Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
A alimentação também pesa no risco de câncer de cabeça e pescoço
O câncer de cabeça e pescoço está muito ligado ao cigarro e ao consumo de álcool. Isso já é bem conhecido. Estudos recentes mostram que ele também pode estar relacionado à alimentação, e que o que se come no dia a dia pesa no risco de desenvolver esses tumores.
A boa notícia é que isso abre mais uma forma de prevenção ao alcance de todos. Existem alimentos que devem ser favorecidos na dieta e alimentos que devem ser evitados para reduzir o risco de câncer de cabeça e pescoço. E a mudança não precisa ser radical, porque uma troca pequena já faz diferença.

O que é o câncer de cabeça e pescoço
Câncer de cabeça e pescoço é o nome do grupo de tumores que surgem na boca, ou cavidade oral, na faringe, que é a garganta, e na laringe, onde ficam as pregas vocais. A grande maioria nasce nas células que revestem essas regiões por dentro e é do tipo carcinoma espinocelular, também chamado de carcinoma de células escamosas.
A faringe tem três partes. A nasofaringe fica atrás do nariz, a orofaringe inclui o palato mole, a amígdala e a base da língua, e a hipofaringe fica logo acima do esôfago. Com menos frequência, o câncer de cabeça e pescoço começa na cavidade do nariz e nos seios da face, nas glândulas salivares ou nos músculos e nervos da região.
Apesar do nome, alguns tumores dessa parte do corpo ficam fora do grupo. Os cânceres do cérebro, dos olhos, do esôfago, da glândula tireoide e da pele do rosto e do pescoço costumam ser tratados à parte pelo Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos (NCI). As campanhas brasileiras, como a do Ministério da Saúde no Julho Verde, às vezes incluem a tireoide no grupo, mas câncer de garganta e câncer de tireoide não são a mesma coisa.
Quando o câncer de cabeça e pescoço se espalha, em geral avança primeiro pela própria região e pelos gânglios, ou linfonodos, do pescoço. Por isso, às vezes o primeiro sinal percebido é um caroço no pescoço.
Quantas pessoas têm câncer de cabeça e pescoço
O câncer é hoje a segunda causa de morte no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ele responde por quase uma em cada seis mortes. Entre todos os tipos de câncer, o de cabeça e pescoço é o quinto mais comum, e estima-se que cerca de 600 mil pessoas recebam esse diagnóstico a cada ano no mundo.
Outros levantamentos, que somam também os tumores do nariz e das glândulas salivares, falam em cerca de 890 mil casos novos por ano e colocam esse câncer em sétimo lugar. A posição no ranking muda conforme os tumores que entram na conta. É um câncer frequente, mais comum em homens e depois dos 50 anos. Os números do Brasil estão nas orientações sobre câncer de boca e sobre câncer de laringe.
Sintomas do câncer de cabeça e pescoço
Os sinais dependem do lugar onde o tumor começa. Na boca e na cavidade oral, o câncer costuma aparecer como uma ferida que não fecha, que não cicatriza e que, no geral, não dói tanto. Justamente por não doer, muitas vezes a pessoa deixa para depois. Quando atinge a laringe, ele se manifesta como rouquidão ou como dificuldade para engolir.
Uma ferida na boca ou uma rouquidão que dura mais de duas semanas precisa ser avaliada. Como diferenciar a ferida suspeita de uma afta está na orientação sobre câncer de boca, e a rouquidão que não passa, na orientação sobre rouquidão.
Outros sinais que precisam de atenção
O NCI lista outros sinais, conforme a região atingida.
- caroço no pescoço que não some;
- dor de garganta que não passa;
- dor para engolir ou dificuldade para engolir;
- mancha branca ou vermelha na gengiva, na língua ou na parte de dentro da boca, ou sangramento sem motivo na boca;
- dor de ouvido de um lado, zumbido ou piora da audição, que podem vir de um tumor na faringe;
- nariz entupido que não melhora, sangramento pelo nariz e dor nos dentes de cima, nos tumores do nariz e dos seios da face;
- inchaço embaixo do queixo ou perto da mandíbula, dormência ou fraqueza no rosto, nos tumores das glândulas salivares.
