Alimentos para melhorar a audição: fitoesteróis, peixe e o que dizem os estudos

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

O que comer para melhorar a audição

Uma pergunta frequente no consultório é qual alimento colocar na dieta para melhorar a audição e se dá para reverter a perda auditiva que vem com a idade. A resposta ganhou uma novidade em agosto de 2023, com um estudo que mostrou que os fitoesteróis, presentes em vários alimentos, podem ajudar tanto a prevenir quanto a reverter uma perda auditiva.

Dra. Larissa Vilela com a mão atrás da orelha, ao lado de um pote de vidro com castanhas, nozes, amendoim e avelãs

Os fitoesteróis estão em alimentos comuns, como castanhas, amendoim, abacate, coco, sementes e azeite de oliva. São alimentos que não fazem mal e que podem entrar na dieta de forma equilibrada, e por isso já é possível orientar a sua inclusão, mesmo sem uma dose definida para a audição.

Outros alimentos também aparecem em estudos sobre audição, como o peixe e o padrão da dieta mediterrânea. Já as vitaminas em cápsula e os suplementos vendidos para o ouvido têm resultados bem mais modestos nos estudos.

O que são os fitoesteróis

Os fitoesteróis são gorduras de plantas muito parecidas com o colesterol. O nome vem daí: fito quer dizer planta, e esterol é a família de gorduras a que o colesterol também pertence.

Eles já são usados em tratamentos ligados ao envelhecimento e ao colesterol alto. Um consenso da Sociedade Europeia de Aterosclerose, de 2014, mostra que cerca de 2 gramas por dia de fitoesteróis, em geral em alimentos enriquecidos, reduzem a absorção do colesterol no intestino e baixam o colesterol LDL, o chamado colesterol ruim.

A novidade do estudo de 2023 foi levar os fitoesteróis para a audição. Eles não aumentam o colesterol do sangue, e a semelhança com o colesterol foi o motivo de serem testados no ouvido.

O estudo argentino de 2023 sobre fitoesteróis e audição

O estudo foi feito por pesquisadores argentinos e publicado em agosto de 2023 na revista PLOS Biology. Foi um estudo experimental, e ele trouxe uma surpresa ao mostrar que a alimentação pode, sim, melhorar a audição.

Segundo o estudo, dentro do ouvido pode haver um desequilíbrio no controle do colesterol, o que os pesquisadores chamam de homeostase do colesterol. A suplementação com fitoesteróis pode melhorar o funcionamento das células auditivas dentro da cóclea, a parte do ouvido interno que transforma o som em sinal para o cérebro.

O experimento foi feito em camundongos. Os pesquisadores viram que, com o envelhecimento, o colesterol das células da cóclea diminui. Em seguida, deram a camundongos jovens um medicamento usado no tratamento do HIV, o efavirenz, que provoca essa mesma perda de colesterol, e a função dessas células piorou. Nos camundongos que receberam o medicamento junto com uma ração enriquecida com fitoesteróis, a função auditiva foi em grande parte recuperada.

Como os resultados vieram de animais, os próprios autores apontam os próximos passos: repetir os testes em outras linhagens de camundongos e, depois, avançar para estudos em pessoas. É uma área da ciência em evolução, e a dose para pessoas ainda depende desses estudos.

Alimentos ricos em fitoesteróis

Os fitoesteróis são encontrados em grande quantidade em alimentos de origem vegetal que fazem parte do dia a dia.

  • castanhas, como a castanha de caju e a castanha-do-pará;
  • nozes;
  • amendoim;
  • coco;
  • abacate;
  • sementes de girassol e de linhaça;
  • óleos, como o azeite de oliva e os óleos vegetais.

Além desses alimentos naturais, existem produtos enriquecidos com fitoesteróis, como alguns cremes vegetais, feitos para ajudar a baixar o colesterol. Foram esses produtos, na dose de cerca de 2 gramas por dia, que o consenso europeu avaliou para o colesterol.

Quanto comer: ainda não existe dose para a audição

Ainda não se sabe a dose exata de fitoesteróis, nem a quantidade de cada alimento, necessária para ter efeito na audição. O estudo de 2023 não foi feito em pessoas, e por isso não definiu uma quantidade.

A orientação é incluir esses alimentos de forma bem variada e equilibrada, usando o máximo possível deles no dia a dia. Castanhas no lanche, azeite na salada, abacate e sementes no café da manhã são formas simples de fazer isso. Como são alimentos que não fazem mal, eles podem entrar na dieta enquanto as pesquisas avançam.

