Desvio de septo pode voltar depois da cirurgia?

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

Na maioria das vezes, o desvio de septo não volta

Quem vai operar o desvio de septo, ou acabou de operar, costuma perguntar se o desvio pode voltar. A resposta tem duas partes. Na maioria das vezes, não volta. Quando a cirurgia é bem feita e o pós-operatório é seguido como o médico orienta, o septo fica no meio e a respiração continua boa ao longo da vida.

Existem, porém, algumas situações pontuais em que um desvio pode reaparecer ou ficar um pouco dele depois da cirurgia. São quatro: uma pancada no nariz no pós-operatório, um pós-operatório sem os retornos, um desvio que não foi corrigido por inteiro e um nariz muito torto por fora, com grande assimetria do rosto. Todas são incomuns.

E existe uma confusão frequente. Muita gente opera o septo, volta a sentir o nariz entupido depois de algum tempo e acha que o desvio voltou. Na maioria desses casos, o septo continua bem operado, e o que entope o nariz é uma rinite não controlada.

Dra. Larissa Vilela com o dedo indicador apoiado no nariz, em gesto pensativo, ao lado de uma paciente sorridente com um pequeno curativo no dorso do nariz

O que é o desvio de septo e o que a septoplastia corrige

O septo nasal é a estrutura de cartilagem e osso que fica no meio do nariz e o sustenta. O ideal é que ele seja reto ao longo de toda a fossa nasal. Muitas vezes, porém, ele é torto. Pode estar desviado para um lado, ter o formato de um S, desviado para os dois lados, ou ter um esporão na parte de osso que fecha um dos lados do nariz. Tudo isso são desvios de septo.

O sintoma principal é a obstrução nasal. O ar não passa livremente por uma das narinas, e isso muitas vezes tem grande impacto na respiração. Como saber se o desvio atrapalha e quando a cirurgia passa a valer a pena está na orientação sobre desvio de septo.

A septoplastia, também chamada de cirurgia de desvio de septo, é uma plástica do septo. Ela corrige o desvio para deixar o septo alinhado, de modo que as duas narinas funcionem bem e a pessoa respire bem. Quando o desvio é obstrutivo e a indicação é boa, a melhora da respiração costuma ser muito significativa. Como a cirurgia é feita e quais são os cuidados de cada etapa estão na página da septoplastia em Brasília. A OtoCare realiza a septoplastia, e a consulta avalia antes se o desvio é obstrutivo e se há outras causas de nariz entupido.

Por que, na maioria das vezes, o desvio não volta

Quando a cirurgia é bem feita, o septo termina o procedimento no lugar. Se a pessoa faz o pós-operatório de forma adequada, conforme a orientação médica, o septo costuma continuar bem centralizado, e o resultado se mantém ao longo da vida.

Nos estudos, uma nova cirurgia é pouco frequente. Uma revisão publicada em 2025, que reuniu três estudos controlados com 721 pacientes acompanhados por até um ano, encontrou taxa de nova cirurgia de 0,31% nesse período. Segundo a MedlinePlus, biblioteca de saúde da National Library of Medicine dos Estados Unidos, a maioria das septoplastias consegue deixar o septo reto, e a respiração em geral melhora. A mesma fonte lista a volta da obstrução nasal entre os riscos da cirurgia, que às vezes exige uma nova operação.

A volta do desvio, portanto, é possível, mas pouco frequente, e depende de situações que em boa parte podem ser evitadas ou identificadas antes da cirurgia.

Quando o desvio de septo pode voltar

As situações que podem trazer o desvio de volta, ou deixar parte dele depois da cirurgia, são quatro.

1. Pancada no nariz depois da cirurgia

Um trauma no nariz durante o pós-operatório, como uma batida, pode fazer voltar algum desvio. Nas primeiras semanas, o septo ainda está cicatrizando na nova posição e fica mais vulnerável. Por isso, a recomendação da MedlinePlus é não tocar nem esfregar o nariz e limitar as atividades que possam causar uma queda ou aumentar a pressão no rosto. Anos depois, uma pancada forte também pode desviar o septo, operado ou não, já que o trauma está entre as causas conhecidas do desvio, segundo a ENT Health, site de informação ao paciente da Academia Americana de Otorrinolaringologia.