Na maioria das vezes, esses sintomas têm causas mais simples e não são câncer. Mesmo assim, quando não melhoram, precisam ser investigados. Falta de ar ou dificuldade importante para engolir precisam de avaliação médica sem demora.
Causas e fatores de risco
Os dois grandes fatores de risco do câncer de cabeça e pescoço são o cigarro e o álcool. Eles explicam a maior parte dos tumores da boca e da laringe. O tabaco mascado e a fumaça respirada perto de quem fuma também contam. Quem fuma e bebe tem um risco bem maior do que quem faz só uma das duas coisas, e o consumo pesado dos dois juntos chega a multiplicar o risco por até 40 vezes.
O HPV, o papilomavírus humano, principalmente o tipo 16, é outro fator importante. Ele se liga sobretudo ao câncer de orofaringe, na amígdala e na base da língua. Segundo o NCI, cerca de três quartos dos cânceres de orofaringe são causados pela infecção persistente pelo HPV. A relação do HPV com a boca e a vacina estão na orientação sobre câncer de boca.
Alguns fatores pesam em tumores específicos. O vírus Epstein-Barr se relaciona ao câncer de nasofaringe. No trabalho, o pó de madeira, o pó de níquel e o formaldeído aumentam o risco dos tumores do nariz e dos seios da face. A radioterapia feita antes na cabeça e no pescoço aumenta o risco nas glândulas salivares.
E existe a alimentação. A OMS calcula que quase um quarto das mortes por câncer está ligado ao cigarro, ao álcool, ao excesso de peso, ao baixo consumo de frutas e verduras e à falta de atividade física. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) classifica a alimentação inadequada como a segunda causa de câncer que pode ser prevenida.
Alimentos ultraprocessados e câncer de cabeça e pescoço
Um estudo extremamente interessante, publicado em março de 2023, mostrou que o consumo de alimentos processados e ultraprocessados pode estar relacionado a um risco maior de câncer de cabeça e pescoço. Foi um estudo bem grande e muito bem desenhado, uma coorte prospectiva, que acompanha as pessoas ao longo dos anos. Ele reuniu mais de 450 mil participantes em 23 centros de 10 países da Europa.
As pessoas que comiam mais alimentos processados e ultraprocessados tinham mais risco de desenvolver câncer de cabeça e pescoço do que as que comiam menos. O mesmo apareceu em outros tumores, como o câncer de esôfago, o de fígado e o de mama depois da menopausa.
Outro ponto importante é que o estudo descontou da análise outros fatores de risco desses cânceres, como o cigarro, o álcool e até a obesidade. Mesmo assim, a alimentação continuou aparecendo como um fator de maior risco para câncer de cabeça e pescoço.
Uma nova análise da mesma coorte, publicada em 2024, reforçou o achado. Cada aumento de 10% na quantidade de ultraprocessados na dieta se associou a um risco cerca de 23% maior de câncer de cabeça e pescoço, e o peso corporal explicou só uma pequena parte dessa relação. Os autores lembram que estudos desse tipo mostram associação e que ainda falta entender por quais mecanismos o ultraprocessado agiria, uma pergunta que segue em estudo.
O que são alimentos processados e ultraprocessados
Os ultraprocessados são alimentos que passam por uma série de processos industriais, ficam extremamente modificados e recebem açúcar, sal, gordura, conservantes e outros aditivos químicos. Em geral, têm pouquíssima fibra. Os processados passam por um pouco menos de etapas industriais, mas, no fim das contas, também são alimentos com grande manipulação da indústria antes de chegar à mesa.
O Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, usa a mesma divisão. Os alimentos in natura ou minimamente processados vêm direto de plantas ou de animais e, no máximo, passam por alterações mínimas, como frutas, verduras, legumes, ovos, leite pasteurizado, grãos, farinhas e carnes frescas ou congeladas. Os processados são versões do alimento original com sal, açúcar ou outra substância de uso culinário, como legumes em conserva, frutas em calda, sardinha em lata, queijos e pães feitos só de farinha, fermento, água e sal.
Entre os ultraprocessados estão refrigerantes e refrescos em pó, biscoitos recheados, salgadinhos de pacote, macarrão instantâneo, sopas em pó, pratos prontos congelados, cereais matinais, barras de cereal e os embutidos, como salsicha, presunto e mortadela. O cachorro-quente com salsicha, tão comum no lanche, é um exemplo do dia a dia.
