Mel para tosse funciona? Como usar e qual dose para cada idade

Dra. Larissa Vilela, médica otorrinolaringologista da Clínica OtoCare

Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino

Sim, o mel pode aliviar a tosse de gripes e resfriados

Quase todo mundo já ouviu falar do mel para tratar a tosse. E ele funciona: o mel pode ajudar bastante na tosse de gripes e resfriados. Os estudos mostram que ele pode reduzir a frequência, a intensidade e a duração da tosse, e por isso não é só uma receita de avó. É uma orientação muito usada pelos otorrinos nesses quadros, junto com os remédios quando eles são necessários.

O mel pode ser usado sempre que começa uma tosse, principalmente se ela vem de gripe ou resfriado. O cuidado mais importante é a idade: nunca se dá mel a crianças menores de 1 ano, por causa do risco de botulismo.

Mulher tossindo ao lado de favo, pote de mel e pegador de madeira

O que os estudos mostram sobre o mel

A revisão Cochrane de 2018 reuniu seis estudos com 899 crianças com tosse aguda. O mel provavelmente reduz a frequência da tosse mais do que placebo ou nenhum tratamento, teve efeito parecido com o do dextrometorfano, um remédio comum para tosse, e pode ter sido melhor que a difenidramina, um antialérgico. Uma revisão de 2023 com dez estudos em crianças encontrou também melhora do sono, com evidência de baixa qualidade.

Uma revisão de 2021 com 14 estudos, em adultos e crianças, mostrou que o mel melhorou a frequência e a intensidade da tosse e o conjunto dos sintomas das infecções das vias aéreas superiores, comparado ao cuidado habitual. Os autores apontam o mel como uma alternativa barata ao uso desnecessário de antibióticos nesses quadros.

Qual é a dose de mel para tosse em cada idade?

A medida muda conforme a idade, e o mel é dado uma vez, à noite, antes de dormir.

IdadeMedida orientadaHorário
Menores de 1 anoNão usar mel—
De 1 a 2 anos1 colher de café, a menorÀ noite, antes de dormir
De 2 a 6 anos1 colher de cháÀ noite, antes de dormir
De 6 a 12 anos½ colher de sopaÀ noite, antes de dormir
Adultos1 colher de sopa rasaÀ noite, antes de dormir

A colher de café é aquela bem pequena, e a de chá é um pouco maior. Para os adultos, a colher de sopa é rasa, sem montinho.

Por que o mel não pode ser usado antes de 1 ano?

O mel pode conter esporos da bactéria do botulismo, que produz toxinas. As crianças muito pequenas são mais suscetíveis, porque o intestino ainda não está preparado para se defender deles. Segundo o Ministério da Saúde, o botulismo infantil é mais frequente entre 3 e 26 semanas de vida, e o mel é uma das principais causas. Por isso, a restrição vale mesmo para uma quantidade pequena, dada só para aliviar a tosse.

O Ministério da Saúde vai um pouco além e cita o mel como um alimento especialmente perigoso para crianças menores de 2 anos, com base no guia alimentar para essa idade. Entre 1 e 2 anos, a medida da colher de café pode ser conversada caso a caso na consulta.

Por quanto tempo usar mel para tosse?

A orientação é usar o mel por cinco dias, ou na fase mais aguda da tosse, quando ela está mais incômoda. É nesse período que o benefício aparece com mais clareza. O objetivo é deixar a gripe ou o resfriado mais confortável, não manter o mel indefinidamente.

Na revisão Cochrane, a vantagem do mel foi mais clara nos três primeiros dias. O tempo de uso pode ser ajustado caso a caso, na consulta. Para entender a evolução esperada do quadro, veja quanto tempo dura uma gripe ou resfriado, e para outras medidas que acompanham o alívio, a orientação sobre como cuidar de gripes e resfriados.

Mel com limão, chá ou leite funciona?

O que os estudos avaliaram foi o mel. Misturá-lo com água morna e limão, com chá de gengibre ou com leite morno pode deixar o preparo mais agradável, mas o efeito sobre a tosse vem do mel, e não há evidência de que a mistura aumente o benefício. Se for misturar, mantenha a medida de mel indicada para a idade.

Tosse seca, com catarro ou alérgica

Os estudos avaliaram a tosse aguda de gripes e resfriados e não trazem resultados separados para a tosse seca e para a tosse com catarro. Nesses quadros, o mel pode ser usado nos dois casos.

