Por Dra. Larissa Vilela, médica otorrino
O que é orelha de abano
A orelha de abano é uma alteração no formato do pavilhão auricular, a parte da orelha que fica do lado de fora da cabeça. Tecnicamente, ela é chamada de orelha proeminente. O ângulo entre a orelha e a cabeça é maior do que o habitual, e a orelha fica mais aberta, projetada para frente.
É a alteração congênita mais comum da cabeça e do pescoço e aparece em cerca de 5% das pessoas brancas. É uma questão estética, sem nenhuma alteração funcional, mas o incômodo com a aparência costuma ser grande, principalmente nas crianças.
O tratamento depende da idade. No recém-nascido, a orelha pode ser modelada sem cirurgia nas primeiras semanas de vida. Nas crianças maiores e nos adultos, a correção definitiva é a cirurgia, chamada otoplastia.

Como é uma orelha normal
Os tamanhos médios da orelha ajudam a entender o que muda na orelha de abano. No homem adulto, a orelha tem em média 6,5 cm de comprimento, da parte mais alta até a mais baixa. Na mulher, o comprimento médio é de 5,5 cm, cerca de 1 cm a menos. A largura fica em torno de 3,5 cm.
O lóbulo, a parte mole de baixo da orelha, mede em média 1,8 cm de comprimento e 1,4 cm de largura. Normalmente, ele é mais comprido do que largo.
A orelha externa é cheia de curvas, com elevações e depressões formadas pela cartilagem. Duas delas são importantes na orelha de abano. A concha é a cavidade mais funda, perto da entrada do ouvido. A anti-hélice é a dobra curva que fica logo por dentro da borda da orelha.
Por que a orelha fica de abano
Na orelha de abano, a distância entre a orelha e a cabeça é maior, e a orelha fica mais aberta e projetada para frente. Isso acontece por três alterações, que podem aparecer sozinhas ou juntas.
- Anti-hélice mal formada, quando a dobra da orelha não é bem feita e essa parte fica mais plana.
- Excesso de concha, quando há cartilagem demais nessa região da orelha.
- Lóbulo proeminente, quando o lóbulo vem mais para frente.
Há pessoas que só têm excesso de concha, com uma anti-hélice muito bem formada, e há quem só tenha a anti-hélice alterada. Quando as três alterações aparecem juntas, os casos costumam ser mais graves, com a orelha muito mais aberta. Por isso, a correção é planejada conforme o que está alterado em cada orelha.
Orelha de abano é genética?
Sim. A orelha de abano é determinada geneticamente, com herança autossômica dominante. Na prática, quando o pai ou a mãe tem orelha de abano, os filhos também terão alguma alteração no formato da orelha.
Essa alteração nem sempre é igual à dos pais. Ela pode ser mais leve ou mais marcada, e cada orelha precisa ser avaliada.
Há também alterações da orelha do recém-nascido que não vêm da genética. A posição do bebê na barriga da mãe, com um bracinho em cima da orelha, por exemplo, pode fazer uma orelha nascer um pouco diferente da outra. Essas alterações pequenas muitas vezes se corrigem sozinhas nas duas primeiras semanas de vida.
Como saber se é orelha de abano
O diagnóstico é feito no exame da orelha, na consulta com otorrino. O exame avalia o ângulo entre a orelha e a cabeça e procura as três alterações, na anti-hélice, na concha e no lóbulo, de cada lado.
Nas pesquisas, a orelha costuma ser considerada proeminente quando a borda fica a mais de 2 cm da lateral da cabeça ou quando o ângulo com a cabeça passa de 25 graus. Esses números servem de referência, e a decisão de tratar também leva em conta o incômodo de cada pessoa.
No bebê, os pais costumam notar a diferença logo nos primeiros dias. Quanto antes a orelha é examinada, maior a chance de corrigir sem cirurgia.
Orelha de abano de um lado só
Pode acontecer. Algumas vezes só uma orelha tem a alteração, e a outra tem o formato habitual. Na maioria dos casos, porém, a orelha de abano é bilateral, nos dois lados.
Mesmo quando as duas orelhas são de abano, elas não são idênticas. Muitas vezes cada lado tem alterações diferentes, e a correção precisa ser diferente em cada orelha.
Um pouco de diferença entre as orelhas é normal. Em cerca de 19% das orelhas sem nenhuma alteração, a diferença para o outro lado passa de 3 mm.
Orelha de abano atrapalha a audição?
Não. É um mito que quem tem orelha de abano escuta mais, e a pessoa também não escuta menos. Ela escuta como qualquer outra, porque a orelha de abano não traz nenhuma alteração na audição nem outro problema funcional. A alteração fica na cartilagem da parte de fora da orelha.
Quando há dúvida sobre a audição, ela é avaliada à parte, com a audiometria. No recém-nascido, a audição é avaliada pelo teste da orelhinha, feito com as emissões otoacústicas, e a orelha de abano não interfere no resultado.
O impacto emocional, principalmente nas crianças
A orelha de abano é uma questão estética, mas não é só isso. Ela tem um impacto social e emocional importante, principalmente nas crianças, que costumam ser alvo de apelidos e brincadeiras na escola. O desconforto com a aparência é muito grande em muitos casos.