Uma forma prática de reconhecer o ultraprocessado é ler a lista de ingredientes no rótulo. Muitos ingredientes, frequentemente cinco ou mais, e nomes pouco familiares, que não se usam na cozinha de casa, indicam que o produto é ultraprocessado. Gordura vegetal hidrogenada, xarope de frutose, emulsificantes, corantes, aromatizantes e realçadores de sabor são exemplos.
Trocar só 10% da dieta já faz diferença
Um dado muito interessante do estudo europeu foi a simulação de uma troca pequena. Os pesquisadores avaliaram o que acontecia ao substituir 10% dos processados e ultraprocessados da dieta pela mesma quantidade de alimentos in natura ou minimamente processados. Essa pequena mudança já trazia benefício e se associou a um risco cerca de 20% menor de câncer de cabeça e pescoço.
A conclusão prática é preferir sempre alimentos in natura ou com o mínimo possível de processos industriais, sem precisar ser radical. O ideal seria comer só alimentos naturais e saudáveis, mas uma pequena redução dos ultraprocessados já pode ter um grande impacto no risco de câncer. Ajustar a alimentação no dia a dia é uma medida muito válida.
Frutas, verduras e legumes reduzem o risco
Na mesma linha, outro estudo, um grande levantamento internacional que reuniu 22 pesquisas e mais de 14 mil pessoas com câncer de cabeça e pescoço, mostrou que quem mais comia frutas in natura tinha cerca de duas vezes menos risco desse câncer, ou seja, perto da metade do risco de quem comia pouco. Com os vegetais, o risco menor também apareceu, um pouco menos marcado.
No mesmo estudo, comer mais carne vermelha e mais carne processada se associou a um risco maior. A combinação de muita fruta e verdura com pouca carne vermelha foi a mais favorável.
O INCA segue a mesma linha. Para se proteger do câncer, recomenda uma alimentação rica em frutas, legumes, verduras, cereais integrais, feijões e outras leguminosas, sementes e nozes, e menos ultraprocessados. Também orienta evitar as carnes processadas, transformadas por salga, cura, fermentação ou defumação, e manter a carne vermelha abaixo de 500 gramas de carne cozida por semana.
Como prevenir o câncer de cabeça e pescoço
A prevenção começa por melhorar a alimentação, aumentando o consumo de frutas, verduras, legumes e alimentos naturais e reduzindo ao máximo os processados e ultraprocessados. Uma pequena mudança já pode ser muito significativa, não só para o risco de câncer, mas para a saúde em geral.
Trocas simples para reduzir os ultraprocessados
O Guia Alimentar resume a recomendação numa regra de ouro, que é preferir sempre alimentos in natura ou minimamente processados e a comida feita em casa aos ultraprocessados. Algumas trocas ajudam a colocar isso em prática.
- água, leite e frutas no lugar de refrigerantes, bebidas lácteas e biscoitos recheados;
- comida feita na hora, como arroz e feijão, saladas, legumes refogados e sopas caseiras, no lugar de sopa de pacote, macarrão instantâneo e pratos congelados;
- fruta, castanhas ou um sanduíche caseiro no lanche, no lugar de salgadinho de pacote e cachorro-quente;
- carne, frango, peixe ou ovos frescos no lugar de salsicha, presunto, mortadela e outros embutidos;
- ler o rótulo e desconfiar da lista longa de ingredientes com nomes que não se usam em casa.
Não é preciso mudar tudo de uma vez. Uma troca por semana já é um começo, e o estudo europeu mostrou que trocar só uma parte da dieta já se associa a menos risco.
Não fumar e evitar o álcool
Parar de fumar e evitar o álcool continuam sendo as medidas de maior impacto. Para o INCA, quando o assunto é câncer, não existe quantidade segura de bebida alcoólica, e quanto maior a dose e o tempo de consumo, maior o risco. Como parar de fumar pode ser conversado na consulta.
Vacina contra o HPV
A vacina contra o HPV protege contra os tipos do vírus ligados ao câncer de orofaringe e a outros tumores. Ela está disponível no SUS, e as idades e o esquema estão na orientação sobre câncer de boca.