2. Pós-operatório sem os retornos

Quem opera o nariz precisa fazer um pós-operatório certinho, com retornos regulares ao longo de alguns meses. Quando a pessoa não volta às consultas, ou volta de forma muito irregular, o nariz pode cicatrizar de forma errada. Essas cicatrizes erradas, que se formam entre o septo e a parede lateral do nariz, se chamam sinéquias.

As sinéquias podem atrapalhar a respiração depois da cirurgia. Com o passar dos anos, podem até puxar o septo para uma direção errada e levar a um novo desvio. Uma revisão de 2023 sobre o tema descreve que elas aparecem em 6,8% a 36% das cirurgias do nariz e que o risco depende do tipo de cirurgia, da técnica, dos curativos e dos cuidados com a ferida no pós-operatório. Nos retornos, o nariz é limpo e examinado, e uma sinéquia que começa a se formar pode ser desfeita cedo. A limpeza feita em casa também conta, como mostra a orientação sobre lavagem nasal no pós-operatório de nariz.

3. Desvio que não foi corrigido por inteiro

Às vezes, o desvio não volta. Ele simplesmente não foi corrigido por inteiro. Isso pode acontecer por uma técnica cirúrgica que não alcançou todo o desvio, e então fica um desvio residual.

Também existem partes do septo que, por melhor que seja o cirurgião, não podem ser mexidas, porque são importantes para a estrutura e a estabilidade do nariz. Por isso, os desvios muito altos, perto do dorso, continuam depois da cirurgia. A boa notícia é que esses desvios altos não trazem impacto na respiração, porque estão em áreas que pouco interferem na passagem do ar.

Já a parte da frente do septo, perto da entrada do nariz, tem mais peso na respiração. Um estudo coreano de 2022 com 74 adultos operados de novo por desvio persistente mostrou que o desvio que ficou estava, na maior parte das vezes, nessa região, em 44,6% dos casos. Nesse estudo, a segunda cirurgia melhorou a respiração, e os autores concluíram que uma boa avaliação dessa parte do septo antes da primeira cirurgia ajuda a evitar a nova operação.

4. Nariz muito torto por fora ou grande assimetria do rosto

Algumas pessoas têm muita alteração na pirâmide nasal, a parte de fora do nariz, com desvios e tortuosidades visíveis, ou têm uma grande assimetria do rosto. Quando só o septo é corrigido e a pirâmide não é trabalhada, as forças de tensão do rosto podem, ao longo dos anos, ir desviando o septo aos poucos, mesmo que ele tenha ficado bem centralizado na cirurgia.

Isso não é comum. E, quando acontece, em geral o desvio é pequeno e não volta a obstruir a respiração. Quando a parte de fora do nariz também precisa ser corrigida, a cirurgia indicada é outra, como mostra a orientação sobre rinoplastia, septoplastia ou rinosseptoplastia.

A estrutura da entrada do nariz também entra nessa avaliação. Um estudo americano com pessoas que precisaram de uma segunda septoplastia encontrou fraqueza da válvula nasal, a parte mais estreita da entrada do nariz, em boa parte delas, e os autores recomendam examinar essa região antes da primeira cirurgia.

Nariz entupido depois da septoplastia: na maioria das vezes, é rinite

Muitos pacientes operam o septo, continuam ou voltam a ficar com o nariz entupido e perguntam o que aconteceu. Na maioria dos casos, não é o desvio que volta. No exame, o septo aparece bem operado, no lugar, e o que entope o nariz é uma rinite descompensada.

