Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
Natação ajuda a melhorar a respiração?
Pais de crianças que vivem tendo crise de asma costumam perguntar se a natação ajuda. A mesma dúvida aparece em adultos com rinite alérgica ou com uma sinusite que não dá trégua.
A resposta é sim. Vários estudos confirmam que a natação melhora a respiração. Por isso, nos pacientes com doenças respiratórias, como asma, rinite alérgica e sinusite, a natação faz parte do tratamento sempre que possível. Ela ajuda muito, melhora o quadro e reduz as crises.
A natação se soma ao tratamento e não entra no lugar dele. Os remédios indicados continuam, e a lavagem nasal também, como explicado mais abaixo.

O que os estudos mostram na asma
Estudos feitos com crianças com asma mostraram que as que começaram a nadar passaram a ter menos crises respiratórias e menos internações por asma. Ou seja, a evolução da doença melhora muito.
Em Taiwan, 30 crianças com asma foram divididas em dois grupos. As que nadaram por seis semanas, além do tratamento habitual, tiveram melhora do pico de fluxo expiratório, uma medida da força do sopro, e da gravidade da asma. Nos Estados Unidos, num programa de nove semanas de natação ou golfe para crianças de bairros com muita asma, as consultas médicas não programadas por causa de crises de asma diminuíram depois do programa.
No Brasil, um estudo da Unicamp acompanhou 61 crianças e adolescentes com asma persistente moderada, todos usando o mesmo corticoide inalatório. Os que fizeram duas aulas de natação por semana, durante três meses, ficaram com os brônquios menos sensíveis e com mais força nos músculos da respiração.
Uma revisão da Cochrane reuniu 8 estudos com 262 crianças e adolescentes. A natação melhorou a função do pulmão e o condicionamento físico e foi bem tolerada, sem piorar a asma. Nesses estudos, que duraram poucas semanas, o efeito sobre as crises ficou menos claro, e a resposta de cada paciente é acompanhada caso a caso, na consulta.
A natação não cura a asma. Ela ajuda a controlar a doença, junto com o tratamento. A ligação entre o nariz e os pulmões, e por que tratar a rinite ajuda a asma, está na orientação sobre asma e rinite alérgica.
Por que a natação faz bem para a respiração
São vários motivos, e eles se somam.
Um treino para a respiração
A natação trabalha muito a respiração. Ela funciona como uma fisioterapia respiratória. O exercício feito com a respiração durante o nado melhora a expansão torácica, que é a abertura do peito, a drenagem de secreções e a ventilação dos pulmões. Esse treino respiratório é um dos grandes benefícios do esporte.
No estudo da Unicamp, a força para puxar e para soltar o ar aumentou nas crianças que nadaram.
Ar úmido e menos falta de ar no esforço
Nadar expõe a pessoa a um ambiente com mais umidade. O ar perto da água é mais úmido, e isso umidifica todo o trato respiratório na hora do exercício, o que também tem impacto positivo na saúde das vias respiratórias.
É uma das razões de a natação ser tão bem tolerada por quem tem asma. Uma análise de vários estudos mostrou que correr ou pedalar provoca de quatro a seis vezes mais broncoespasmo induzido pelo exercício, o fechamento dos brônquios que vem com o esforço, do que nadar.
Exercício, imunidade e alergia
Praticar exercício físico melhora a imunidade e deixa o corpo mais resistente a viroses e a infecções por bactérias. Num estudo com 1.002 adultos acompanhados por 12 semanas no outono e no inverno, quem fazia exercício aeróbico cinco ou mais dias por semana teve 43% menos dias com infecção das vias aéreas superiores, como os resfriados, do que quem era sedentário.
A atividade física também modula a via alérgica do corpo e reduz o perfil alérgico dos pacientes. Uma revisão sobre esporte e alergia descreve que o treino diminui a falta de ar e os sintomas da asma e reduz a inflamação típica da alergia. Num estudo brasileiro com adultos com asma moderada ou grave, o treino aeróbico deixou os brônquios menos sensíveis e baixou marcadores de inflamação no sangue.
Por isso, o exercício regular é considerado indispensável para quem tem asma ou rinite alérgica. A GINA, a iniciativa internacional para o manejo da asma, também recomenda atividade física regular para quem tem a doença. Uma revisão da Cochrane com 21 estudos concluiu que quem tem asma estável pode fazer exercício regular sem medo de piorar os sintomas.
Benefícios que vão além da respiração
Como esporte, a natação ainda melhora a função motora, fortalece a musculatura, ajuda na postura e trabalha muito o sistema cardiovascular. Tudo isso se soma ao trabalho com a respiração.
Natação para rinite e sinusite
A indicação não se restringe à asma. Para quem tem rinite alérgica ou sinusite, a natação também é indicada sempre que possível, porque melhora o quadro e reduz as crises, pelos mesmos motivos: o treino da respiração, o ar úmido e o efeito do exercício sobre a imunidade e a alergia.