Atenção aos sinais que não passam
Não existe exame de rotina para descobrir o câncer de cabeça e pescoço em quem não tem sintomas. Por isso, a outra parte da prevenção é o diagnóstico precoce. Uma ferida na boca, uma rouquidão ou um caroço no pescoço que não passa em duas semanas deve ser examinado, com atenção ainda maior em quem fuma ou bebe.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico começa na consulta com otorrino, com o exame da boca, da garganta, do nariz e do pescoço. Para ver as regiões que não aparecem a olho nu, como a nasofaringe, a base da língua e a laringe, é feita a nasofibrolaringoscopia, um exame com uma câmera fina passada pelo nariz. Na OtoCare, esse exame é feito na própria clínica, no consultório.
Quando aparece uma lesão suspeita, a confirmação vem pela biópsia, a retirada de um pequeno fragmento para análise em laboratório. Exames de imagem, como a tomografia e a ressonância, mostram o tamanho do tumor e se há gânglios aumentados no pescoço, e ajudam a planejar o tratamento.
Tratamento e chances de cura
O tratamento depende do local do tumor, do estágio, da idade e da saúde geral de cada pessoa. Pode incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia, terapia-alvo e imunoterapia, sozinhas ou combinadas. Os tumores de orofaringe ligados ao HPV costumam ter chance de cura maior do que os que não têm relação com o vírus, com o mesmo tratamento.
Em todos os casos, quanto mais cedo o tumor é descoberto, maior a chance de cura e menor o tratamento necessário. As chances em cada estágio estão nas orientações sobre câncer de boca e sobre câncer de laringe. Depois do tratamento, o acompanhamento continua por anos. Ficar longe do cigarro e do álcool diminui o risco de um novo tumor, e manter a alimentação saudável faz parte do cuidado com a saúde em geral.
Vídeo: como evitar o câncer de cabeça e pescoço pela alimentação
Perguntas frequentes
O que causa câncer de cabeça e pescoço?
Os principais fatores de risco são o cigarro e o álcool, e o risco é bem maior em quem fuma e bebe. O HPV pesa sobretudo nos tumores da amígdala e da base da língua. A alimentação também conta: mais ultraprocessados e embutidos se associam a mais risco, e mais frutas e verduras, a menos risco.
Qual é o principal sintoma de câncer de cabeça e pescoço?
Depende de onde o tumor começa. Na boca, o sinal mais comum é uma ferida que não cicatriza e que, em geral, não dói tanto. Na laringe, é a rouquidão. Um caroço no pescoço, uma dor de garganta que não passa e a dificuldade para engolir também estão entre os sinais. Qualquer um deles que dure mais de duas semanas precisa ser avaliado.
Qual é o câncer de cabeça e pescoço mais comum?
A maioria dos casos aparece na boca, na faringe e na laringe, e o câncer de boca, ou da cavidade oral, está entre os mais frequentes do grupo. Os números do Brasil estão nas orientações sobre câncer de boca e sobre câncer de laringe.
Câncer de cabeça e pescoço tem cura?
Tem, e as chances são maiores quanto mais cedo ele é descoberto. No início, o tratamento costuma ser menor e deixa menos sequelas na fala e na deglutição. Por isso uma ferida, uma rouquidão ou um caroço que não passa não deve ficar para depois.
HPV causa câncer de cabeça e pescoço?
Pode causar, principalmente na orofaringe, que inclui a amígdala e a base da língua. O tipo 16 do vírus é o mais ligado a esses tumores. A vacina contra o HPV protege contra os tipos mais perigosos e está disponível no SUS. Quem pode tomar está na orientação sobre câncer de boca.
Câncer de garganta e câncer de tireoide são a mesma coisa?
Não. O câncer de garganta nasce na faringe ou na laringe, por onde passam o ar e o alimento. A tireoide é uma glândula na frente do pescoço, e o câncer dela é um tumor diferente, com outras causas e outro tratamento. Pela definição mais usada, ele fica fora do grupo dos cânceres de cabeça e pescoço, embora algumas campanhas o incluam.
Dor de garganta pode ser câncer?