Peixe, ômega-3 e dieta mediterrânea

Além dos fitoesteróis, o peixe aparece em vários estudos sobre audição. Uma pesquisa americana acompanhou mais de 65 mil mulheres por cerca de 18 anos. As que comiam de 2 a 4 porções de peixe por semana tiveram um risco 20% menor de perda auditiva do que as que quase nunca comiam.

Muitos sites repetem que comer peixe duas vezes por semana reduz em 42% a perda auditiva. Esse número vem de um estudo australiano com cerca de 3 mil pessoas acima de 50 anos, que acompanhou a audição por cinco anos. Quem comia peixe duas ou mais vezes por semana teve 42% menos chance de desenvolver perda auditiva da idade do que quem comia menos de uma vez. O estudo americano, bem maior e com outra comparação, encontrou 20%. Os números variam de um estudo para outro, e os dois apontam na mesma direção.

O padrão da alimentação como um todo também conta. No mesmo grupo de mulheres americanas, as que seguiam mais de perto a dieta mediterrânea ou a dieta DASH, criada para controlar a pressão, tiveram cerca de 30% menos risco de perda auditiva. Em outra parte do estudo, com audiometria feita no início e três anos depois, quem comia melhor teve menos piora da audição nas frequências médias.

A dieta mediterrânea é rica justamente em azeite, castanhas, sementes, verduras e peixe, o que junta os fitoesteróis e o ômega-3 no mesmo prato. São estudos de observação, que mostram associação e não provam causa, mas os resultados se repetem.

Vitaminas e suplementos para a audição

As listas de alimentos para a audição costumam citar vitamina A, C, E, ácido fólico, zinco e magnésio, cada um com uma explicação diferente. Os estudos com suplementos dessas vitaminas mostram um quadro mais modesto.

  • uma revisão brasileira de estudos com antioxidantes, de 2018, não encontrou melhora da audição com a vitamina E;
  • um estudo holandês deu ácido fólico por três anos a pessoas mais velhas, num país em que os alimentos não eram enriquecidos com essa vitamina. A piora da audição nas frequências da fala foi um pouco menor, cerca de 0,7 decibel, e nas frequências agudas não houve diferença.

Nenhuma vitamina ou suplemento em cápsula mostrou recuperar a audição perdida. A falta de vitaminas, quando existe, é investigada com exames e corrigida conforme o caso. Para quem come bem, a vitamina vem do próprio alimento.

Alimentos que podem prejudicar a audição

Um estudo australiano com cerca de 3 mil pessoas acima de 50 anos encontrou mais perda auditiva entre as que comiam mais colesterol na dieta. Entre as que tomavam remédio para baixar o colesterol, a chance de perda auditiva foi quase 50% menor. No mesmo estudo, quem consumia uma quantidade moderada de gordura monoinsaturada, a do azeite e das castanhas, teve menos piora da audição em cinco anos.

O colesterol que se come e o que circula no sangue não são a mesma coisa que o colesterol guardado dentro das células da cóclea, estudado nos camundongos. O que esse estudo com pessoas sugere é que a qualidade da gordura da dieta parece importar para a audição. Cigarro, excesso de álcool e doenças como diabetes e pressão alta também entram entre os fatores que aceleram a perda de audição, detalhados na orientação sobre surdez com a idade.

O que a alimentação não substitui

A alimentação é uma aliada da audição, mas não substitui a avaliação de quem já percebe que está ouvindo menos. Ainda não existe remédio aprovado para reverter a perda auditiva da idade, e os fitoesteróis são uma possibilidade que ainda está sendo estudada.

Quando a perda já atrapalha a conversa, o aparelho auditivo é o tratamento que devolve o acesso aos sons. Os prazos para fazer o exame estão na orientação sobre quando fazer audiometria, e a audiometria é feita na OtoCare, em Brasília.

Vídeo: alimentos para melhorar a audição

O vídeo abaixo explica o estudo sobre os fitoesteróis, em quais alimentos eles estão e como incluí-los na dieta.

Perguntas frequentes

Fitoesteróis servem para quê?

O uso mais conhecido é baixar o colesterol LDL. Em torno de 2 gramas por dia, eles reduzem o LDL em cerca de 8% a 10%. Para a audição, o benefício foi mostrado em estudo experimental e ainda não tem dose definida.

Qual a diferença entre fitoesteróis e fitoestanóis?

Os dois são compostos de plantas parecidos com o colesterol e têm efeito semelhante sobre o colesterol do sangue, tanto que o consenso europeu os avalia juntos. O estudo sobre audição de 2023 testou os fitoesteróis.

Fitoesteróis têm efeitos colaterais?

Na dose de cerca de 2 gramas por dia, estudos longos em pessoas não encontraram efeitos prejudiciais à saúde, segundo o consenso europeu. O mesmo consenso indica os produtos enriquecidos para quem tem colesterol alto.