Quem tem rinite pode fazer natação, e a maioria se adapta bem. Ela não substitui o tratamento da rinite, que está na orientação sobre o tratamento da rinite alérgica. Na sinusite, vale o mesmo raciocínio. A natação ajuda a cuidar da via respiratória, enquanto a causa da sinusite, muitas vezes ligada à rinite, é tratada à parte, como mostra a orientação sobre rinite e sinusite.
O principal cuidado é o cloro. Uma parte das pessoas com rinite ou asma não se dá bem com a água clorada e sente o nariz pior depois das aulas. Nesses casos, há o que fazer sem abandonar o esporte.
Quando o cloro piora os sintomas
Alguns pacientes com rinite alérgica ou asma não se dão muito bem em águas cloradas, as piscinas que usam o cloro como sistema de limpeza. Se a pessoa está nadando e sente piora dos sintomas respiratórios depois da natação, com nariz entupido, coriza, espirros, tosse ou chiado, é o caso de avaliar a possibilidade de nadar numa piscina de água salinizada.
O incômodo não é uma alergia ao cloro. O cloro reage com os resíduos que os banhistas levam para a água e forma subprodutos, como as cloraminas, que irritam o nariz, os olhos e as vias respiratórias. Quanto mais desses subprodutos na água, mais deles no ar logo acima da piscina, o que pesa mais nas piscinas cobertas.
Num estudo com nadadores de competição de 9 a 21 anos com sintomas no nariz, 35% tinham uma rinite por irritação, sem alergia. O uso de um clipe nasal durante o treino, que evita o contato direto da água com o nariz, reduziu a inflamação e a obstrução nesses nadadores.
O problema é maior em quem passa muitas horas na água. Entre nadadores de competição, 74% tinham sintomas de rinite durante o treino intenso, contra 40% das pessoas que não nadavam, e os sintomas voltaram ao normal depois de pelo menos duas semanas sem nadar. Na natação recreativa, a situação é outra. Uma revisão de 7 estudos, com 5.851 crianças, não encontrou mais asma nas que frequentavam piscina. Um estudo inglês que acompanhou 5.738 crianças desde o nascimento também não viu aumento de nenhum sintoma, e as crianças que mais frequentaram piscinas até os 7 anos tinham menos asma ativa.
Piscina salinizada
Para alguns pacientes que não se adaptam bem à natação por causa do cloro, só a troca para uma piscina salinizada já resolve o desconforto respiratório que aparece na hora ou logo depois da aula. Com isso, a adaptação à atividade melhora muito.
A piscina salinizada também é limpa com cloro. A diferença é que esse cloro é produzido a partir do sal, por um aparelho ligado à piscina. Num estudo de 2022, numa piscina coberta que trocou o cloro comum por esse sistema, os subprodutos da água passaram a ter uma toxicidade para as células, calculada em laboratório, 45% menor. A troca é uma opção a ser testada caso a caso, conforme a resposta de cada paciente.
Como diminuir a irritação na piscina
Algumas medidas reduzem o contato com os subprodutos do cloro.
- Preferir piscinas bem ventiladas, porque nas cobertas os subprodutos do cloro se acumulam no ar.
- Tomar uma ducha antes de entrar na água, para levar menos resíduos para a piscina.
- Usar clipe nasal quando o nariz irrita com a água.
- Observar se os sintomas aparecem depois das aulas e, se aparecem, conversar na consulta sobre a troca para a piscina salinizada.
Quantas vezes por semana nadar
A orientação é que a natação seja regular, parte das atividades do dia a dia. Duas vezes por semana já está excelente, ou mais, se for possível. O que importa é a regularidade.
Na maioria dos estudos com crianças com asma, os treinos duravam de 30 a 90 minutos, duas a três vezes por semana. A Organização Mundial da Saúde recomenda, para crianças e adolescentes, uma média de 60 minutos de atividade física por dia e, para adultos, de 150 a 300 minutos por semana de atividade moderada. A natação pode ser uma parte dessa conta, junto com outras atividades.
Com que idade a criança pode começar a natação
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, atividades físicas organizadas, como a natação, podem entrar aos poucos na rotina a partir dos três anos. Antes disso, a criança deve se movimentar bastante todos os dias, em brincadeiras livres.
Para crianças com asma, a mesma sociedade pede uma avaliação clínica específica antes de começar. Na consulta na OtoCare, o nariz e a rinite são avaliados junto com a asma, e a natação é indicada no momento certo para cada criança.
Asma e falta de ar no exercício: cuidados antes de nadar
Quem tem asma pode ter falta de ar, tosse ou chiado durante o esforço ou logo depois dele. É o broncoespasmo induzido pelo exercício. A natação provoca menos esse problema do que outros esportes, mas ele pode acontecer.
A GINA recomenda que cada paciente com asma receba orientação sobre como lidar com o broncoespasmo do exercício. Ela também mostra que o tratamento de controle com corticoide inalatório, usado todos os dias, reduz esse fechamento dos brônquios. Por isso, a natação entra junto com o tratamento de controle, e a necessidade de usar a bombinha antes da aula é definida na consulta.
Nadar com a asma controlada é o mais seguro. No programa americano de natação e golfe para crianças com asma, houve só seis pioras dos sintomas em 1.125 sessões de exercício.