Uma revisão de 14 estudos, com 786 pacientes, mostrou que o bullying é o principal motivo que leva à cirurgia e que os meninos em idade escolar são os mais afetados. Pessoas com orelhas proeminentes relataram mais bullying até do que pacientes com alterações mais graves no rosto. Todos os estudos avaliados mostraram melhora da qualidade de vida depois da correção.
Entre os 4 e os 6 anos, a criança começa a perceber a própria aparência e a reagir ao que os colegas dizem. É a mesma fase em que a cirurgia já pode ser considerada.
Tratamento da orelha de abano: depende da idade
As opções de tratamento se dividem em dois grupos. Nos recém-nascidos, a orelha pode ser modelada sem cirurgia. Nas crianças maiores e nos adultos, a correção é feita com a cirurgia.
A idade muda o tratamento porque a cartilagem da orelha é muito maleável nas primeiras semanas de vida e vai ficando firme depois. Quando essa janela passa, o molde perde o efeito, e a correção fica para a cirurgia, quando a orelha já cresceu o suficiente.
Orelha de abano em bebê: a modelagem
Nas primeiras semanas de vida, a cartilagem da orelha do bebê ainda pode ser moldada. Isso acontece porque as células da cartilagem, os condrócitos, ainda estão sob o efeito do ambiente hormonal, com hormônios que vieram da mãe, e do ácido hialurônico na quantidade certa. Nessa fase, a orelha é colocada no formato adequado e se desenvolve assim.
A modelagem é feita pelo médico, com fitas de micropore ou com dispositivos próprios, como o EarWell®, que mantêm a orelha na posição correta. Com isso, a orelha se desenvolve com um formato excelente, e os resultados são muito bons.
Numa revisão de 15 estudos, com mais de 2.500 orelhas, a modelagem deu certo em 87% dos casos na avaliação médica. As complicações, quando aparecem, ficam na pele, como irritação, eczema e feridas de pressão, e em geral são leves e melhoram com cuidados simples.
Quando começar a modelagem
A modelagem é possível a partir da segunda ou terceira semana de vida e, no máximo, até a sexta ou oitava semana. O ideal é começar entre a segunda e a sexta semana. É nesse período que a orelha responde e os resultados são bons.
Em alguns casos, a modelagem é feita um pouco mais tarde, quando o bebê não conseguiu ser avaliado antes, e ainda assim pode ter bons resultados. Os estudos mostram que, dentro dessa janela, a resposta tende a ser melhor quanto mais cedo a modelagem começa. Por isso, o ideal é marcar a avaliação logo nas primeiras semanas de vida.
Por que não começar antes de duas semanas
Nas duas primeiras semanas, pequenas alterações da orelha muitas vezes se ajustam sozinhas. É o caso das alterações causadas pela posição do bebê na barriga da mãe. Por isso, a modelagem só começa a partir de duas semanas, com o que ficou de alteração.
Nem toda alteração se corrige sozinha. Os autores de um estudo com 488 bebês tratados com molde estimam que só cerca de 30% das alterações da orelha do recém-nascido melhoram sem tratamento. Nesse estudo, a orelha de abano foi a alteração mais comum.
Quanto tempo leva a modelagem
O processo leva em média 10 semanas para se completar. Nos estudos, o tempo de uso do molde variou bastante, com média de cerca de cinco semanas, e a duração é ajustada caso a caso, conforme a resposta de cada orelha.
A modelagem precisa de acompanhamento. A fita colocada em casa, sem orientação, pode machucar a pele sensível do bebê, e a janela para moldar a orelha passa rápido.
Depois dos dois meses, dá para corrigir sem cirurgia?
A partir do segundo mês, em teoria, já não é possível fazer a modelagem. A cartilagem vai ficando firme, e a orelha responde cada vez menos ao molde. Uma revisão sobre a correção sem cirurgia observou que os resultados tendem a ser ruins em bebês mais velhos.
Nas crianças maiores e nos adultos, as fitas e os adesivos corretivos vendidos em farmácia só escondem a orelha enquanto estão colados. Não há evidência de que eles corrijam a cartilagem de forma duradoura. Nessa fase, a correção definitiva é a cirurgia.
Existe também a chamada otoplastia sem corte, em que a dobra da orelha é feita com pontos passados pela pele, com fios. Uma revisão de 2025 considera a técnica eficaz quando bem indicada, com recuperação mais curta. Ela continua sendo um procedimento cirúrgico, e a indicação depende do exame de cada orelha.
Cirurgia de orelha de abano: a otoplastia
Nas crianças, a cirurgia é feita por volta dos 5 ou 6 anos. É preciso esperar a orelha crescer, e por volta dos 6 anos ela já atingiu cerca de 80% do tamanho da orelha de um adulto. A partir daí, as correções podem ser feitas. Adultos também podem operar.
A otoplastia em Brasília é o procedimento definitivo para corrigir a orelha de abano. Ela pode ser feita só com anestesia local, principalmente em adultos, com anestesia local e sedação ou com anestesia geral, quando é uma criança pequena, para que o procedimento seja feito com tranquilidade e sem incomodar a criança. A duração depende principalmente de quantas orelhas são operadas.