Fitoesterol em cápsula ou margarina com fitoesteróis melhora a audição?

Não há estudo em pessoas que mostre isso. As cápsulas e os cremes enriquecidos foram estudados para o colesterol. Para a audição, a orientação é colocar os alimentos ricos em fitoesteróis de forma variada na dieta.

Vitamina B12 é boa para a audição?

A vitamina B12 aparece em alguns estudos sobre proteção contra a perda auditiva causada pelo ruído, com resultados promissores, mas uma revisão de 2021 concluiu que o benefício prático ainda não está claro. Quem tem falta de B12 deve corrigi-la, como qualquer outra deficiência.

Existe remédio natural para melhorar a audição?

Nenhum chá, óleo de pingar no ouvido ou suplemento vendido como remédio natural mostrou, em estudos com pessoas, recuperar a audição perdida. A alimentação equilibrada, rica em fitoesteróis e peixe, é uma aliada, junto com a proteção contra o ruído e o controle de doenças como diabetes e pressão alta.

A audição do idoso pode melhorar com a alimentação?

O estudo dos fitoesteróis sugere que sim. Ele foi feito em animais, e a dose para pessoas ainda está em estudo. Na prática, a alimentação ajuda a cuidar da audição, e quando a perda já dificulta a conversa, o aparelho auditivo é o que melhora a comunicação do idoso.

Referências

  1. VILELA, Larissa. Quais alimentos incluir na dieta para melhorar a audição (fitoesteróis)? YouTube, 5 out. 2023. 1 vídeo (3 min 30 s). Disponível em: https://youtu.be/x2nf1AV9cBA. Acesso em: 28 set. 2026.
  2. SODERO, A. O. et al. Phytosterols reverse antiretroviral-induced hearing loss, with potential implications for cochlear aging. PLOS Biology, v. 21, n. 8, e3002257, 2023. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37619212/. Acesso em: 28 set. 2026.
  3. GYLLING, H. et al. Plant sterols and plant stanols in the management of dyslipidaemia and prevention of cardiovascular disease. Atherosclerosis, v. 232, n. 2, p. 346–360, 2014. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24468148/. Acesso em: 28 set. 2026.
  4. CURHAN, S. G. et al. Fish and fatty acid consumption and the risk of hearing loss in women. The American Journal of Clinical Nutrition, v. 100, n. 5, p. 1371–1377, 2014. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25332335/. Acesso em: 28 set. 2026.
  5. GOPINATH, B. et al. Consumption of omega-3 fatty acids and fish and risk of age-related hearing loss. The American Journal of Clinical Nutrition, v. 92, n. 2, p. 416–421, 2010. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20534742/. Acesso em: 28 set. 2026.
  6. CURHAN, S. G. et al. Adherence to healthful dietary patterns is associated with lower risk of hearing loss in women. The Journal of Nutrition, v. 148, n. 6, p. 944–951, 2018. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29757402/. Acesso em: 28 set. 2026.
  7. CURHAN, S. G. et al. Prospective study of dietary patterns and hearing threshold elevation. American Journal of Epidemiology, v. 189, n. 3, p. 204–214, 2020. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31608356/. Acesso em: 28 set. 2026.
  8. GOPINATH, B. et al. Dietary intake of cholesterol is positively associated and use of cholesterol-lowering medication is negatively associated with prevalent age-related hearing loss. The Journal of Nutrition, v. 141, n. 7, p. 1355–1361, 2011. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21613455/. Acesso em: 28 set. 2026.
  9. DURGA, J. et al. Effects of folic acid supplementation on hearing in older adults: a randomized, controlled trial. Annals of Internal Medicine, v. 146, n. 1, p. 1–9, 2007. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17200216/. Acesso em: 28 set. 2026.
  10. SOUZA, M. E. D. C. A. et al. Effect of antioxidant supplementation on the auditory threshold in sensorineural hearing loss: a meta-analysis. Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, v. 84, n. 3, p. 368–380, 2018. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28888754/. Acesso em: 28 set. 2026.
  11. GUPTA, A. et al. Pharmacological prevention of noise-induced hearing loss: a systematic review. Otology & Neurotology, v. 42, n. 1, p. 2–9, 2021. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33229875/. Acesso em: 28 set. 2026.

Perda de audição: avaliação com otorrino em Brasília

Dificuldade para acompanhar conversas, televisão cada vez mais alta ou zumbido pedem avaliação. A OtoCare, no Noroeste de Brasília, faz a consulta com otorrino e a audiometria, e orienta os cuidados com a audição em cada fase da vida.

Telefone e WhatsApp: (61) 99957-8479

Veja todas as orientações aos pacientes da OtoCare.