soro fisiológico no nariz do recém-nascido?
Pode. Segundo a SBP, nos bebês com menos de 6 meses, o conta-gotas e o spray são as formas mais indicadas para hidratar o nariz e acostumar o bebê com a lavagem. O soro não deve ter remédio nenhum misturado.
Como fazer lavagem nasal em recém-nascido sem seringa?
Com o conta-gotas de soro fisiológico, que já vem pronto da farmácia e funciona tão bem quanto a seringa. O spray de soro e o jato contínuo infantil também servem nessa idade. A garrafinha, mesmo a infantil, não é usada no recém-nascido.
Pode limpar o nariz do recém-nascido com cotonete?
Só por fora. Para tirar a secreção grudada na entrada do nariz, a AAP sugere passar com delicadeza um cotonete umedecido em volta das narinas. Dentro do nariz, a haste não entra. A mucosa do recém-nascido é fina, e uma ponta batendo no septo machuca e pode sangrar, o mesmo motivo do cuidado com a ponta da seringa. Para o catarro de dentro, o caminho é o soro e, se sobrar muito, o aspirador.
O recém-nascido pode engasgar com a lavagem nasal?
Com a técnica certa, o esperado é que não. Com a quantidade indicada para a idade, a aplicação lenta e o bebê calmo, o soro chega à garganta e o bebê o engole sem dificuldade. Por isso o volume é pequeno e o soro é empurrado devagar, nunca em jato forte.
Para que serve lavar o nariz do recém-nascido?
Para soltar a secreção e as crostas e deixar o ar passar pelo nariz, o que ajuda o bebê a mamar e a dormir. Entre as indicações citadas pela ABORL-CCF para os primeiros 6 meses estão a rinite do lactente e as infecções virais do nariz, como o resfriado.
Referências
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- VILELA, Larissa. Rinosoro® alto volume baby – seringa para lavagem nasal: vale a pena? Como usar? YouTube, 3 jul. 2024. 1 vídeo (11 min 33 s). Disponível em: https://youtu.be/7BQqimpBQoU. Acesso em: 20 out. 2026.
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- VILELA, Larissa. Qual é a temperatura ideal para a lavagem nasal? Água morna ou gelada? Como amornar? YouTube, 22 fev. 2025. 1 vídeo (9 min 47 s). Disponível em: https://youtu.be/jRDSs3dks4I. Acesso em: 20 out. 2026.
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Avaliação do nariz do bebê em Brasília
Se o nariz continua entupido mesmo com a lavagem bem feita, se a congestão atrapalha as mamadas ou o sono, se o barulho ao respirar não melhora ou se surgir dúvida sobre a técnica, o nariz do bebê pode ser examinado na consulta com otorrino em Brasília. Quando indicado, a consulta inclui a nasofibrolaringoscopia, o exame do nariz e da garganta com uma câmera fina, feito na própria clínica em qualquer idade, inclusive em recém-nascidos. O exame leva de 2 a 5 minutos, não precisa de preparo nem de jejum, e o resultado sai na hora. No bebê, usa-se um anestésico em gel na ponta do aparelho, sem sedação. A Clínica OtoCare atende adultos e crianças no Setor Noroeste.
Telefone e WhatsApp: (61) 99957-8479
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