O corte é feito atrás da orelha. Por ele, a cirurgia refaz a dobra da anti-hélice, corrige o excesso de concha e ajusta o lóbulo quando ele está proeminente. É uma cirurgia tecnicamente simples, e os resultados são excelentes. Quando a cirurgia é bem feita, muitas vezes não se consegue diferenciar a orelha operada de uma orelha que nunca passou por correção.
Como é a recuperação da cirurgia
É uma cirurgia tecnicamente simples, mas que precisa de alguns cuidados depois. O paciente sai com uma faixa compressiva envolvendo as duas orelhas, retirada no dia seguinte. Um ponto com gaze que estabiliza a concha sai nos primeiros dias. Depois, o paciente usa uma faixa leve, como as de tenista ou de bailarina, só na hora de dormir, nas primeiras semanas. Ela protege a orelha de batidas durante o sono, que poderiam arrebentar algum ponto.
A dor costuma ser moderada. O que mais incomoda é a faixa compressiva no primeiro dia, e depois fica só um incômodo ao encostar na orelha. São prescritos remédios para dor e antibiótico. Dentro do possível, o ideal é dormir de barriga para cima e evitar deitar de lado no primeiro mês.
Os pontos atrás da orelha são retirados na consulta ou, quando o fio é absorvível, caem sozinhos. Os prazos de cada etapa, os riscos e o retorno às atividades estão na página sobre a cirurgia de otoplastia.
Vídeo: tudo sobre orelhas de abano
O vídeo abaixo mostra, num modelo anatômico, as partes da orelha que mudam na orelha de abano e explica a modelagem no bebê e a cirurgia.
Perguntas frequentes
Qual é o nome técnico da orelha de abano?
Orelha proeminente. A cirurgia que corrige a orelha de abano se chama otoplastia.
Qual é o CID da orelha de abano?
Na CID-10, a orelha de abano está no código Q17.5, orelhas proeminentes, entre as malformações congênitas da orelha.
Orelha de abano é gene dominante ou recessivo?
Dominante. A herança é autossômica dominante, e por isso a orelha de abano costuma aparecer em várias pessoas da mesma família, nem sempre com a mesma intensidade.
Quem tem orelha de abano escuta melhor?
Não. É um mito. A orelha de abano não muda a audição, nem para mais nem para menos.
Orelha de abano é normal?
É uma variação comum do formato da orelha, presente em cerca de 5% das pessoas brancas. Não causa problema de saúde, e o incômodo é estético e emocional.
Como saber se o bebê vai ter orelha de abano?
A alteração no formato costuma aparecer logo nos primeiros dias. Algumas alterações pequenas se corrigem sozinhas nas duas primeiras semanas. Se a orelha continuar diferente, a avaliação deve ser feita cedo, porque a modelagem só funciona nas primeiras semanas de vida.
Bebê de 4 meses com orelha de abano ainda pode corrigir sem cirurgia?
Em teoria, a partir do segundo mês a modelagem já não funciona. Alguns estudos usaram moldes até os 3 ou 6 meses, com resultados menos consistentes, e o caso pode ser avaliado na consulta. Quando não há resposta, a correção fica para a cirurgia, por volta dos 5 ou 6 anos.
Posso colocar esparadrapo na orelha do bebê em casa?
Não é o recomendado. A modelagem é feita pelo médico, que escolhe o molde e acompanha a orelha. Sem orientação, a fita pode machucar a pele do bebê e não corrigir a orelha.
Fita ou adesivo para orelha de abano funciona?
Em crianças maiores e adultos, fitas e adesivos só disfarçam a orelha enquanto estão colados. Eles não mudam a cartilagem, e a orelha volta à posição de antes quando são retirados.
Orelha de abano em adulto tem correção?
Tem. A otoplastia também é feita em adultos, em geral só com anestesia local, e é um procedimento definitivo.
Com quantos anos a criança pode operar orelha de abano?
Por volta dos 5 ou 6 anos, quando a orelha já atingiu cerca de 80% do tamanho adulto. Antes disso, é preciso esperar a orelha crescer.
Quem opera orelha de abano?
A otoplastia é uma cirurgia da orelha externa e faz parte da formação do otorrinolaringologista. Na OtoCare, no Noroeste de Brasília, a avaliação é feita na consulta com a otorrino da clínica, que também realiza a cirurgia.
Orelha de abano tem cura?
Tem correção. No bebê, a modelagem nas primeiras semanas pode corrigir a orelha sem cirurgia. Depois dessa fase, a otoplastia é o tratamento definitivo e, quando bem feita, muitas vezes deixa a orelha praticamente igual a uma orelha que nunca foi operada.
Referências
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Avaliação da orelha de abano na OtoCare, em Brasília
Se a orelha do bebê parece diferente nas primeiras semanas, ou se a orelha de abano incomoda você ou seu filho, agende uma consulta com otorrino na OtoCare, no Noroeste de Brasília. Na consulta, cada orelha é examinada, e o tratamento é indicado conforme a idade e as alterações encontradas.
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