Quase sempre a dor de garganta vem de uma infecção ou de uma irritação e melhora em poucos dias. A dor que não passa, principalmente de um lado só, com dor para engolir, rouquidão ou caroço no pescoço, precisa ser examinada, ainda mais em quem fuma ou bebe.
Câncer de garganta dá dor de ouvido?
Pode dar. Segundo o NCI, a dor de ouvido aparece entre os sinais dos tumores da faringe e da laringe, e às vezes o ouvido está normal no exame. Dor de ouvido persistente sem alteração no ouvido merece uma avaliação da garganta.
Câncer de garganta pega em outra pessoa?
Não. O câncer em si não passa de uma pessoa para outra. O que se transmite, por contato íntimo, inclusive no sexo oral, é o HPV, um vírus que pode causar alguns desses tumores depois de muitos anos de infecção persistente.
Quem não fuma nem bebe pode ter câncer de cabeça e pescoço?
Pode. O cigarro e o álcool explicam a maior parte dos casos, mas o HPV, a alimentação e algumas exposições no trabalho também contam. Por isso, sinais como ferida na boca, rouquidão ou caroço no pescoço que não passam merecem avaliação mesmo em quem nunca fumou.
Alimentos ultraprocessados causam câncer?
Grandes estudos mostram que quem come mais ultraprocessados tem mais risco de alguns tipos de câncer, entre eles o de cabeça e pescoço, mesmo descontando o cigarro, o álcool e o peso. São estudos de associação, e os pesquisadores ainda estudam como o ultraprocessado agiria. Reduzir esses alimentos é uma das recomendações do INCA para prevenir o câncer.
Salsicha e outros embutidos aumentam o risco de câncer?
As carnes processadas, como salsicha, linguiça, presunto, mortadela e salame, passam por salga, cura, fermentação ou defumação, e o INCA orienta evitá-las porque podem aumentar a chance de câncer. Num grande estudo internacional sobre câncer de cabeça e pescoço, comer mais carne processada se associou a um risco maior.
Quais alimentos ajudam a prevenir câncer de cabeça e pescoço?
Frutas, verduras e legumes in natura, além de feijões, cereais integrais e a comida feita em casa com alimentos frescos. Quem mais comia frutas teve cerca de metade do risco de quem comia pouco num grande estudo internacional.
Preciso cortar todos os ultraprocessados da dieta?
Não é preciso ser radical. O ideal seria comer só alimentos naturais, mas uma redução pequena já faz diferença. No grande estudo europeu, trocar só 10% dos processados e ultraprocessados por alimentos naturais já se associou a menos risco de câncer de cabeça e pescoço.
Existe exame preventivo para câncer de cabeça e pescoço?
Não existe exame de sangue nem exame de rotina padronizado que descubra esse câncer em quem não tem sintomas. O exame da boca, da garganta e do pescoço na consulta ajuda a encontrar lesões cedo, com atenção maior a quem fuma ou bebe, e um sinal que não passa não deve ficar para depois.
O que é o Julho Verde?
É o mês nacional de conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço, instituído por lei. A campanha do Ministério da Saúde lembra os sinais de alerta, como ferida na boca que não cicatriza, rouquidão persistente, dificuldade para engolir e caroço no pescoço, e reforça a prevenção, com menos cigarro e álcool e a vacina contra o HPV.
Câncer de cabeça e pescoço é perigoso?
É um câncer sério, porque pode afetar funções importantes como falar, engolir e respirar, e porque muitos casos só são descobertos em fase avançada, como mostra a orientação sobre câncer de boca. Descoberto no início, porém, tem boas chances de cura e um tratamento menor.
Referências
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Avaliação de feridas na boca, rouquidão e caroço no pescoço na OtoCare, em Brasília
Uma ferida na boca, uma rouquidão ou um caroço no pescoço que não passa em duas semanas precisa ser examinado. Na consulta com otorrino na OtoCare, no Noroeste de Brasília, a boca, a garganta, o nariz e o pescoço são avaliados, e a nasofibrolaringoscopia, que mostra a faringe e a laringe, é feita na própria clínica. A consulta também é o momento de tirar dúvidas sobre os fatores de risco e a prevenção.