A septoplastia corrige o septo, mas não trata a rinite. Na rinite, a mucosa do nariz inflama e os cornetos, a chamada carne esponjosa no nariz, incham e fecham a passagem do ar. Quem tem uma rinite importante, opera o septo e não cuida da rinite pode, ao longo dos anos, voltar a respirar mal, mesmo com a cirurgia bem feita.

Os estudos apontam na mesma direção. Em um estudo grego com 149 pessoas operadas, as que tinham rinite alérgica melhoraram, mas ficaram menos satisfeitas com o resultado do que as que não tinham alergia, e os autores colocam o controle da rinite como prioridade. Entre as causas de nariz entupido depois da septoplastia, os estudos citam ainda os cornetos aumentados que não foram tratados, a válvula nasal fraca e o desvio residual. Por isso, o tratamento depende do que o exame mostra. O que é a rinite e por que tratá-la está na orientação sobre rinite.

Nariz entupido nas primeiras semanas é esperado

Logo depois da cirurgia, o nariz entupido faz parte da cicatrização e não significa que o desvio voltou. Segundo a MedlinePlus, é normal sentir o nariz entupido por várias semanas depois da septoplastia. O inchaço por dentro do nariz, as crostas e a secreção dessa fase fecham a passagem do ar. A respiração melhora à medida que a cicatrização avança e o nariz é mantido limpo.

Como saber se o desvio voltou

A sensação não basta para saber. Rinite, cornetos inchados, sinéquias, crostas e um desvio que voltou dão a mesma queixa de nariz entupido. O que diferencia é o exame do nariz por dentro.

Na consulta, o otorrino examina o nariz com uma câmera fina, na nasofibrolaringoscopia, que mostra a posição do septo, o tamanho dos cornetos, a mucosa e a presença de sinéquias. Na OtoCare, o exame é feito na própria consulta. Com isso se sabe se existe um desvio que de fato atrapalha a respiração ou se a causa é outra.

Alguns sinais fazem pensar em algo além do inchaço normal da cicatrização e merecem avaliação:

  • nariz entupido de um lado só, que persiste depois da fase de cicatrização;
  • respiração que melhorou depois da cirurgia e voltou a piorar com o tempo;
  • piora depois de uma pancada no nariz;
  • nariz entupido que alterna de lado, com espirros, coceira e coriza, mais típico da rinite.

O que fazer se o desvio voltar

O primeiro passo é descobrir a causa. Quando o exame mostra que o septo está bem e o problema é a rinite, o tratamento é clínico. A lavagem nasal e o corticoide nasal fazem parte dele, sempre com orientação médica.

Quando existe de fato um desvio, a decisão leva em conta o tamanho e o lugar dele. Um desvio residual pequeno, ou em uma área que não interfere na passagem do ar, como os desvios altos, em geral não precisa de nova cirurgia. Quando o desvio obstrui a respiração, a septoplastia revisional, ou seja, uma nova cirurgia do septo, pode ser indicada. No estudo coreano com 74 adultos, a respiração melhorou depois da segunda cirurgia.

Outro estudo comparou pessoas operadas pela primeira vez com pessoas na segunda cirurgia e viu que, nas operadas de novo, a melhora da respiração durou menos, o que reforça a importância de avaliar todas as causas de nariz entupido antes de indicar a revisão.

Como evitar que o desvio volte

A maior parte do que faz o desvio voltar pode ser evitada. Os cuidados que mais contam são:

  • escolher bem o médico que vai fazer a cirurgia, com uma avaliação completa do nariz antes de operar;
  • fazer o pós-operatório adequado e ir a todos os retornos marcados, para que o nariz cicatrize da forma certa;
  • usar as medicações indicadas depois da cirurgia, quando o médico prescrever;
  • proteger o nariz de pancadas, principalmente nas primeiras semanas;
  • manter a rinite controlada antes e depois da cirurgia.

Seguindo essas orientações, o septo tende a ficar na posição adequada e a rinite fica controlada, e a pessoa pode respirar muito bem. No geral, a cirurgia de septo é um sucesso e, quando bem indicada, os pacientes ficam muito satisfeitos e têm uma melhora muito significativa da respiração.