A tosse alérgica e a tosse que já dura semanas são outra situação. Nelas, o mel não foi estudado e não trata a causa. A tosse ligada à alergia costuma acompanhar a rinite, e a tosse que não passa está na orientação sobre tosse crônica.

O mel substitui o tratamento da causa?

Não. O mel alivia a tosse e complementa o tratamento. Quando existe necessidade de remédio ou de tratamento específico, ele é usado junto, sem ocupar o lugar do diagnóstico. Quando a tosse já dura semanas e vem com pigarro ou rouquidão, o caminho é outro, como explica a orientação sobre tosse crônica por refluxo. Se a tosse foge do esperado, agende uma consulta na OtoCare.

Mel e própolis

Os estudos citados aqui avaliaram o mel, e não o própolis. Por isso, a dose e a evidência do mel não se aplicam automaticamente ao própolis. Na prática clínica, o própolis também é visto como benéfico nos quadros de tosse, mas é um produto diferente, com indicações e cuidados próprios.

Vídeo: como usar mel para aliviar a tosse

O vídeo abaixo apresenta a evidência, as medidas por idade, a restrição para menores de 1 ano e o período de uso na fase mais aguda.

Perguntas frequentes

Quantas vezes ao dia posso tomar mel para tosse?

A orientação é uma dose à noite, antes de dormir, na medida indicada para a idade.

Criança de 1 ano pode tomar mel para tosse?

A partir de 1 ano, a orientação é uma colher de café à noite. Como o Ministério da Saúde considera o mel especialmente arriscado até os 2 anos, essa faixa pode ser conversada na consulta. Antes de 1 ano, nunca.

Mel é melhor que xarope para tosse?

Nas crianças, a revisão Cochrane encontrou efeito parecido com o do dextrometorfano e possivelmente melhor que o da difenidramina. O mel é uma opção simples, mas não substitui o remédio quando ele é necessário.

Mel tem efeito colateral?

Nos estudos com crianças, os efeitos colaterais foram pequenos, como insônia, hiperatividade ou nervosismo em algumas delas, e a revisão Cochrane não encontrou diferença na ocorrência de efeitos entre quem tomou mel e os outros grupos. Abaixo de 1 ano, o risco é o botulismo, e por isso o mel não é usado nessa idade.

Mel ajuda na dor de garganta?

Os estudos mediram principalmente a tosse. Há poucos dados sobre a garganta, e eles variam: em adultos, um estudo mostrou melhora da irritação da garganta e outro não encontrou diferença na dor. A medida de mel orientada aqui é para a tosse.

Qual tipo de mel é melhor para tosse?

Os estudos usaram méis de tipos diferentes e não compararam um com o outro, então não há como dizer que um tipo seja melhor. A orientação de dose vale para o mel, sem exigir uma variedade especial.

Por que o mel ajuda na tosse?

Segundo o resumo da revisão Cochrane, acredita-se que o mel evita o crescimento dos micróbios e reduz a inflamação. O mecanismo exato ainda não está definido.

Pode tomar mel puro para tosse?

Pode. O mel puro, na medida indicada para a idade, à noite, é a forma mais simples, e é o próprio mel que foi avaliado nos estudos.

Referências

  1. VILELA, Larissa. Mel para tosse: funciona? YouTube, 16 ago. 2023. 1 vídeo (2 min 46 s). Disponível em: https://youtu.be/Ahatk5y4_go. Acesso em: 29 set. 2026.
  2. ODUWOLE, O. et al. Honey for acute cough in children. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2018, n. 4, art. CD007094. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29633783/. Acesso em: 29 set. 2026.
  3. ODUWOLE, O. et al. Mel para tosse aguda em crianças. Resumo em português. Cochrane. Disponível em: https://www.cochrane.org/pt/evidence/CD007094_honey-acute-cough-children. Acesso em: 29 set. 2026.
  4. KUITUNEN, I.; RENKO, M. Honey for acute cough in children: a systematic review. European Journal of Pediatrics, v. 182, p. 3949-3956, 2023. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37355498/. Acesso em: 29 set. 2026.
  5. ABUELGASIM, H.; ALBURY, C.; LEE, J. Effectiveness of honey for symptomatic relief in upper respiratory tract infections: a systematic review and meta-analysis. BMJ Evidence-Based Medicine, v. 26, n. 2, p. 57-64, 2021. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32817011/. Acesso em: 29 set. 2026.
  6. BRASIL. Ministério da Saúde. Botulismo. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/b/botulismo/botulismo. Acesso em: 29 set. 2026.

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