Natação não substitui a lavagem nasal
Uma dúvida frequente dos pais é se, com a respiração da criança bem melhor depois da natação, já é possível parar a lavagem nasal. O ideal é não parar. A lavagem nasal continua, até de forma preventiva, como um cuidado com o nariz e com a respiração da criança, e também do adulto.
A natação não exclui a lavagem nasal como hábito para prevenir doenças respiratórias. Quem deve lavar o nariz e com que frequência está na orientação sobre quem precisa fazer lavagem nasal, e a técnica para os pequenos, na lavagem nasal em crianças. Outras medidas para a criança que vive resfriada estão em como prevenir gripes e resfriados em crianças.
Cuidados com o ouvido na natação
A piscina também pede atenção com os ouvidos. A água que fica parada no canal do ouvido favorece a otite externa, a inflamação conhecida como ouvido de nadador. Os cuidados para quem tem otite de repetição estão na orientação sobre como evitar otite externa, e o que fazer quando a água fica presa, em como tirar água do ouvido.
Quem precisa nadar com o ouvido protegido, depois de liberado na consulta, encontra a técnica de colocação do tampão de ouvido de silicone.
Vídeo: natação para problemas respiratórios
O vídeo abaixo explica por que a natação ajuda na asma, na rinite e na sinusite, o que fazer quando o cloro incomoda e por que a lavagem nasal continua.
Perguntas frequentes
Natação cura asma?
Não. A natação ajuda a controlar a asma, melhora a função do pulmão e reduz as crises, mas não cura a doença. Ela faz parte do tratamento, junto com os remédios indicados.
Natação é bom para bronquite?
A chamada bronquite asmática é a asma. A natação é indicada para essas crianças pelos mesmos motivos: treina a respiração, é feita em ar úmido e provoca menos falta de ar no esforço do que outros esportes.
Pode fazer natação com rinite?
Pode, e é indicada. A natação melhora o quadro de quem tem rinite alérgica e reduz as crises. Se o nariz piorar depois das aulas, o cloro pode ser a causa, e a piscina salinizada é uma alternativa.
Natação piora a rinite?
Na maioria das pessoas, não. Em quem é sensível, os subprodutos do cloro irritam o nariz e causam espirros, coriza e nariz entupido depois do treino. É uma irritação, e não uma alergia ao cloro.
Pode fazer natação com sinusite?
Quem tem sinusite de repetição se beneficia da natação, que melhora o quadro e reduz as crises. Se os sintomas pioram depois das aulas, a troca para a piscina salinizada costuma ajudar. As causas que fazem a sinusite voltar estão na orientação sobre sinusite de repetição.
Por que o nariz entope depois da natação?
Muitas vezes, por irritação do nariz pelos subprodutos do cloro, que também pode piorar uma rinite alérgica que já existia. O clipe nasal e a piscina salinizada ajudam. Se o nariz continua entupido mesmo longe da piscina, pode haver uma rinite a tratar.
Piscina salinizada tem cloro?
Tem. Um aparelho transforma o sal da água em cloro, que faz a limpeza. Para alguns pacientes que se sentem mal na piscina com cloro comum, só a troca para a salinizada já resolve o desconforto.
Piscina coberta ou aberta: qual é melhor para quem tem asma ou rinite?
Nas piscinas cobertas, os subprodutos do cloro se acumulam mais no ar. Uma piscina coberta bem ventilada ou uma piscina aberta tendem a irritar menos o nariz e os brônquios.
Quantos dias por semana fazer natação?
Duas vezes por semana já está excelente, ou mais, se for possível. O mais importante é que a natação seja regular.
Com quantos anos a criança pode fazer natação?
A Sociedade Brasileira de Pediatria indica que atividades organizadas, como a natação, podem começar a partir dos três anos. Criança com asma passa antes por uma avaliação.
Natação melhora a imunidade?
O exercício regular melhora a imunidade e deixa o corpo mais resistente a viroses e infecções. Num estudo com adultos, quem se exercitava cinco ou mais dias por semana teve 43% menos dias com resfriado do que quem era sedentário.
Quem tem asma precisa usar a bombinha antes de nadar?
Depende de cada paciente. Quem tem falta de ar ou chiado no esforço recebe na consulta a orientação sobre como prevenir o broncoespasmo, e o tratamento de controle diário já reduz esse problema.
Quem faz natação precisa continuar a lavagem nasal?
Sim. A natação não exclui a lavagem nasal, que continua como cuidado preventivo com o nariz, inclusive quando a respiração já melhorou.
Natação pode causar otite?
Pode causar otite externa, a inflamação do canal do ouvido favorecida pela água parada. Secar bem os ouvidos e, em quem tem otite de repetição, os cuidados preventivos reduzem o risco.
Referências
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Se você ou seu filho têm asma, rinite ou sinusite que voltam com frequência, ou se o nariz piora depois da natação, agende uma consulta com otorrino na OtoCare, no Noroeste de Brasília. Na consulta, o nariz e a respiração são avaliados, o tratamento é ajustado e a natação é indicada da forma certa para cada paciente.
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