Vídeo: desvio de septo pode voltar depois da cirurgia?

Perguntas frequentes

O desvio de septo pode piorar com o tempo depois da cirurgia?

Na maioria das pessoas, não. Com o septo bem centralizado e a cicatrização correta, ele continua no lugar. Em quem tem o nariz muito torto por fora ou uma grande assimetria do rosto, as forças de tensão podem desviar o septo aos poucos, ao longo de anos. Uma sinéquia, mais comum quando o pós-operatório não teve os retornos, também pode puxá-lo para o lado errado. Mesmo nesses casos, o desvio costuma ser pequeno. Quando a respiração piora anos depois da cirurgia, a causa mais comum é a rinite.

Quanto tempo o nariz fica entupido depois da septoplastia?

Algumas semanas, e a respiração melhora aos poucos. Segundo a MedlinePlus, é normal o nariz ficar entupido por várias semanas depois da cirurgia, e ele fica inchado por dentro nessa fase. Nos estudos controlados, a vantagem da septoplastia sobre o tratamento sem cirurgia ficou clara aos 6 e aos 12 meses. Por isso, um nariz ainda entupido nas primeiras semanas não quer dizer que a cirurgia falhou nem que o desvio voltou. Os prazos de cada etapa do pós-operatório estão na página da septoplastia em Brasília.

Com dois meses de cirurgia o nariz voltou a entupir. O desvio voltou?

É pouco provável. Nessa fase, a cicatrização ainda não terminou, e crostas, secreção, inchaço da mucosa, uma crise de rinite ou uma sinéquia em formação dão a mesma sensação de nariz trancado. O exame no retorno mostra qual é a causa. Até lá, a lavagem nasal deve continuar como foi orientada, sem aumentar a pressão para forçar a passagem.

Septoplastia pode dar errado?

Como toda cirurgia, pode ter complicações, mas elas são pouco frequentes. A MedlinePlus cita a volta da obstrução nasal, as cicatrizes por dentro do nariz, a perfuração do septo, a alteração da sensibilidade da pele, uma diferença na aparência do nariz e a perda do olfato ou do paladar. Na revisão dos estudos controlados, com até um ano de acompanhamento, as complicações variaram de 0,31% (nova cirurgia) a 4,12% (sangramento e infecção). Quando a respiração não melhora, muitas vezes a cirurgia deu certo e a causa do nariz entupido é outra, como a rinite.

Criança operada do septo tem mais chance de o desvio voltar?

Pode ter um pouco mais. O septo da criança ainda está crescendo, e por isso a cirurgia é mais conservadora, preservando as áreas de crescimento do nariz. Uma revisão de 2026 descreve poucas complicações com essa técnica a partir dos 6 anos, mas aponta que as novas cirurgias são mais frequentes nas crianças do que nos adultos, em torno de 13,5% nas cirurgias de septo e nariz. A indicação na criança é decidida caso a caso, como explica a orientação sobre desvio de septo.

Operar os cornetos junto com o septo evita que o nariz volte a entupir?

Ajuda quando os cornetos estão aumentados. Os cornetos que incham e não são tratados estão entre as causas de nariz entupido depois da septoplastia, e por isso, quando estão grandes, podem ser tratados na mesma cirurgia. A cirurgia dos cornetos, porém, não cura a rinite. Se a inflamação continua sem controle, eles podem voltar a aumentar, e o tratamento da rinite continua depois da operação.

Referências

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Avaliação do nariz depois da septoplastia na OtoCare, em Brasília

Nariz entupido depois de uma cirurgia de septo pede um exame do nariz por dentro para descobrir a causa, seja rinite, cornetos, sinéquia ou desvio. A consulta na OtoCare, no Noroeste, avalia quem já operou, na clínica ou em outro lugar, e quem ainda vai decidir pela cirurgia. As cirurgias realizadas na clínica estão na página de cirurgias.